segunda-feira, 19 de agosto de 2013

TDAH: orientações aos pais e professores




Algumas Estratégias Pedagógicas para Alunos com TDAH:
Atenção, memória sustentada:

Algumas técnicas para melhorar a atenção e memória sustentadas

1 – Quando o professor der alguma instrução, pedir ao aluno para repetir as instruções ou compartilhar com um amigo antes de começar as tarefas.
2 – Quando o aluno desempenhar a tarefa solicitada ofereça sempre um feedback positivo (reforço) através de pequenos elogios e prêmios que podem ser: estrelinhas no caderno, palavras de apoio, um aceno de mão... Os feedbacks e elogios devem acontecer SEMPRE E IMEDIATAMENTE após o aluno conseguir um bom desempenho compatível com o seu tempo e processo de aprendizagem.
3 – NÃO criticar e apontar em hipótese alguma os erros cometidos como falha no desempenho. Alunos com TDAH precisam de suporte, encorajamento, parceria e adaptações. Esses alunos DEVEM ser respeitados. Isto é um direito! A atitude positiva do professor é fator DECISIVO para a melhora do aprendizado.
4 – Na medida do possível, oferecer para o aluno e toda a turma tarefas diferenciadas. Os trabalhos em grupo e a possibilidade do aluno escolher as atividades nas quais quer participar são elementos que despertam o interesse e a motivação. É preciso ter em vista que cada aluno aprende no seu tempo e que as estratégias deverão respeitar a individualidade e especificidade de cada um.
4 – Optar por, sempre que possível, dar aulas com materiais audiovisuais, computadores, vídeos, DVD, e outros materiais diferenciados como revistas, jornais, livros, etc. A diversidade de materiais pedagógicos aumenta consideravelmente o interesse do aluno nas aulas e, portanto, melhora a atenção sustentada.
5 – Utilizar a técnica de “aprendizagem ativa” (high response strategies): trabalhos em duplas, respostas orais, possibilidade do aluno gravar as aulas e/ou trazer seus trabalhos gravados em CD ou computador para a escola.
6 – Adaptações ambientais na sala de aula: mudar as mesas e/ou cadeiras para evitar distrações. Não é indicado que alunos com TDAH sentem junto a portas, janelas e nas últimas fileiras da sala de aula. É indicado que esses alunos sentem nas primeiras fileiras, de preferência ao lado do professor para que os elementos distratores do ambiente não prejudiquem a atenção sustentada.
7 – Usar sinais visuais e orais: o professor pode combinar previamente com o aluno pequenos sinais cujo significado só o aluno e o professor compreendem. Exemplo: o professor combina com o aluno que todas as vezes que percebê-lo desatento durante as atividades, colocará levemente a mão sobre seu ombro para que ele possa retomar o foco das atividades.
8 – Usar mecanismos e/ou ferramentas para compensar as dificuldades memoriais: tabelas com datas sobre prazo de entrega dos trabalhos solicitados, usar post-it para fazer lembretes e anotações para que o aluno não esqueça o conteúdo.
9 – Etiquetar, iluminar, sublinhar e colorir as partes mais importantes de uma tarefa, texto ou prova.

Tempo e processamento das informações

1 – Usar organizadores gráficos para planejar e estruturar o trabalho escrito e facilitar a compreensão da tarefa. Clique aqui para ver um exemplo.
2 – Permitir como respostas de aprendizado apresentações orais, trabalhos manuais e outras tarefas que desenvolvam a criatividade do aluno.
3 – Encorajar o uso de computadores, gravadores, vídeos, assim como outras tecnologias que possam ajudar no aprendizado, no foco e motivação.
4 – Reduzir ao máximo o número de cópias escritas de textos. Permitir a digitação e impressão, caso seja mais produtivo para ao aluno.
5 – Respeitar um tempo mínimo de intervalo entre as tarefas. Exemplo: propor um trabalho em dupla antes de uma discussão sobre o tema com a turma inteira.
6 – Permitir ao aluno dar uma resposta oral ou gravar, caso ele tenha alguma dificuldade para escrever.
7 – Respeitar o tempo que cada aluno precisa para concluir uma atividade. Dar tempo extra nas tarefas e nas provas para que ele possa terminar no seu próprio tempo.

Organização e técnicas de estudo

1 – Dar as instruções de maneira clara e oferecer ferramentas para organização do aluno desenvolver hábitos de estudo. Incentivar o uso de agendas, calendários, post-it, blocos de anotações, lembretes sonoros do celular e uso de outras ferramentas tecnológicas que o aluno considere adequado para a sua organização.
2 – Na medida do possível, supervisionar e ajudar o aluno a organizar os seus cadernos, mesa, armário ou arquivar papéis importantes.
3 – Orientar os pais e/ou o aluno para que os cadernos e os livros sejam “encapados” com papéis de cores diferentes. Exemplo: material de matemática – vermelho, material de português – azul, e assim sucessivamente. Este procedimento ajuda na organização e memorização dos materiais.
4 – Incentivar o uso de pastas plásticas para envio de papéis e apostilas para casa e retorno para a escola. Desta forma, todo o material impresso fica condensado no mesmo lugar minimizando a eventual perda do material.
5 – Utilizar diariamente a agenda como canal de comunicação entre o professor e os pais. É extremamente importante que os pais façam observações diárias sobre o que observam no comportamento e no desempenho do filho em casa, assim como o professor poderá fazer o mesmo em relação às questões relacionadas à escola.
6 – Estruturar e apoiar a gestão do tempo nas tarefas que exigem desempenho em longo prazo. Exemplo: ao propor a realização de um trabalho de pesquisa que deverá ser entregue no prazo de 30 dias, dividir o trabalho em partes, estabelecer quais serão as etapas e monitorar se cada uma delas está sendo cumprida. Alunos com TDAH apresentam dificuldades em desempenhar tarefas em longo prazo.
7 – Ensine e dê exemplos frequentemente. Use folhas para tarefas diárias ou agendas. Ajude os pais, oriente-os como proceder e facilitar os problemas com deveres de casa. Alunos com TDAH não podem levar “toneladas” de trabalhos para fazer em casa num prazo de 24 horas.

Técnicas de aprendizado e habilidades metacognitivas

1 – Explicar de maneira clara e devagar quais são as técnicas de aprendizado que estão sendo utilizadas. Exemplo: explicar e demonstrar na prática como usar as fontes, materiais de referência, anotações, notícias de jornal, trechos de livro, etc.
2 – Definir metas claras e possíveis para que o aluno faça sua autoavaliação nas tarefas e nos projetos. Este procedimento permite que o aluno faça uma reflexão sobre o seu aprendizado e desenvolva estratégias para lidar com o seu próprio modo de aprender.
3 – Usar organizador gráfico (clique aqui para ver) para ajudar no planejamento, organização e compreensão da leitura ou escrita.

Inibição e autocontrole

1 – Buscar sempre ter uma postura pró-ativa. Antecipar as possíveis dificuldades de aprendizado que possam surgir e estruturar as soluções. Identificar no ambiente de sala de aula quais são os piores elementos distratores (situações que provocam maior desatenção) na tentativa de manter o aluno o mais distante possível deles e, consequentemente, focado o maior tempo possível na tarefa em sala de aula.
2 – Utilizar técnicas auditivas e visuais para sinalizar transições ou mudanças de atividades. Exemplo: falar em voz alta e fazer sinais com as mãos para lembrar a mudança de uma atividade para outra, ou do término da mesma.
3 – Dar frequentemente feedback (reforço) positivo. Assinale os pontos positivos e negativos de forma clara, construtiva, respeitosa. Este monitoramento é importante para o aluno com TDAH, pois permite que ele desenvolva uma percepção do seu próprio desempenho, potencial e capacidade e possa avançar motivado em busca da sua própria superação.
4 – Permitir que o aluno se levante em alguns momentos, previamente combinados entre ele e o professor. Alunos com hiperatividade necessitam de alguma atividade motora em determinados intervalos de tempo. Exemplo: pedir que vá ao quadro (lousa) apagar o que está escrito, solicitar que vá até a coordenação buscar algum material, etc., ou mesmo permitir que vá rapidamente ao banheiro ou ao corredor beber água. Este procedimento é extremamente útil para diminuir a atividade motora e, muitas vezes, é ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO para crianças muito agitadas.

- See more at: http://www.tdah.org.br/br/sobre-tdah/dicas-para-educadores/item/399-algumas-estrat%C3%A9gias-pedag%C3%B3gicas-para-alunos-com-tdah.html#sthash.bgct1jlj.dpuf

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

TDAH: como diagnosticar? ( da Revista Crescer)


TDAH: como descobrir o transtorno e lidar com o seu filho

Psiquiatra responde a dúvidas e mãe que teve o filho diagnosticado com TDAH dá seus conselhos para melhorar a rotina

Por Crescer - atualizada em 24/05/2013 19h29
tdah_menino (Foto: shutterstock)
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um problema que preocupa pais, educadores e profissionais de saúde. Nesta reportagem, o psiquiatra Paulo Mattos, um dos fundadores da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), responde a dez dúvidas de nossas leitoras. Além disso, você confere as valiosas dicas de Vivian Sampaio, uma mãe que reorganizou a rotina com o filho Thiago após o diagnóstico.
Palavra de especialista


1) Como é o diagnóstico de TDAH? É necessário algum tipo de exame, como ressonância magnética e eletroencefalograma? 
Paulo Motta: O diagnostico é inteiramente clínico, feito com base nos sintomas, da mesma maneira que outros problemas, como a síndrome do pânico e a depressão. Não é necessário exame de ressonância, eletroencefalograma ou qualquer outro que avalie características físicas. Os pais não precisam se sentir inseguros por conta do diagnóstico ser feito sem exames, pois na psiquiatria é assim mesmo que funciona. Outros profissionais, como pediatras e neurologistas especializados na doença, também podem auxiliar no processo de diagnóstico.

2) Quando uma criança só demonstra dificuldade de se concentrar em uma situação, por exemplo, na escola, pode ser TDAH? Existem níveis diferentes da doença? Como distinguir quem tem TDAH de uma criança que é simplesmente muito ativa?

P.M.: Não, as dificuldades de atenção devem ocorrer em pelo menos duas situações diferentes para que o diagnóstico seja realmente fechado. Quando ocorrem casos como o da pergunta, o mais provável é que aquela situação específica seja um problema e é isso que deve ser investigado. Quanto aos níveis da doença, sim, o TDAH pode variar de leve a grave (de acordo com a intensidade dos sintomas). A diferença entre o transtorno e uma característica da criança recai na intensidade do comportamento, da hiperatividade e da impulsividade – é difícil e muitas vezes só um especialista poderá dizer se é algo que precisa ou não ser acompanhado e tratado.
3) Existe algum indicativo, alguma característica, que elimine a possibilidade de uma criança ter TDAH com segurança?

P.M.: Não, isso não existe pois o TDAH é algo que todos nós temos. Em medicina dividimos os problemas naqueles que são diagnósticos de categoria e de dimensão. Os primeiros são do tipo “tem” ou “não tem”, por exemplo, uma pessoa tem ou não HIV, tem ou não hepatite. Já os do segundo tipo são os que caracterizam o diabetes ou a pressão alta. Todos temos açúcar no sangue e pressão arterial, o que importa é saber se os níveis estão dentro do aceitável/normal ou não. O TDAH é desse segundo tipo: todos nós teremos sintomas de hiperatividade e de déficit de atenção, mas em algumas pessoas há uma combinação e uma intensidade nos sintomas que atrapalha seu desenvolvimento e seu dia a dia, sempre comparado aos padrões de crianças da mesma idade.
4) O TDAH pode ser decorrente de alguma alta habilidade não trabalhada ou ignorada nas crianças? Já diagnosticou alguma criança com TDAH como superdotada?

P.M.: Na verdade o TDAH não tem relação direta com nenhum outro problema. É um transtorno neurobiológico, altamente genético e pode ocorrer em qualquer tipo de criança, tanto nas com inteligência normal, como nas com inteligência abaixo do normal e também nas superdotadas. São coisas independentes e que podem ocorrer ou não ao mesmo tempo.
5) Qual é a diferença entre os medicamentos estimulantes e não estimulantes usados para o tratamento? Qual é o mais usado hoje e quais os efeitos colaterais possíveis?

P.M.: Os estimulantes (metilfenidato e anfetaminas) são a primeira escolha porque são os mais eficazes; os não estimulantes incluem alguns antidepressivos (mas não todos) e a atomoxetina. Os mais usados são os estimulantes, que podem causar, numa minoria de casos, insônia, diminuição do apetite, irritabilidade e irritação gástrica. Todos esses sintomas desaparecem geralmente após um curto tempo depois do início do tratamento.
6) É possível tratar a doença sem medicamentos, só com atividades físicas?

P.M.: Não. Casos leves de desatenção ou hiperatividade não são classificados como TDAH e quando há diagnóstico fechado os medicamentos são necessários. Atividade física não é tratamento, é muito importante para uma criança hiperativa, até para o gasto de energia, mas não tem efeito sozinha.
7) Os medicamentos podem causar dependência química? A criança vai precisar tomar por toda a vida ou eles podem ser retirados em dias que ela não precisa de concentração (como um fim de semana, por exemplo)? Ou eles funcionam como os antidepressivos, que precisam de diminuição da dosagem antes de serem retirados?

P.M.: Os medicamentos são de uso controlado exatamente porque não devem ser tomados por quem não precisa ou de maneira desregulada. Se tomados do modo como prescrito pelo médico, esses medicamentos muito raramente se associam a dependência, algo que se observa em quem não é portador de TDAH e usa os estimulantes com outros propósitos. Além disso, os estudos mostram que o tratamento diminui, e não aumenta, o risco de uso de drogas no futuro. Quanto a interrupção do tratamento, pode ser feita rapidamente e mesmo ser suspensa em um dia mais tranquilo, como fim de semana, sem problemas. Como o TDAH é uma doença que em geral se estabiliza com a chegada à idade adulta, a pessoa para de tomar remédios na grande maioria dos casos.
8) Como saber se uma menina tem TDAH, já que os meninos são diagnosticados mais facilmente por conta da hiperatividade presente nos primeiros anos de vida? Os sintomas aparecem mais tarde ou são diferentes?

P.M.: As meninas costumam apresentar mais sintomas de déficit de atenção mesmo. Por conta disso, fica mais fácil perceber depois que elas entram na escola. O grau de desatenção acaba comprometendo sua vida acadêmica, principalmente. Não é que ela não tivesse o problema antes, mas é mais difícil identificá-lo.
9) Como é a vida social da criança com TDAH? Muito prejudicada, diferente das crianças sem o problema?

P.M.: A vida social dessas crianças e adolescentes pode ser prejudicada porque eles são mais rejeitados pelos colegas por conta de suas características (os sintomas do transtorno). Quando medicados e acompanhados por profissionais, não há problema algum, já que a criança fica com comportamento igual ao das outras da mesma idade.
10) Caso não seja tratado ainda criança, o problema pode trazer consequências na vida adulta? Quais? Há alguma pesquisa específica sobre isso?

P.M.: Há inúmeras pesquisas mostrando que o TDAH está associado ao fracasso acadêmico, abandono escolar, acidentes de trânsito, uso de drogas, álcool e divórcio, entre outras situações negativas na vida adulta. Por isso, diagnóstico e tratamentos são tão importantes para seu filho ter uma vida normal.
Palavra de mãe
Planeje com antecedência e explique antes como vai ser o dia para seu filho: ele tem um tempo próprio para finalizar qualquer atividade e as surpresas ou a imprevisibilidade podem deixá-lo mais ansioso e agitado. Estime um tempo extra para prepará-lo para sair.
- Tenha sempre algo para manter seu filho entretido. Crianças com TDAH não suportam esperar.
- A impulsividade é uma característica do TDAH. Por isso, evite perguntar o porquê de alguma atitude impulsiva. Você nunca terá explicação convincente e poderá ficar mais irritada.
- Crie um sistema de ações e recompensas. Selecione cinco tarefas que você espera que a criança faça diariamente. Por exemplo: sentar à mesa para jantar e tomar banho quando chamado. Peça para seu filho listar algumas recompensas. Defina um número de pontos para cada tarefa cumprida e para cada recompensa. Quando a criança atingir o numero de pontos que corresponde a uma recompensa, dê o prêmio rapidamente.
- Elogie a criança pelo mínimo que ela fizer, valorize os pequenos sucessos. Isso ajuda a regular as emoções.
- Ajude seu filho a exercitar sua organização e gerenciamento de tempo, pois isso colabora para um melhor desempenho acadêmico a longo prazo e será essencial quando adolescentes e adultos.
- Use “por favor” e o verbo em forma imperativa para pedir algo. A instrução tem que ser clara e especifica: diga simplesmente “hora do banho” com olhos nos olhos e espere pacientemente que ela faça o que foi pedido. Lembre-se: eles precisam de comandos e constantes direções.
- Crianças com TDAH têm dificuldade de regular emoções: escondem sentimentos ou simplesmente explodem. Pergunte no final do dia, antes de dormir, se tiveram um dia bom. Com o passar do tempo seu filho vai se sentir mais a vontade para explicar o que sente.
- Coloque-o numa atividade física que promova trabalho em grupo e melhore a interação social.
- Pergunte ao seu filho como ele resolveria um problema. Esse exercício permite rever uma atitude impulsiva.
- O momento de transição de uma atividade para outra sempre causa desconforto. Siga uma preparação: se a criança está vendo televisão e é hora do banho, avise-a com cinco minutos de antecedência, depois com dois minutos. Por fim, olhe para ela e diga que a televisão será desligada e a leve para o banho. No começo será difícil, mas ela vai se acostumar com esse procedimento
Seja realista com as suas expectativas. Não espere perfeição. Espere menos frequência, menos duração e menos intensidade de uma atitude indesejável. Os sintomas de hiperatividade diminuem aos 8 anos, porém a hiperatividade interna tem grandes chances de continuar. Prepare seu filho para o futuro.
- Tenha iniciativa como pai/mãe, diminua suas reações quando ela fizer algo fora do esperado.
- Lembre-se que tratá-lo como se não tivesse TDAH será muito prejudicial para a família toda, inclusive para irmãos e para o ciúme entre eles.
- Castigo não muda comportamentos, pois não ensina uma melhor maneira de se comportar. O objetivo é educar e não punir.
- Não há nenhuma pesquisa comprovando que dieta alimentar possa tornar uma criança menos hiperativa. Se seu filho adora chocolate, não é preciso proibi-lo de comer.
- TDAH é uma doença consistentemente inconsistente. Espere dias bons e ruins e converse com o psiquiatra sobre alternativas de tratamento. Há medicamentos que podem ajudar muito
Leia muito. As informações são limitadas, principalmente em português. Indico os sites Chadd (www.chadd.org), o de Sharon Weiss (www.sharonkweiss.com) e o de Russel Barkley (www.russellbarkley.org ), todos em inglês.
- Mais importante: a criança com TDAH deve sentir que ela não é o problema. A equação é pais + filho contra o problema.

domingo, 11 de agosto de 2013

TDAH e disfunção executiva

   

 As funções executivas são um conjunto de habilidades utilizadas no dia-a-dia para planejar, executar, avaliar execução e corrigir ou manter o que está sendo realizado. Alguns exemplos  das funções executivas são organização, gerenciamento do tempo, controle das emoções e da impulsividade, estabelecimento de objetivos e planejamento.
     As funções executivas não são habilidades isoladas; muito pelo contrário, são altamente inter-relacionadas e inter-dependentes. Problemas com funções executivas – conhecidos também como Disfunções Executivas, podem ser encontrados em crianças sem qualquer outro transtorno, embora sejam muito comuns em casos de transtornos de desenvolvimento e são uma marca central do TDAH.
     O déficit de atenção é decorrente de problemas de modulação da atenção – como se sabe, pessoas com TDAH – tem distração e desatenção mas podem conseguir prestar atenção, muitas vezes de extrema intensidade, chegando a um hiperfoco. Contudo, enfrentam problemas com controle voluntário e auto-direcionado do foco. A hiperatividade representa um déficit em inibição motora, assim como a impulsividade está relacionada a uma inibição pobre dos impulsos. Enfim: por essas caracterísitcas, as diversas formas de apresentação de TDAH tem, habitualmente, disfunção executiva.



O acompanhamento de terapeuta ocupacional, psicopedagogo e psicomotricista é fundamental para estes pacientes, que melhoram, e muito, sua capacidade de planejar, organizar e realizar tarefas de vida diaria.
   Além disso, a postura dos pais em casa deve ser alterada, visando, sobretudo, a correção destas dificuldades, para a formação de um futuro adulto autônomo, independente e com capacidade de realização.
Por isso, seguem abaixo algumas dicas sobre como estimular as crianças com TDAH e disfunção executiva:

Valorize o esforço do seu filho

Valorizar uma crinça pelos resultados (notas, por exemplo) ou por habilidades inatas ( como é inteligente) forma crianças avessas ao esforço e ao risco, que desistem facilmente, e param tudo no meio do processo. Estimule sempre o esforço e o planejamento, de modo a mostrar para a criança que ela pode controlar o processo, mas nunca os resultados.



Seja sempre específico

Ao invés de dizer "você é bom em matemática", o melhor a fazer é dizer " parabéns pelos cálculos, você deve ter  esforçado muito!"

Estimule a criança a rever os trabalhos e achar erros
Use frases com: achou um erro? Ótimo? Agora é só corrigir.


Seja sincero


Mesmo as crianças menores sabem quando os adultos estão sendo sinceros. Se elas são premiadas sem merecerem, chegam rapidamente a duas conclusões: 1- não posso a reeditar nele e 2- eu devo ser uma lástima se você está me elogiando por isso.

Não exagere

Crianças também não respondem bem a elogios excessivos. Faça-o de forma freqüente, mas elogie sempre.





Seja equilibradoEvite excessos, mas a falta também é danosa. Isso vale para tudo, especialmente para o comportamento dos pais! Nada de um bonzinho e um bravo, ou um que se preocupa com tudo e o outro com nada. E principalmente: nada de um proíbe e o outro autoriza. 
Por fim, ressaltamos que a melhor forma de estimular uma criança é expor a ele expectativas claras, consistentes e reais, com consequencias anunciadas com antecedência, sem improvisos. As crianças tem que ser estimuladas a direcionar sua energia para estas atividades e seus pais tem que repetir de forma calma e firme incontáveis vezes tudo o que querem que seja feito.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Estudar música aumenta capacidade de aprendizagem das crianças

     

      Há uma série de evidências de que crianças que aprendem a tocar um instrumento musical na infância têm ganhos significativos em habilidades motoras, auditivas e no desenvolvimento da linguagem ( fala, leitura e escrita - anota aí ) e que também são utilizadas em diversas outras situações do dia-a-dia. Além disso, as pesquisas já demonstraram que o aprendizado musical na infância aumenta o desempenho em múltiplas dimensões cognitivas como habilidades espaciais, matemáticas, de linguagem verbal, e até mesmo uma associação com maior QI e desempenho acadêmico na idade adulta já foi descrita.
Rock´n roll baby!
     Um estudo longitudinal realizado em Harvard e publicado em 2008 no periódico PloS ONE, confirmou parte desses achados ao mostrar que crianças que tiveram aprendizado musical por pelo menos três anos apresentam melhor desempenho motor, auditivo e também uma melhor habilidade verbal e de raciocínio não verbal. Os resultados poderiamm ser explicados pelo efeito do estudo da música sobre o cérebro, mas também pelo fato de que as crianças que recebem educação musical costumam ter pais mais dedicados ao processo educacional dos filhos como um todo. Além disso, crianças que passam anos no processo de educação musical podem ser genuinamente mais persistentes e motivadas do que aquelas que começam e desistem logo em seguida. E se são mais persistentes para a música, têm chance de serem mais persistentes também nas tarefas da escola.
     No corrente ano de 2013, uma pesquisa realizada na Concordia University (EUA) e publicada no Journal of Neuroscience acaba de reafirmar que estudar música e aprender a tocar um instrumento musical antes dos 7 anos de idade pode sim aumentar a capacidade intelectual das crianças e também suas capacidades motoras, a partir de alterações duradouras na estrutura e funcionamento cerebral.
     O estudo foi realizado com a participação de 36 músicos, que foram submetidos a um período de atividade musical e, em seguida, a uma ressonância magnética para perceber quais os efeitos despertados no cérebro. Os voluntários tinham os mesmos anos de experiência, mas metade deles tinha iniciado a sua formação musical antes dos sete anos, sendo que os restantes começaram em idades mais avançadas.

Ritmo: útil na música, na fala e na leitura
     Análises com ressonância magnética funcional feitos no grupo estimulado demonstraram que os indivíduos que iniciaram seus estudos de música precocemente apresentavam um aumento de atividade nas áreas cerebrais de comunicação entre ambos os hemisférios e, em particular, nas fibras nervosas que ligam as duas áreas motoras do cérebro.
     Os pesquisadores responsáveis pelo estudo revelaram que basta apenas 15 meses de aprendizagem durante a fase inicial da infância para que o cérebro alcance um desenvolvimento mais complexo. De fato, o cérebro humano tem uma grande capacidade de se modificar em resposta às exigências do ambiente. E o que parece dom ou capacidade inata, pode muitas vezes ser o resultado de uma diferença estrutural em áreas cerebrais mais estimuladas e, por plasticidade cerebral, modificadas como resposta ao ambiente.
     E você achando que a gente nascia esperto, burro, inteligente, bobo, capaz ou não e tinha que aceitar, porque não dava para fazer nada, hein? Então pense de novo, amigão. E rápido!

Para terminar, uma música sobre sonhos e frustrações  (Mr Jones, Counting Crows)


 "So you wanna be a rock´n roll star, well listen now to what I say: just get an electric guitar and take some time learning how to play"

Carinho dos pais molda o cérebro das crianças

Do site: iG Delas
Autora: Fernanda Aranda - para o iG São Paulo
  

     O cérebro não nasce pronto. Além da genética, as experiências vivenciadas nos primeiros três anos de vida são determinantes – até mais do que os genes - para moldar o funcionamento cerebral diante de situações estressantes, desafiadoras e frustrantes.
     Quem avisa é a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, uma das principais estudiosas da “mente das crianças” do País. Segundo ela, dados científicos comprovam que o carinho dos pais, recebido na primeira infância (período entre 0 e 5 anos), é o grande responsável por reações cerebrais - às vezes só manifestadas na vida adulta.
     Em palestra realizada na sede da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (entidade que elabora programas voltados à população infantil), em São Paulo, Suzana explicou como as doses de afeto são receitas de sucesso para arquitetar um cérebro sadio no presente e no futuro. “Receber ou não carinho modifica para sempre como o cérebro vai reagir diante do estresse e da frustração”, afirma.

A formação do cérebro
     
“As crianças não são adultas por dois motivos principais: o primeiro é que elas não têm a experiência trazida com o passar dos anos. O segundo fator é o cérebro infantil. O órgão não nasce pronto, é menor e mais leve do que o cérebro de um adulto. Até o terceiro ano de vida, é o período em que o cérebro mais cresce e ganha peso. Uma das explicações para o crescimento cerebral é que, neste intervalo de anos, há maturação das conexões entre os neurônios, o que faz o peso da massa encefálica aumentar, ficar mais densa. Este processo é determinante para o bom funcionamento do cérebro.
     Durante este amadurecimento cerebral, a criança tem uma capacidade de aprendizado rápida e impressionante. É o período em que elas aprendem a detectar sons, enxergar e constituir habilidades, das mais variadas. Por exemplo: todos nascemos com plena capacidade de aprender qualquer idioma. Capacidade esta que vamos perdendo ao longo da vida.”

Influências na formação cerebral
     “Este período de crescimento do cérebro é chamado de período crítico. Todo e qualquer processo de aprendizado, sendo criança ou adulto, exige a repetição, por meio da tentativa e do erro. Mas nos primeiros anos de vida, o cérebro compreende mais rápido como reagir, sem precisar de tantas tentativas assim. Para criar um comportamento e uma reação padrão diante de algum estímulo - que pode ser um barulho, um estresse, uma sensação de medo, de solidão ou de felicidade - não é preciso repetir tantas vezes.
Neste contexto, é claro que a genética influencia em nossas habilidades e características. Mas a vivência da criança e os exemplos que ela tem dentro de casa são fundamentais para a criação deste comportamento. A capacidade de linguagem de uma criança, por exemplo, é intimamente ligada ao vocabulário da mãe, às palavras que ela fala com o bebê, só para citar um exemplo da influência do ambiente no desenvolvimento do cérebro infantil.”

Então, carinho neles!

O poder do carinho
      “Sabendo desta influência tão significativa do exemplo no período de aprendizagem, o estímulo dos pais dados à criança durante a primeira infância é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de habilidades. Não só isso. O comportamento também é moldado nesta fase. Se a mãe faz de qualquer probleminha um problemão, o cérebro da criança aprende a reagir de forma estressada a qualquer situação. Isso significa que o perfil de reação ao estresse na fase adulta é aprendido e traçado na infância. São vários fatores que moldam esta reação cerebral. Pode ser influenciada, negativamente, por violências físicas ou verbais vivenciadas logo nos primeiros anos de vida. Uma mãe que grita demais ou age em descontrole passa a mensagem para o filho de que ele deve agir desta maneira quando não conseguir fazer alguma coisa.
      A boa notícia é que o carinho também molda o cérebro. São várias pesquisas científicas que compravam o carinho físico, o toque e o contato como um moldador cerebral que torna a criança mais hábil e com o sistema de proteção orgânico mais forte. Isso acontece por causa da ocitocina, um hormônio altamente influente na formação cerebral, que é produzido durante a amamentação e liberado também no abraço, no beijo, na massagem. A ocitocina é responsável por fazer com que o cérebro produza a capacidade de vínculo e acalma todas as partes cerebrais acionadas em situações estressantes. O que é uma ótima prevenção da ansiedade e outros transtornos de comportamento que, às vezes, só se manifestam na vida adulta. Receber ou não carinho modifica para sempre como o cérebro vai reagir diante do estresse e da frustração. Mas apesar de ser muito mais marcante na infância, o carinho sempre influencia. Nunca é tarde para começar.”

sábado, 13 de abril de 2013

Orientações aos pais de crianças com TDAH: como ajudar em casa


  O TDAH é um distúrbio neuropsiquiátrico que envolve tratamento medicamentoso, associado a intervenções fonoaudiológicas, psicopedagógicas, de terapia ocupacional e psicológicas, dentre outras. Contudo, paralelamente aos atendimentos clínicos, os pais devem estabelecer cuidados em casa sob pena de atrapalhar todo o tratamento da criança.

 Todos juntos!

Abaixo, algumas posturas e cuidados dos pais que podem auxiliar o desempenho acadêmico da criança com TDAH e melhorar seu comportamento no ambiente familiar:

1- Criar um ambiente de apoio, amor e amizade, que se manifestem através de palavras e atitudes.
2- Conversar sempre, diariamente, sobre as dificuldades e problemas da criança, tentando sempre auxiliá-la a superar todas as dificuldades de seu dia-a-dia.
3- Permitir e ajudar a criança a expressar seus sentimentos.
4- Se expressar de forma clara e não ofensiva. Seja sempre firme, mas nunca oprima ou ofenda a criança. Respeito ao próximo se aprende em casa: uma criança desrespeitada, ofendida ou agredida, repete estas atitudes na escola. Resolver com castigos e restrições é esperado; mas nunca com palmadas ou ofensas verbais.
5- Explicite sempre o que é aceitável e inaceitável no convívio familiar, escolar e social. Deve sempre haver recompensa por um bom comportamento; as punições por mau comportamento devem ser ocasionais.
6- As regras de comportamento familiar devem ser bem explicadas; pregar lembretes e cartazes sempre é útil.
 7- Estabelecer pequenas responsabilidades e compromissos para a criança cumprir dentro de casa.
8- Os brinquedos e jogos dados devem sempre estimular as atividades motoras, manuais ou intelectuais da criança. Jogos de memória, xadrez ou correlatos são bem vindos.

9- Estimule sempre o desenvolvimento de linguagem da criança! Na pré escola, corrija sempre quando a criança falar errado ( apenas uma vez, calma e pausadamente); brincadeiras com músicas e rimas são ótimas pedidas. Na fase escolar estimule a leitura sempre. Na fase escolar, estimule a leitura sempre. Não, não está errado: na fase escolar, estimule a leitura sempre! Não deixe de comprar revistas e livros porque " a criança não lê mesmo".Uma dica: monte um calendário para avaliar a criança diariamente. Dê a ela TODOS OS DIAS, de segunda a segunda, um pequeno texto, tirinha, história em quadrinhos ou fragmento de texto e peça que ela leia, interprete e te conte a história. Nada que demore mais do que 10 minutos para ela ler. Comece com coisas simples como tirinhas de quadrinhos e aumente a complexidade do texto com o passar do tempo. A cada atividade realizada e bem completada, marque uma estrelinha no dia correspondente no calendário. Do contrário, marque um x, ou coloque uma carinha feia. Ao final do mês, caso a criança tenha menos do que três marcações de x nos 30 dias avaliados, permita que ela escolha um presente de até 20, 30 reais, de sua escolha. É seu prêmio da vitória: comemore com ele mensalmente.


Leia com seu filho. Sempre!


 10- Monte quadros de horários para a criança( exemplo na postagem de 2 de janeiro de 2012 neste blog)
11- Marque horários para as atividades com períodos pequenos inicialmente, e vá aumentando com o passar dos dias
12- Crianças que tem professora particular devem fazer seu Para Casa antes, para corrigí-lo com a professora.
13- Motive a criança a participar de atividades esportivas; o esporte ajuda na consciência corporal, na coordenação motora, diverte e ensina ( com suas regras bem definidas) a criança a ter noções de responsabilidade e vida em sociedade.
14- Converse frequentemente com os professores e profissionais que auxiliam a criança
15- Persista! Os resultados positivos são lentos e gradativos. Comemore as pequenas mudanças no comportamento com a criança
16  Evite discutir sobre comportamentos inadequados na presença de parentes pouco próximos, visitas, colegas e amigos
17-Dê exemplo! Os modelos da criança são seus pais: se a mãe não gosta de ler e o pai só quer saber da TV, não adianta cobrar estudo e leitura da criança... Lembrem-se disto.
18- Os pais são, ambos, os grandes treinadores dos filhos. É fundamental que se tenha concordância entre o casal sobre todas as regras, prioridades e normas disciplinares. A responsabilidade deve ser dividida.
19- Quem tem autoridade não precisa de ser autoritário. É importante ensinar e mostrar como fazer antes de cobrar

 
20- Elogie todas as conquistas e progressos da criança! Seja compreensivo, preocupado e gentil, quando ele estiver aborrecido
21- Diminua ao máximo o tempo de TV. Substitua por trabalhos ou brinquedos em família, passeios e prática esportiva.
22-Monte uma rotina geral para seu filho! Horário para dormir, acordar e se alimentar é o mínimo que se deve cobrar de uma criança. Combine, sempre que possível, um horário fixo diário para os estudos.
23- Explique sempre para as crianças as vantagens do estudo. É importante que seu filho entenda e compreenda a importância do estudo em sua vida
24- Cobre e premie sempre o empenho. Empenho em se comportar melhor, em estudar, em seguir as regras. Nunca premie notas ou resultados. Os resultados tem variáveis que fogem do controle dos individuos e são, quando analisados isoladamente, sempre enganosos.

25- As regras para as premiações e os prêmios devem ser pré-estabelecidas de forma clara. Mas não se esqueça: valorize o processo, o empenho, o esforço, a rotina, nunca o resultado.
26- Evite supervalorizar as notas da criança. Elas podem ser um parâmetro, mas não significam sucesso nem tampouco fracasso. Uma nota boa significa muito pouco. Uma nota ruim sinaliza apenas a necessidade de se montar novas estratégias para que estas possam mostrar os progressos.
27- Reforce sempre a autoconfiança e a autoestima da criança

28- Rotina! ( de novo!) Rotina! Repetição! Rotina! Estudar deve ser uma rotina diária. Não há mais espaço para o “estudo antes das provas” como ocorria anos atrás: a cobrança sobre o comportamento e desempenho escolar das crianças hoje é muitíssimo maior que há 10, 15 anos atrás. Caso a criança não consiga ficar muito tempo estudando, faça dois horários diários, e nesse intervalo introduza alguma atividade prazerosa ou um horário para o descanso. Aumente o tempo para a tarefa escolar gradativamente.
29 - O local de estudo deve ser agradável: arejado, limpo, organizado e com poucos estímulos externos.
30 - Ame o seu filho acima de tudo, e dedique sempre, diariamente, um tempo para demonstrar isso a ele. Ajude-o!

É assim que se faz!



sexta-feira, 15 de março de 2013

Carinho dos pais ajuda a moldar o cérebro das crianças

Reportagem completa aqui:

“Sabendo desta influência tão significativa do exemplo no período de aprendizagem, o estímulo dos pais dados à criança durante a primeira infância é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de habilidades. Não só isso. O comportamento também é moldado nesta fase. Se a mãe faz de qualquer probleminha um problemão, o cérebro da criança aprende a reagir de forma estressada a qualquer situação. Isso significa que o perfil de reação ao estresse na fase adulta é aprendido e traçado na infância. São vários fatores que moldam esta reação cerebral. Pode ser influenciada, negativamente, por violências físicas ou verbais vivenciadas logo nos primeiros anos de vida. Uma mãe que grita demais ou age em descontrole passa a mensagem para o filho de que ele deve agir desta maneira quando não conseguir fazer alguma coisa."







sexta-feira, 1 de março de 2013

Ritalina não melhora concentração de jovens que não tem TDAH


São Paulo - O desempenho da memória e da atenção de jovens saudáveis não é alterado após o consumo de Ritalina, medicamento indicado para pessoas diagnosticadas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. A conclusão é resultado de pesquisa do Departamento de Psicobiologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.
O metilfenidato (que recebe o nome comercial de Ritalina ou Concerta), quando aplicado corretamente, tanto em crianças, quanto em adultos, melhora a atenção e os níveis de concentração. No entanto, de acordo com a pesquisa, não foram observadas diferenças nas funções cognitivas dos indivíduos sadios.
Os 36 homens participantes do teste, com idade entre 18 anos e 30 anos, foram divididos em dois grupos, e apenas um deles recebeu o medicamento verdadeiro. Após isso, todos foram submetidos a uma série de testes cognitivos, que avaliaram diferentes tipos de atenção e de memória, além de algumas funções executivas, como planejamento.
Comparamos o desempenho entre aqueles que tomaram a medicação e os que não tomaram. Não houve diferença no desempenho. A gente chegou à conclusão de que sendo os jovens saudáveis, tendo um funcionamento cognitivo saudável, a Ritalina não tem potencial benéfico como o apresentado no caso de pessoas com transtorno de déficit de atenção”, disse a coordenadora do estudo, Silmara Batistela.
Ela alerta que a droga só pode ser comprada com receita, mas, muitas vezes, é adquirida no mercado negro e consumida indiscriminadamente. “Há muitos relatos de pessoas que conseguem fazer a compra dessa medicação até pela internet, em fórum de concurseiros”, destaca.
De acordo com Batistela, as pessoas normalmente usam a droga para passar a noite estudando para uma prova, porque a Ritalina é um estimulante do sistema nervoso central. “A pessoa vai conseguir ficar a noite inteira acordada, mas a atenção dela não estará melhor, e ela não vai lembrar mais do conteúdo no dia seguinte”.
O professor de psiquiatria Dartiu Xavier da Silveira, ressalta, no entanto, que a droga pode provocar efeitos colaterais e dependência. “O problema é fazer alterações no ciclo de sono, o que provoca uma bagunça no funcionamento do cérebro. Outro risco é causar dependência. E, se o indivíduo exagerar na dose, mesmo com o coração saudável, pode ter uma arritmia”.
Atitudes simples adotadas no dia a dia podem favorecer o bom funcionamento do cérebro, como ter uma boa alimentação e praticar exercícios físicos. Dormir bem é fundamental para a atenção e concentração.

Do site : INFO



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Os malefícios do andador!



A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou, nesta semana, uma campanha para acabar com um hábito visto como inofensivo por boa parte das famílias no país: o uso do andador infantil.

“O andador é um equipamento que só traz prejuízos, seja pela sua absoluta inutilidade no processo de aquisição da marcha, seja pelos grandes riscos à segurança, como os riscos de traumatismos cranianos potencialmente letais, queimaduras, intoxicações e até afogamentos”, afirma a entidade em nota oficial assinada por seu presidente, Eduardo Vaz, e pelo presidente de seu departamento científico de segurança, Aramis Antonio Lopes Neto.
A SBP alega ainda que não há evidências de quaisquer benefícios ligados aos andadores e, por isso, seus cerca de 16 mil pediatras associados devem contraindicar para os pais de seus pequenos pacientes o uso do acessório. E, caso eles cheguem ao consultório com o hábito já em vigor, a SBP instrui que os médicos recomendem a destruição do andador.

Acidentes graves
O posicionamento contra o andador também adotado pela Academia Americana de Pediatria e da Aliança Europeia pela Segurança Infantil, além do exemplo do Canadá, onde é proibida a venda dos equipamentos, dão força à campanha brasileira. Entretanto, para a Associação Brasileira de Produtos Infantis (Abrapur), a campanha é um exagero.

“O bebê corre riscos de diversas maneiras, independentemente de onde ele estiver. A supervisão do adulto é sempre necessária. Que se criem normas de segurança e se regulamente a produção dos andadores no Brasil, mas pensar em abolir seu uso é extremista demais”, defende Elio Santini Jr., membro do conselho administrativo da associação. “Já houve normatização dos berços, das cadeirinhas para carros, dos carrinhos de bebê. O andador pode ser o próximo. Tornando o produto mais seguro, não vejo por que proibi-lo”, completa.

Apoiando a campanha da SBP, a pediatra Clarice Blaj Neufeld, professora-assistente do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo e mestre em pediatria pela Faculdade de Medicina da mesma instituição, é contra os andadores. “Já atendi criança com fratura no crânio porque havia caído escada abaixo presa no andador. A irmãzinha chegou perto demais e o menino não conseguiu se controlar dentro daquele aparelho. Os acidentes são sempre muito mais graves em um andador do que seriam se a criança estivesse solta no chão”, conta.

 O risco de acidentes não é o único motivo que leva pediatras a desaconselhar o uso do aparelho. Paulo Fontella Filho, pediatra especializado pela Universidade Católica de Pelotas (UCPEL), alerta também para as desvantagens dos andadores em relação ao desenvolvimento psicomotor da criança: “Ela leva mais tempo para ficar em pé e caminhar sem apoio, tem a importantíssima etapa do engatinhar encurtada e pode desenvolver ‘pés de bailarina’, ou seja, caminhar nas pontas dos pés por um tempo, porque dificilmente o ajuste dos andadores será perfeito para sua altura”, enumera. “Além disso, é perigoso. Não posso recomendar um aparelho que traga tantos prejuízos para uma criança”, diz. 

Leia a matéria no IG

domingo, 20 de janeiro de 2013

Epilepsia: 7 mitos e verdades sobre a doença


Por MADSON MORAES
Ela não é uma doença, mas, sim, um conjunto de doenças. Seu diagnóstico não é difícil, mas seus sinais costumam assustar as pessoas que presenciam. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a epilepsia é uma doença neurológica que afeta cerca de 2% da população mundial e cerca de 5% da população terá, ao menos, uma crise na vida.
No Brasil, ainda existe um grande número de pacientes sem controle adequado de crises tanto por parte dos profissionais da área da saúde como por desinformação das próprias pessoas. Um dos seus sinais mais evidentes é a pessoa caindo ao chão, se contorcendo e "babando". Por isso, o preconceito cultural e ignorância sobre a doença resistem nas pessoas.
Na Idade Média, por exemplo, a doença era relacionada com a doença mental e tida como doença contagiante, o que persiste até hoje entre pessoas desinformadas. Associava-se com uma possível "possessão demoníaca" e, dessa forma, se tentava curar esse mal por meios de rituais religiosos. Acreditava-se, ainda, que aquela a saliva durante a convulsão podia transmitir a doença. Isso é um mito.
"A epilepsia não é uma doença contagiosa. O contato com a saliva do paciente de maneira alguma torna a outra pessoa epiléptica. No entanto, a saliva pode transmitir (mesmo que raramente) algumas doenças infecciosas. Por isso, não é recomendado o contato desnecessário com a saliva de um desconhecido sem mecanismos de proteção", explica o neurologista Leandro Teles.
 
A doença não é contagiosa e pode surgir em qualquer idade. "É preciso estabelecer a causa exata das crises para estabelecer a melhor conduta. As causas vão desde doenças estruturais como neurocisticercose, derrames, tumores e sequela de acidentes até predisposição genética", explica. É preciso que a pessoa tenha mais de duas crises sem uma razão aparente para ser caracterizado um estado epilético.
O paciente com epilepsia pode levar uma vida normal? Claro, garante o médico. "Pacientes bem controlados podem e devem trabalhar, praticar esportes, casar, ter filhos etc. Até mesmo dirigir o paciente pode após 2 anos de controle e bom seguimento clínico", explica o neurologista.
O Sistema Único de Saúde (SUS) presta assistência e fornece medicamentos para tratamento aos portadores de doença neurológica como está previsto na Portaria GM/MS nº. 1.161, que instituiu a Política Nacional de Atenção ao Portador de Doença Neurológica. Para a solicitação desses medicamentos, o paciente ou seu responsável deve efetuar cadastro em estabelecimentos de saúde vinculados às unidades públicas.
 
Mais informações?
Cilque aqui embaixo:

Epilepsia: 7 mitos e verdades sobre a doença


Vale a leitura: a formação emocional e cognitiva da criança

Texto do economista Teco Medina, sobre a educação dos filhos.

Retirado do antigo blog do fim do expediente

 

  Meu pai

Postado por Luiz Gustavo Medina em 30 de outubro de 2008 às 15:23
1 – Como sabem estou escrevendo uma coluna que mistura finanças e família na revista da Mara Luquet
2 – Como não agüentam mais saber, esse ano foi meu primeiro dia das crianças do outro lado do balcão.
Estava “travado” para escrever a coluna desse mês que conseguisse como me pediram, misturar finanças, meu lado filho e meu lado pai. Além do desproporcional tempo das atividades, estamos falando de outra época, de outras possibilidades e por isso nada se encaixava.
Até que exatamente no dia das crianças a mesa ao lado salvou minha coluna, salvou meu mundo e talvez o futuro da minha filha. Em 30 minutos um casal “moderno” me deu a coluna pra revista que sai semana que vem, me deu um norte pra filha que eu pretendo ter e me fez ser imensamente grato ao que fizeram comigo quando eu era criança.
Lá eu não podia dedicar a ninguém, aqui eu posso. Então esse texto é apenas uma homenagem aos verdadeiros bons pais, que ufa, eu tive.
Domingo, 12 de outubro, no restaurante do Clube Athletico Paulistano, um menino com quatro super-heróis na mão reclama pra mãe porque não havia recebido também o homem aranha.
Eu (economista) e minha mulher (psicóloga) comemorando nosso primeiro dia das crianças aproveitamos para brincar sobre o tipo de educação que gostaríamos de dar a nossa filha. Esse exercício é muito fácil nos outros. Decidir para o seu, nem sempre. Nossa vantagem é que pela minha teoria número um, economia e psicologia, são as profissões mais complementares do mundo, algo como o arroz e o feijão para os brasileiros.
No momento em que o menino começa a gritar, o pai resolve ir ao banheiro e começa o memorável “econômico – psicólogo” diálogo:
Mãe: Filho, você devia estar feliz em ter ganhado QUATRO presentes hoje. Na sua idade eu não ganhava nenhum e tem muita criança que não ganhou nada hoje.
Filho: Mas eu queria justamente o homem aranha e já que me deram quatro, porque não me deram mais um. O que custava ?
Mãe: Se a gente tivesse comprado cinco, você ia querer seis. Nunca fica satisfeito !!!!
Menino se atirando no chão, arremessando o Batman pra longe e acordando minha filha: EU QUERO O HOMEM ARANHA AGORA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mãe pegando o filho a força e berrando: Presta atenção. Brinquedo custa caro, a gente comprou quatro e acabou o nosso dinheiro, entendeu ?? NÃO TEMOS MAIS DINHEIRO, OUVIU ???
Filho: A gente não pode vender o papai ???
Quando o pai volta, o filho está de castigo, sem os brinquedos e toda a história é relatada. O pai culpa a mãe porque o filho é mimado; a mãe culpa o pai porque ele é ausente. Depois de muito brigarem, tomam a decisão mais simples: colocam a culpa no menino e pedem a sobremesa.
Quase me meti, mas não tive coragem, em todo caso seguem alguns dados que colhi de algumas pesquisas que estudam o comportamento de crianças, pais e afins:
1 – Uma criança com acompanhamento escolar dos pais em uma escola ruim, aprende mais do que uma criança na melhor escola da cidade, sem acompanhamento dos pais.
2 – Os pais mais ausentes tendem a dar mais presentes, mais mesadas e fazer mais concessões aos seus filhos ?
3 – Quanto mais horas os pais trabalham, mais televisões a casa possui (será que é para cada um ficar no seu canto ?)
Tem muito mais coisa que na cabe nessa coluna como a necessidade desenfreada de ficar tendo sempre a coisa mais moderna e com isso cria nas crianças uma permanente insatisfação porque sempre FALTA algo.
Já que essa é uma revista de finanças darei minha última opinião: tenham certeza que é mais barato e muito melhor vocês SE darem de presente aos seus filhos do que comprarem tudo para eles.
Naquele dia das crianças, na mesa ao lado, o super-herói que faltava para aquele menino, não era o homem aranha, era o seu próprio pai.