segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A medida do perímetro cefálico

          O crescimento das crianças não ocorre de uma forma contínua – registam-se surtos de desenvolvimento intercalados com fases de abrandamento, sendo que estas oscilações são mais frequentes nos primeiros anos de vida.Contudo, cada criança cresce ao seu próprio ritmo, umas mais rapidamente, outras de forma mais lenta.


 À semelhança do que acontece relativamente aos outros parâmetros, o perímetro cefálico depende também da carga genética. Perante uma criança com um perímetro cefálico reduzido, ou seja, uma cabeça pequena, quando analisamos os progenitores frequentemente constatamos que um deles também tem um percentil craniano baixo, o mesmo acontecendo na criança com uma cabeça grande.

As fontanelas ou moleiras são espaços abertos entre os ossos que irão permitir que o crescimento do cérebro ocorra sem haver compressão das estruturas. Ao nascer, o bebé apresenta geralmente duas fontanelas palpáveis: a fontanela anterior situada na junção do frontal com os parietais, podendo ter dimensão variável e encerrando geralmente entre os 9 e os 24 meses e a fontanela posterior, de menores dimensões e que pode encerrar a partir dos dois meses de vida. Mais importante do que a idade em que ocorre o encerramento das fontanelas é a vigilância do perímetro cefálico, de modo a poder assegurar que a cabeça cresce normalmente e não existem sinais de compressão do cérebro.


É frequente os pais terem receio de tocar na fontanela das crianças – podem fazê-lo sem problema pois ainda que não haja osso, existem camadas musculares e outras estruturas que protegem o cérebro e fazem com que este não esteja directamente em contacto com a pele. A avaliação das fontanelas faz parte do exame de rotina das crianças e através da sua palpação podemos inferir o estado geral do bebé quando em presença de alguma patologia – por exemplo numa criança que vomita ou tem diarreia se a fontanela estiver muito deprimida pode ser um sinal de desidratação. Quando a fontanela está “tensa” ou mais elevada pode ser um sinal de infecção, nomeadamente a presença de meningite ou de uma lesão intra-craniana ocupando espaço. No entanto é importante salientar que a fontanela deprimida ou elevada só por si, sem outros sinais, não tem significado patológico.


Existem algumas causas possíveis para a criança ter um perímetro cefálico acima ou abaixo da média das crianças. Não nos devemos esquecer que na maioria dos casos existe um padrão familiar e por isso o perímetro cefálico de cada criança acaba por ser semelhante ao dos pais.


Podemos ter um perímetro encefálico reduzido numa criança que seja “globalmente pequena”, com baixo peso e baixa estatura. A craniossinostose, que corresponde ao encerramento precoce das fontanelas com a junção dos ossos do crânio, apesar de na maioria dos casos não estar relacionada com alterações do cérebro também está associada a uma redução do perímetro cefálico. O facto de o cérebro não se estar a desenvolver adequadamente pode significar a existência de alguma patologia de base como doença metabólica, doença genética ou doença infecciosa.

Dentro das causas mais frequentemente associadas a perímetro cefálico aumentado estão a criança ser globalmente e harmoniosamente grande, presença de líquido dentro da cabeça (hidrocefalia ou derrame) ou ainda a presença de um tumor cerebral
Abaixo, seguem os valores normais de perímetro cefálico da Organização Mundial de Saúde até os 5 anos de idade, publicados em 2006 e que compõem as novas Cadernetas de Saúde da Criança (Brasil, Ministério da Saúde, 2009). Os valores são válidos para crianças nascidas a termo, ou seja, com 37 semanas ou mais de gestação. Contudo, usualmente o controle do crescimento da cabeça é realizado até os 2 anos de idade, período onde ocorre o seu maior crescimento.

 
- Ganho Esperado de Perímetro Cefálico no primeiro ano de vida:
           - 0 a 3 meses: 2 cm por mês;
           - 3 a 6 meses: 1 cm por mês;
           - 6 a 9 meses: 0,5 cm por mês;
           - 9 a 12 meses: 0,5 cm por mês. 


 Em tempo:  a medida do perímetro cefálico deve ser realizada preferencialmente pelo profissional de saúde, que detém conhecimento das técnicas corretas de medição


Sexo
Meninas
Meninos
Idade
Medida em Centímetros
Medida em Centímetros
Ao nascer
31,5 a 36,2
31,9 a 37
1 mês
34,2 a 38,9
34,9 a 39,6
2 meses
35,8 a 40,7
36,8 a 41,5
3 meses
37,1 a 42
38,1 a 42,9
4 meses
38,1 a 43,1
39,2 a 44
5 meses
38,9 a 44
40,1 a 45
6 meses
39,6 a 44,8
40,9 a 45,8
7 meses
40,2 a 45,4
41,5 a 46,4
8 meses
40,7 a 46
42 a 47
9 meses
41,2 a 46,5
42,5 a 47,5
10 meses
41,5 a 46,9
42,9 a 47,9
11 meses
41,9 a 47,3
43,2 a 48,3
1 ano
42,2 a 47,6
43,5 a 48,6
1 ano e 1 mês
42,4 a 47,9
43,8 a 48,9
1 ano e 2 meses
42,7 a 48,2
44 a 49,2
1 ano e 3 meses
42,9 a 48,4
44,2 a 49,4
1 ano e 4 meses
43,1 a 48,6
44,4 a 49,6
1 ano e 5 meses
43,3 a 48,8
44,6 a 49,8
1 ano e 6 meses
43,5 a 49
44,7 a 50
1 ano e 7 meses
43,6 a 49,2
44,9 a 50,2
1 ano e 8 meses
43,8 a 49,4
45 a 50,4
1 ano e 9 meses
44 a 49,5
45,2 a 50,5
1 ano e 10 meses
44,1 a 49,7
45,3 a 50,7
1 ano e 11 meses
44,3 a 49,8
45,4 a 50,8
2 anos
44,4 a 50
45,5 a 51
2 anos e 1 mês
44,5 a 50,1
45,6 a 51,1
2 anos e 2 meses
44,7 a 50,3
45,8 a 51,2
2 anos e 3 meses
44,8 a 50,4
45,9 a 51,4
2 anos e 4 meses
44,9 a 50,5
46 a 51,5
2 anos e 5 meses
45 a 50,6
46,1 a 51,6
2 anos e 6 meses
45,1 a 50,7
46,1 a 51,7
2 anos e 7 meses
45,2 a 50,9
46,2 a 51,8
2 anos e 8 meses
45,3 a 51
46,3 a 51,9
2 anos e 9 meses
45,4 a 51,1
46,4 a 52
2 anos e 10 meses
45,5 a 51,2
46,5 a 52,1
2 anos e 11 meses
45,6 a 51,2
46,6 a 52,2
3 anos
45,7 a 51,3
46,6 a 52,3
3 anos e 1 mês
45,8 a 51,4
46,7 a 52,4
3 anos e 2 meses
45,8 a 51,5
46,8 a 52,5
3 anos e 3 meses
45,9 a 51,6
46,8 a 52,5
3 anos e 4 meses
46 a 51,7
46,9 a 52,6
3 anos e 5 meses
46,1 a 51,7
46,9 a 52,7
3 anos e 6 meses
46,1 a 51,8
47 a 52,8
3 anos e 7 meses
46,2 a 51,9
47 a 52,8
3 anos e 8 meses
46,3 a 51,9
47,1 a 52,9
3 anos e 9 meses
46,3 a 52
47,1 a 53
3 anos e 10 meses
46,4 a 52,1
47,2 a 53
3 anos e 11 meses
46,4 a 52,1
47,2 a 53,1
4 anos
46,5 a 52,2
47,3 a 53,1
4 anos e 1 mês
46,5 a 52,2
47,3 a 53,2
4 anos e 2 meses
46,6 a 52,3
47,4 a 53,2
4 anos e 3 meses
46,7 a 52,3
47,4 a 53,3
4 anos e 4 meses
46,7 a 52,4
47,5 a 53,4
4 anos e 5 meses
46,8 a 52,4
47,5 a 53,4
4 anos e 6 meses
46,8 a 52,5
47,5 a 53,5
4 anos e 7 meses
46,9 a 52,5
47,6 a 53,5
4 anos e 8 meses
46,9 a 52,6
47,6 a 53,5
4 anos e 9 meses
46,9 a 52,6
47,6 a 53,6
4 anos e 10 meses
47 a 52,7
47,7 a 53,6
4 anos e 11 meses
47 a 52,7
47,7 a 53,7
5 anos
47,1 a 52,8
47,7 a 53,7

Retirado do blog da  Dra Bárbara Lalinka Bilbao. Visite aqui!
Acesse ainda: http://www.paramim.com.pt/artigo/crescimento-crianca

Microcefalia

Microcefalia é uma doença neurológica caracterizada pelo tamanho muito pequeno da cabeça em relação à idade ou ao sexo do bebê ou da criança. Também chamada de nanocefalia, a microcefalia frequentemente ocorre devido a uma falha do cérebro para crescer a taxas normais. O crescimento do crânio é determinado pela expansão cerebral que ocorre durante a gravidez e a infância. A microcefalia pode ser congênita, adquirida ou desenvolver-se nos primeiros anos de vida. Pode, também, ser provocada pela exposição a substâncias nocivas durante o desenvolvimento fetal ou estar associada a problemas ou síndromes genéticas hereditárias.
Crianças com microcefalia nascem com uma cabeça de tamanho normal ou reduzida. Posteriormente, a cabeça deixa de crescer, enquanto o rosto continua desenvolvendo-se normalmente - o que resulta em uma criança com a cabeça pequena, o rosto grande, testa em retrocesso e couro cabeludo mole e enrugado. À media que a criança cresce, o tamanho pequeno do crânio fica evidente, embora todo o corpo apresente também peso insuficiente e nanismo. O desenvolvimento das funções motoras e da fala pode ser afetado. A hiperatividade e o retardo mental são comuns. Podem ocorrer convulsões, fraqueza dos membros, quadriplegia e paralisia.



Os seguintes fatores podem predispor o feto a sofrer os problemas que afetam o desenvolvimento normal da cabeça durante a gravidez:
  • Fenilcetonúria, ou PKU (incapacidade hereditária de processar o aminoácido fenilalanina)
  • Envenenamento por metilmercúrio
  • Rubéola congênita - problemas físicos em decorrência de rubéola adquirida pela mãe durante a gravidez
  • Toxoplasmose congênita - grupo de sintomas e características causadas pela infecção do feto com o organismo Toxoplasma gondii.
  • Citomegalovírus congênito - infecção do feto pelo CMV.
  • Uso materno de drogas
  • Desnutrição
  • Diabetes materna


Doenças que afetam o crescimento do cérebro podem causar microcefalia, incluindo infecções, distúrbios genéticos e desnutrição severa. As causas mais comuns são:
  • Síndrome de Down
  • Síndrome Cri-Du-Chat (Síndrome do Miado de Gato) - grupo de sintomas que resultam da perda de um pedaço do cromossomo 5. Seu nome se baseia no choro do bebê, que é alto e parece com o de um gato.
  • Síndrome Seckel
  • Síndrome de Rubstein-Taybi - doença genética caracterizada por deficiência mental, polegares e dedões do pé largos, estatura baixa e características faciais características.
  • Trissomia 13 - síndrome associada à presença de um terceiro cromossomo 13.
  • Trissomia 18 - síndrome associada à presença de um terceiro cromossomo 18.
  • Síndrome Smith-Lemli-Opitz
  • Síndrome Cornelia de Lange
A microcefalia geralmente é diagnosticada no nascimento ou durante as consultas de rotina com o pediatra, quando são medidos peso, altura e a circunferência a cabeça. Não há tratamento específico para a microcefalia. Os cuidados são assistenciais e dependem da condição que causou a microcefalia.


Leia mais em : http://saude.hsw.uol.com.br/microcefalia.htm

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O impacto do sono no TDAH

Retirado do site da Associação Brasileira de Deficit de Atenção, visite-os em www.tdah.org.br

Link aqui

Pesquisadores constataram que os adolescentes precisam de mais horas de sono do que qualquer outro grupo de pessoas. Eles precisam de, em média de 9 horas e meia de sono por noite. A tendência natural dos adolescentes é dormir e acordar cada vez mais tarde. Aqueles que não dormem a quantidade de horas necessárias apresentam com mais frequência, comportamento irritadiço e maior dificuldade em manter a concentração em sala de aula.

As pesquisas apontam que 56% dos jovens com TDAH têm distúrbios do sono. Eles apresentam dificuldades tanto para dormir quanto para acordar. Mesmo quando deitam cedo, não conseguem dormir logo. Alem disso, jovens com TDAH frequentemente não dormem bem: 55% acordam com a sensação de ‘estar cansado’, mesmo após dormir 8 horas ou mais.

De fato, uma das maiores queixas dos pais de crianças/jovens com TDAH é a dificuldade em acordá-los de manhã. O desafio diário para conseguir fazer o jovem levantar-se cedo, não raramente produz alto nível de estresse familiar. Na verdade este é um momento crítico, pois a pressão colocada sobre a criança/jovem para que se levante, quase sempre vem acompanhada de brigas, críticas, confusão, pressa, e toda sorte de fatores e condutas que aumentam a sobrecarga de frustração emocional, sensação de impotência e desânimo. Decididamente, esta não é uma boa maneira de começar o dia. A criança/jovem com TDAH e distúrbio do sono, que já tem que lidar habitualmente com suas dificuldades, que não tem um sono reparador e ainda passa por esta pressão ao acordar, já chega à escola altamente frustrado, irritado e ainda mais cansado. É fácil então concluir, que tal processo se reflete no desempenho em sala de aula.

Apesar de esta situação ser frustrante também para os pais, é preciso entender a ‘forma de funcionar’ dos filhos e buscar soluções, que estão para além de simplesmente pressioná-los diariamente a levantar-se a todo custo e encarar a escola logo cedo.



O aumento das demandas que vem ocorrendo desde o ensino fundamental ao universitário contribui de forma expressiva para que os sintomas do TDAH estejam cada vez mais visíveis, principalmente durante a adolescência. Os jovens têm mais aulas, mais matérias, mais professores, mais trabalhos para entregar, mais tarefas de casa, e tudo isso exige alta habilidade nas funções executivas, capacidade de organização e atividades independentes. Como a criança/jovem com TDAH tem disfunção executiva, ele se sente sobrecarregado, e, quase sempre, deixa suas tarefas inacabadas.

 Nos Estados Unidos e no Reino Unido, algumas escolas adotaram o sistema de horário alternativo, iniciando as atividades escolares um pouco mais tarde, para atender as necessidades específicas destes alunos. Os estudos comparativos mostram que, jovens que adotaram horários de aula alternativos (a partir das 9 ou 10 da manhã), tiveram melhoras significativas no desempenho acadêmico e social. Mas, algumas outras mudanças na rotina da família também podem ajudar.

De acordo com diversos achados científicos, as informações mais importantes são processadas e consolidadas no nosso cérebro durante o sono. A falta de sono afeta a memória e a habilidade de se concentrar. Imagine então, o efeito dos problemas de sono numa pessoa com TDAH! É muito importante os pais entenderem a conexão entre o déficit de atenção e problemas com sono, em seus filhos, envolvendo profissionais médicos e educadores na busca de minimizar os prejuízos acadêmicos e pessoais.

 É importante também observar a existência de comorbidades nas crianças/jovens com TDAH. Depressão e ansiedade, por exemplo, são comorbidades frequentes nas pessoas com TDAH, e afetam diretamente a qualidade do sono.