sábado, 6 de maio de 2017

AVALIANDO O PERÍMETRO CEFÁLICO

Retirado do Portal Educação: para ler na pagina original, clique aqui



Segundo o Ministério da Saúde (2002) consiste na avaliação do crescimento da cabeça e do cérebro,
deve ser utilizado como parâmetro nos dois primeiros anos de vida, já que, após este período, o crescimento é muito lento não podendo ser considerado parâmetro para avaliação nutricional.

Mesmo não sendo considerado por muitos como um parâmetro de avaliação nutricional após os dois ou três anos de idade, alguns estudos investigativos estão sendo feitos e alguns critérios avaliativos do crescimento ainda incluem a medicação do perímetro cefálico como necessária até os seis anos de idade da criança.

Segundo Engel (2002) o perímetro cefálico deve ser verificado por meio da seguinte técnica:
- Preferencialmente utilizar fita métrica de papel ou de metal flexível, já que a fita métrica flexível pode esticar;
- Colocar a fita em torno da cabeça da criança, passando pelos pontos imediatamente acima das sobrancelhas e orelhas, e em torno da saliência occipital;
- Nos casos em que a circunferência da cabeça está sendo verificada diariamente, a cabeça deverá ser marcada nos pontos principais, para que não haja inconsistência nas medidas;
- Se a circunferência da cabeça do bebê está acima do normal ou abaixo do normal, uma avaliação mais detalhada é necessária;
- Crianças com circunferência cefálica pequena podem indicar craniossinostose ou microcefalia, sendo que bebês nascidos de mães usuárias de cocaína ou álcool podem ter circunferências cefálicas menores.

Segundo Junior (2005) a craniossinostose é definida como o fechamento prematuro das suturas do crânio. Filho (2005) descreve como um grupo de condições heterogêneas de diferentes características clínicas, genéticas e moleculares, com uma incidência aproximada de 1 em 1.800 recém-nascidos.

Jelliffe & Jelliffe (1989) recomendam fixar a cabeça da criança, colocar a fita métrica firme em torno do osso frontal sobre o sulco supraorbital, passando-a ao redor da cabeça, no mesmo nível de cada lado, e colocando-a sobre a proeminência occipital máxima.

Segundo Kenner (2001) a circunferência média encontrada em um recém-nascido normal está em torno de 32 a 35 cm. A tabela abaixo demonstra o crescimento normal do perímetro cefálico (cm/mês):

Idade    Perímetro Cefálico (cm/mês)
0 – 3 meses    2 cm ao mês
3 – 6 meses    1 cm ao mês
6 – 9 meses    0,5 cm ao mês 
9 – 12 meses  0,5 cm ao mês 
1 – 3 anos       0,25 cm ao mês 
4 – 6 anos       1 cm ao ano


Para realizar a avaliação e acompanhamento da criança e o crescimento do perímetro cefálico utiliza-se um gráfico. Este gráfico está presente na Caderneta de Saúde da Criança, Ministério da Saúde (2005) e a cada consulta de puericultura, após a aferição das medidas é feita o registro do valor encontrado.

O gráfico utilizado para acompanhamento do perímetro cefálico é composto por uma linha vertical que indica os centímetros encontrados e uma linha horizontal que representa a idade da criança em meses. A linha vertical que indica os centímetros de PC inicia em 30 cm e termina em 52 cm. A linha horizontal que indica a idade em meses inicia em zero e termina em 2 anos, sendo que a cada ano são contados como 12 meses. Na Caderneta de Saúde da Criança existem dois gráficos para acompanhamento do crescimento cefálico, um deles refere-se à menina e o outro ao menino. O acompanhamento sugerido pelo Ministério da Saúde, expresso na Caderneta a Avaliação, inicia-se ao nascer e tem continuidade até os dois anos de idade da criança. O seguinte representa o Gráfico de Perímetro Cefálico de 0 a 2 anos em Meninas:

FONTE: Caderneta de Saúde da Criança – Ministério de Saúde (2005). Desta forma, todas as vezes que for mensurado o perímetro cefálico da criança, anota-se o valor encontrado e a idade da criança naquele momento. Com auxílio de uma régua e uma caneta registra-se por meio de um ponto; conforme a próxima consulta faz-se a união dos pontos e com isso a visualização da evolução do crescimento do perímetro cefálico.

Este gráfico é baseado em resultados de uma amostra de população estudada, constituindo-se em um referencial, ou seja, um conjunto de dados construídos com indivíduos de outra população. Neste caso, está expresso como padrão o elaborado pela National Center of Health Statistics - NCHS (1977 -1978).

Na avaliação deste gráfico é importante ter em mente o uso do percentil que se conceitua como uma medida da posição relativa de uma unidade observacional em relação a todas as outras. Observando o gráfico acima é possível identificar que a faixa amarela que se encontra entre os Percentis 10 e 90, ou seja, P10 e P90 indicam um estado de normalidade de crescimento do perímetro cefálico.

Abaixo o Gráfico de Perímetro Cefálico de 0 a 2 anos dos Meninos:

FONTE: Caderneta de Saúde da Criança – Ministério da Saúde (2005).

O perímetro cefálico do bebê: macrocefalia e microcefalia

Em tempos de zika e outras doenças infecto-parasitárias no Brasil as variações nas medidas do crânio dos bebês são um problema cada dia mais detectado, trazendo dúvidas e angústias par todas as mamães e papais. Mas, afinal, o que é perímetro cefálico? Qual o problema em se ter uma medida menor ou maior que a media, no livrinho da criança? Quando devemos procurar um especialista?
perímetro cefálico ou perímetro craniano é a medida do contorno do crânio em sua parte maior. A medida é feita usando-se uma fita métrica e repetida mensalmente pelo médico - preferencialmente o mesmo médico, com a mesma fita métrica. A fita deve ser posicionada sobre as orelhas, na testa acima das sobrancelhas e na parte mais posterior da cabeça. Nas revisões pediátricas de rotina, a medida do perímetro cefálico do bebê será sempre realizada, como um dado a mais no estudo da saúde do bebê. 

Valores padrão do perímetro craniano do bebê


Um recém-nascido termo (entre 37 e 42 semanas de gestação) tem um perímetro cefálico médio de 34 cm, sendo levemente menor nas meninas. Tal contorno, o perímetro, tem crescimento acelerado nos primeiros 6 meses de vida - em particular nos primeiros 3 meses- e adota um crescimento bastante lento daí por diante.
Contudo, a realidade é que, no crânio dos bebês, os ossos ainda não estão fundidos. Seu cranio é formado por placas ósseas móveis, não soldadas, que podem se montar entre si. Existem ainda alguns ocos ou espaços não fechados entre 3 ou mais ossos, denominadas fontanelas (popularmente conhecida como moleira). 
O não fechamento dos ossos auxilia na passagem do bebê pelo canal vaginal, mas é mais importante por permitir o crescimento e amadurecimento do cérebro nos primeiros meses de vida, permitindo assim que as crianças se desenvolvam e amadureçam


Tabelas e medidas do perímetro craniano dos bebês


A medida do perímetro cefálico faz parte da rotina do pediatra em cada visita do bebê para verificar o desenvolvimento sadio da criança, tanto ao nascer como depois, normalmente até os 3 anos de idade. Às vezes, depois do nascimento, a forma da cabeça pode evidenciar que os ossos se montaram uns sobre os outros ou é possível que exista algum hematoma. Isto é normal, e não há motivos para desespero.


Para se identificar corretamente estas anomalias existem umas tabelas que indicam os valores médios e os desvios padrões no crescimento do cranio. Tomando nota em cada visita ao pediatra do valor em cada momento do crescimento se obtém uma sucessão de medidas que formarão uma curva, que se situa dentro dos parâmetros padrão, que dependem do sexo e da idade do bebê. As medidas contínuas sobre as tabelas, que expressam valores médios servem como guia ao pediatra para detectar possíveis problemas relacionados com o tamanho da cabeça do bebê. 


Microcefalia e macrocefalia em bebês 

Ainda que as alterações extremas do tamanho da cabeça dos bebês possam ser detectadas precocemente durante a gravidez graças as ultrasonografias obstetricas, quando o bebê já tenha nascido podemos falar de microcefalia ou macrocefalia. 
A microcefalia: manifesta-se quando a cabeça do bebê é excessivamente pequena. Pode ser causada por uma taxa de deficiência no crescimento do cérebro, devido a uma doença genética ou desnutrição; a uma fusão precoce dos ossos do crânio ou a um mau desenvolvimento do cérebro. 
- A macrocefalia: é uma anomalia que, com o desenvolvimento do bebê, geralmente acaba desaparecendo. É habitual que, ao nascer, o bebê apresente umas proporções da cabeça mais elevadas. Mas, se a proporção da cabeça for excessivamente grande, a causa pode ser uma macrocefalia simples (herança familiar) ou uma hidrocefalia, que se produz pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano. Outras causas podem ser uma meningite (inflamação do cérebro, membranas e envoltórios, assim como da medula espinhal), um tumor cerebral ou a doença de Canavan (doença hereditária que provoca a degeneração ou ruptura das células nervosas do cérebro).  
CONTUDO, É FUNDAMENTAL NÃO SE ESQUECER QUE HÁ VARIAÇÕES BENIGNAS, FAMILIARES, DE CRESCIMENTO DE PERÍMETRO CEFÁLICO. PORTANTO, EM CASO DE DÚVIDAS, DEVE-SE CONVERSAR SOBRE O ASSUNTO COM UM PEDIATRA, QUE ORIENTARÁ SE É NECESSÁRIO OU NÃO A AVALIAÇÃO DE UM NEUROPEDIATRA, ESPECIALISTA. SEM DESESPERO, PESSOAL!


Atividades físicas ajudam no tratamento de TDAH

A renomada revista Pediatrics publicou um estudo da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, mostrando que atividade física pode auxiliar pessoas que possuam Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), melhorando de forma significativa variados aspectos cognitivos dos indivíduos com esse transtorno.
Os alunos foram acompanhados por 9 meses, com diferenças importantes no desempenho escolar dos individuos que praticavam esportes, em relação aos não praticantes. Habilidades como focar, alternar focos em tarefas distintas e memória de trabalho (curtissimo prazo) foram mais bem avaliadas nos praticantes de esportes.

Há também outros estudos, como o da Universidade Estadual de Michigan, que demonstrou que um programa de exercícios de 12 semanas poderia melhorar o desempenho de todas as crianças em relação a matemática e leitura - resultado ainda maior entre as portadoras de TDAH.
Um trabalho similar da Universidade de Purdue, e publicado no Journal of Attention Disorders, também mostrou que apenas 26 minutos de atividades físicas diárias durante 8 semanas poderia diminuir significativamente os sintomas do TDAH em crianças da escola primária.
Obviamente, nada disso substitui o tratamento medicamentoso, o apoio multidisciplinar, o auxilio familiar e a adoção de medidas adaptativas no ambiente escolar. Mas, por obvio, o esporte além de ser uma atividade formadora das crianças se mostra agora uma alternativa divertida para ajudar no tratamento de TDAH. E aí? Mãos a obra? 💪

Cartilha sobre autismo

Pessoal, o Ziraldo escreveu uma cartilha informativa sobre o autismo. Quem quiser saber mais pode fazer o download clicando AQUI


Autismo

Reportagem retirada da coluna Letra de Medico, da revista VEJA



Uma das condições clínicas que mais desafia profissionais da área de saúde atualmente é o Transtorno do Espectro do Autismo. O número de casos vem aumentando ano a ano de forma exponencial no mundo todo, sem que alguém possa explicar o porquê.
Em um primeiro momento se atribuiu o aumento explosivo à mudança do critério diagnóstico e à maior atenção dada aos sinais precoces de autismo, já que na classificação de “espectro” se encaixam casos de diferentes gravidades e condições clínicas, incluindo algumas que há pouco tempo atrás nem seriam chamadas de autismo, como dificuldades de comunicação e interação social, atitudes peculiares e comportamentos repetitivos e restritos, podendo inclusive estar associados a outros problemas psiquiátricos e neurológicos como epilepsia, déficit de atenção, hiperatividade, dificuldade intelectual, até a anomalias físicas.
Porém, nota-se que mesmo agora, anos após a mudança no critério de classificação que passou a entender o autismo como um espectro, o número de casos continua aumentando de forma impressionante, sugerindo que a explosão da prevalência não se deve unicamente ao critério de classificação mais amplo.
Nos Estados Unidos, aonde existem estatísticas confiáveis, dados apontam que um em cada 42 meninos e uma em cada 189 meninas apresenta diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (de fato afeta mais os meninos na proporção de 4,5 meninos para uma menina). Devemos levar em conta que estes números de prevalência podem variar em diferentes contextos populacionais e ambientais, mas, não bastasse o aumento do número de casos, até a presente data, pouco se sabe sobre suas causas, apesar de muito investimento em pesquisa em mais de um século de conhecimento da condição.

A história da pesquisa do autismo está ligada à Áustria

Interessante, cinco austríacos estão entres os nomes mais importantes da história do conhecimento do autismo: Freud, Breuer, Kanner, Bettleheim e Asperger. O termo “autismo” já é conhecido desde a época em que o famoso médico neurologista austríaco Sigmund Schlomo Freud lançou ao mundo sua visão biopsicossocial do ser humano, e seu colega austríaco médico Josef Breuer descreveu pela primeira vez o termo “autismo”. Porém, naquela época, relacionando-o muito mais como um sintoma da esquizofrenia infantil do que com o que conhecemos hoje como Transtorno do Espectro do Autismo.
Décadas depois, outro austríaco, o psiquiatra infantil Leo Kanner, usou o temo “autismo” descrevendo-o como um quadro diferente da esquizofrenia infantil e chamando a atenção para o prejuízo severo na interação social que era muito evidente desde o início da vida desses pacientes.
Mais um austríaco, o pediatra Hans Asperger descreveu, em 1944, um padrão de comportamento que incluía falta de empatia, baixa capacidade de formar amizades, conversação unilateral, intenso foco em um assunto de interesse especial e movimentos descoordenados. Mas, talvez, seu maior mérito foi destacar que muitos tinham habilidades impressionantes. Chamou estes meninos de “Psicopatas Autísticos”.
O reconhecimento destes talentos especiais acabou dando mais tarde o nome à “Síndrome de Asperger”, que até pouco tempo era classificada dentre os Transtornos do Espectro do Autismo. Porém, atualmente, o termo técnico aplicado à Síndrome de Asperger é Desordem do Espectro Autista de Nível 1, ou seja, grau leve, sem a presença de prejuízos intelectuais ou verbais.

Múltiplas causas levam ao Transtorno do Espectro do Autismo

Apesar entendermos, desde longa data, que o transtorno é causado por múltiplos fatores, ainda não os conhecemos de forma clara. Este hiato de conhecimento permite que teorias sobre causas e curas mirabolantes sejam historicamente “empurradas” sobre as famílias dos afetados.
Estas tentativas ineficientes de identificar as múltiplas causas do autismo se tornaram mais notórias com a divulgação no mundo todo da “teoria da mãe geladeira”, proposta pelo próprio Leo Kanner em 1949, culpando as mães pela falta de atenção e cuidados destas crianças. Esta ideia foi reforçada por outro austríaco, o psicólogo Bruno Bettleheim. Porém, apesar da enorme contribuição, todos ignoraram o simples fato concreto que estas mesmas “mães geladeiras” têm outros filhos que nasceram antes e depois do filho autista, e que, na grande maioria das vezes, não têm autismo.
Teriam estas mães se “refrigerado” só nos cuidados ao filho autista e “se aquecido” nos cuidados dos outros filhos, incluindo os que nasceram antes do autista? Certamente não. Teorias inverossímeis persistem até os dias atuais, como “intoxicação por mercúrio”, “sequelas das vacinas”, “intolerâncias alimentares”, entre outras falácias sem nenhuma comprovação científica, mas que trazem grande prejuízo à saúde do autista, e expectativas falsas aos pais e familiares, já tão aturdidos com a complexa condição de seus filhos.

Autismo não tem cura, mas tem tratamento

Uma doença tão complexa e enigmática, que tem múltiplas causas, dificilmente será curada por uma única intervenção “mágica”. Mas não ter cura não significa que não tenha tratamento, e o mais aceito é baseado na teoria comportamental, cientificamente comprovada que, quanto mais precocemente for iniciada, melhor o prognóstico a médio e longo prazo.
Existe uma “janela de oportunidade” para início do tratamento, janela esta que diminui muito depois dos três anos de idade, e que, portanto, não pode ser desperdiçada por medo, mitos e ignorância.
Existem muitas iniciativas de pesquisa com o intuito de permitir que o diagnóstico seja feito cada vez mais cedo na vida. Uma delas vem dos esforços de décadas de um dos mais renomados cientistas mundiais em autismo, o psicólogo brasileiro Mauro (Amir) Klin, que mora nos Estados Unidos e lá desenvolveu uma metodologia científica que permite monitorar o movimento dos olhos de crianças desde os primeiros meses de vida, captando o padrão já reconhecido dos autistas de evitar o contato visual, em especial com humanos.
A segunda iniciativa trouxe seus melhores frutos este mês, baseada na dosagem de algumas substâncias no sangue das crianças, metabólitos envolvidas em processos como o estresse oxidativo e mecanismos epigenéticos (metilação do DNA). Um artigo científico que acaba de ser publicado na revista científica PLoS Comput Biol por pesquisadores do Rensselaer Polytechnic Institute in Troy, de Nova York, liderados pelo Juergen Hahn, demonstra que analisando ao mesmo tempo mais de um metabólito específico no sangue destas crianças (FOCM e TS), um alto índice de suspeição pode ser alcançado.
Estas novas ferramentas ainda não substituem, mas devem se somar aos métodos tradicionais de diagnóstico. A grande vantagem delas é que abrem a possibilidade de trazer a suspeita à tona em um momento mais precoce da infância, quando a janela de oportunidades ainda estará aberta por mais tempo, permitindo mais eficácia nas intervenções.
Um diagnóstico precoce, ou mesmo uma suspeita precoce, seguida do início imediato de terapia comportamental já no primeiro ano de vida, é o que de melhor existe no conhecimento atual para dar uma chance a uma criança autista de ter um futuro melhor e mais adaptável às exigências da sociedade em que vivemos.

Avanços na compreensão do componente genético do autismo

Há muitos anos já se acumulavam evidências de que a participação da genética entre os múltiplos fatores causais do autismo era maior do que historicamente se atribuía:
  • Estudos científicos demonstravam que entre gêmeos idênticos (aqueles que compartilham o mesmo DNA), quando um tinha autismo a chance do outro ter Autismo é de 36-95%. Quando a mesma comparação era feita entre gêmeos não idênticos (não têm o mesmo DNA), quando um tinha autismo, a chance do outro ter autismo é menor, cerca de 0-31% Estes dados sugerem forte componente genético no autismo;
  • Pais de um filho com autismo têm uma chance maior de ter um segundo filho com autismo, do que aquela esperada se não houvesse componente genético;
  • Autismo tende a ocorrer com maior frequência em pessoas que têm uma entre centenas de condições genéticas, como nos indivíduos com Síndrome de Down, Síndrome de Rett, Esclerose Tuberosa, Síndrome de Angelman e Síndrome do X-Frágil;
  • Familiares de autistas têm, com maior frequência do que a população geral, sinais mais leves do espectro do autismo.
Mas foram nos últimos 10 anos, com o fabuloso avanço das técnicas de investigação do material genético, que um número crescente e irrefutável de informações científicas aponta para uma contribuição genética em uma fração importante dos casos. Centenas de estudos genéticos se acumularam, e hoje se sabe que testes genéticos podem detectar a causa do componente genético em 10% a 40% dos casos de autismo, com taxa maior de detecção nos casos em que tecnologias de análises genéticas mais modernas são utilizadas e em casos onde o autismo está presente associado a outros problemas de saúde e sinais físicos como parte de síndromes.
O mais amplo, moderno e aprofundado estudo deste tipo acaba de ser publicado na revista científica Nature Neuroscience. Foi realizado pelo grupo de pesquisa conhecido como The Autism Speaks MSSNG Project, uma colaboração entre ONGs de pacientes e familiares (Autism Speaks), geneticistas liderados pelo Dr. Stephen Scherer (Hospital for Sick Children de Toronto, Canadá) e informatas do Google, naquele que já é considerado o maior programa de estudos genéticos em autismo no mundo. O nome do grupo – MSSNG – com a falta proposital das letras “I” que formariam a palavra de significado “desconhecido” sinaliza justamente a necessidade de se compreender as causas do autismo, acima descritas.
Este estudo demonstrou que, apesar da estimativa que variações em centenas dos 20.000 genes possam estar implicados na causa do autismo, este número ainda não é definitivo e a busca ainda não se esgotou. Analisando o DNA de 5.2015 pessoas com autismo, com a tecnologia mais profunda e moderna que a genética conhece, identificaram 18 novos genes que ainda não se sabia serem relacionados ao autismo.
Hoje podemos afirmar que existem no nosso genoma ao menos 71 genes relacionados ao autismo, e 736 genes são “candidatos” que necessitam de mais confirmação. Este número enorme de genes, confirmados e candidatos, demonstra que o Transtorno do Espectro do Autismo não é uma única entidade, mas sim, inúmeras entidades que alteram um número finito e menor de vias metabólicas e acabam causando uma síndrome composta de sinais variáveis, mas não tão heterogêneos.
Cada vez mais os pesquisadores acreditam que, ao invés de tentar corrigir os milhares de genes, um caminho menos ambicioso parece ser desenvolver medicamentos e/ou atitudes que alterem o comportamento e o meio ambiente e consigam impactar estas vias metabólicas.

O papel do médico geneticista nos cuidados do autista e seus familiares

Hoje, mais de um século depois que Breuer descreveu pela primeira vez o termo “autismo”, podemos considerar o Transtorno do Espectro do Autismo como uma desordem multifatorial do neurodesenvolvimento, com forte influência genética. Esta influência pode ser bastante diferente para cada indivíduo.
Compreender o componente genético de caso a caso pode trazer informações sobre prognóstico, conduta médica personalizada e aconselhamento genético para os familiares que pretendem ter mais filhos. Por exemplo, se um determinado casal tem um filho com autismo pela Síndrome do X-frágil, as chances de que outro filho homem venha a ter a Síndrome do X-frágil é de 50%.
Se um casal tem dois filhos com autismo não-sindrômico, a chance de um terceiro vir a ser afetado aumenta para algo em torno de 32%. Se um casal tem um filho com autismo por um erro inato do metabolismo como a Fenilcetonúria, as chances de virem a ter outros filhos com Fenilcetonúria serão de 25% em cada nova gestação.
Já se as principais causas genéticas de autismo até hoje conhecidas forem afastadas, o risco de repetição para casais que têm um único filho autista passa a ser aquele de estudos empíricos populacionais, em torno de 20%. Enfim, o papel do médico geneticista é cada vez maior nos cuidados da equipe multidisciplinar que deveria atende um autista.
No futuro, esta estratificação genética ajudará a tornar mais homogêneo os grupos de pacientes que se submeterão a pesquisa de medicamentos que possam melhorar a qualidade de vida dos autistas.

O papel do Meio Ambiente no Autismo

Caracterizar o componente genético poderá trazer luz sobre a interação entre os efeitos combinatórios entre mais de um gene conferindo predisposição ao autismo, assim como facilitar os estudos que certamente virão decifrar o papel do meio ambiente, neste que é um dos maiores enigmas da medicina atual.
Importante ressaltar que nesta definição (“desordem do neurodesenvolvimento com forte influência genética”), será fundamental decifrar a influência do meio ambiente. Mesmo não havendo ainda provas irrefutáveis de quais são as causas ambientais, estão sendo citadas cada vez mais frequentemente condições ambientais que poderiam ser responsabilizadas, ao menos em parte, pelo aumento na prevalência do Transtorno do Espectro do Autismo, tais como disfunções metabólicas da gestante (diabetes, diabetes gestacional e obesidade) e uso de determinadas drogas na gestação (antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina, etc.).

Nem Nature, nem Nurture: O futuro das pesquisas do autismo está na epigenética!

Apesar de todos estes avanços da genética nos últimos anos, não se tem ideia dos fatores que levam a maioria dos indivíduos a ter autismo. Os genes não mudam durante a vida de uma pessoa, mas a produção de certas proteínas pelos genes pode variar de acordo com estímulos do meio ambiente, o que conhecemos por epigenética. Avanços nas pesquisas de epigenética devem ser a nova fronteira a ser desvendada, quando em breve a análise de fatores presentes no DNA já não trouxer tanta informação como ainda traz hoje.
Na busca frenética por uma melhor compreensão, esperamos que os pesquisadores encontrem um equilíbrio entre e a resposta para uma pergunta milenar: O que é mais importante, a natureza (nature, genética) ou o meio ambiente (nurture, psicologia)? Tudo indica que a resposta para esta pergunta é justamente compreender que a pergunta foi inicialmente mal formulada: são duas vias de uma mesma estrada chamada epigenética.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

10 dicas para que as crianças com TDAH façam os deveres de casa


Estudar e fazer tarefas de casa com crianças desatentas e hiperativas são alguns dos maiores desafios dos pais de crianças com TDAH. Após tratamento medicamentoso e apoio psicopedagógico ( eventualmente fonoaudiológico e de terapia ocupacional também), essa tarefa se torna bem mais fácil. Ainda assim, algumas dicas podem auxiliar na organização e execução das tarefas:


1- Dividir as tarefas em tempos menores: não adianta colocar uma criança hiperativa para estudar 4,5 ou 6 horas seguidas. O ideal é que essas crianças façam as tarefas em tempos curtos de 1 ou 2 horas, separadas por intervalos de descanso ou execução de outras tarefas, brincadeiras ou atividades esportivas. Isso facilita a manutenção de concentração, e torna o dia mais produtivo.

2- Melhorar a forma de pedir as coisas e dar ordens: dê ordens curtas, simples e claras. Divida as tarefas em etapas e dê as ordens de forma progressiva, passo a passo.

3- Estimule a autonomia e independência: ensine a criança a se planejar e cobre sempre empenho e compromisso com suas próprias atividades. Os resultados são menos importantes que a execução. Cobre empenho e esforço, não cobre notas.

Quadro de horários: faça o do seu filho!!


4- Motive-o: Valorize cada tarefa executada, cada demonstração de empenho, organização e compromisso. Evite valorizar resultados, louve a execução adequada.

5- Nunca chame uma criança de INTELIGENTE. Nem de PREGUIÇOSA: Crianças hiperativas costumam ser elogiadas com  termos como " você é inteligente" ou "não seja preguiçoso para estudar". Chamar alguém de inteligente, é uma forma de menosprezar a importância do esforço pessoal para se conquistar as coisas. Gente "inteligente" faz tudo facilmente. E desiste rápido quando não consegue. Gente "preguiçosa" nem tenta fazer. Lembre-se que a identidade da criança é construída a partir de rotinas e referências das pessoas ao redor. Estimule-o a ser esforçado, organizado e produtivo.

6- Ensine a criança a fazer sempre o seu melhor. Fazer o possível é a melhor forma de não fazer nada.

7- Não vigie excessivamente o seu filho durante o Para Casa: uma vez dada a ordem, dê tempo para que a criança execute as ordens, não o fiscalize excessivamente para não inibir sua execução.

8 - O local de estudo deve ter boa iluminação; estar bem arrumado e organizado; ser bem ventilado;  ter uma temperatura agradável e não ter barulho excessivo. Não o deixe
 estudar deitado no sofá ou na cama.

Local de estudo: não precisa de luxo, mas organização, silêncio e limpeza é fundamental

9 - Ao final do Para Casa, converse com ele: pergunte "o que aprendeu hoje”, dê uma olhada no caderno, pergunte de suas dificuldades e ofereça ajuda. Dê apoio e confiança a ele.

10- Organização, organização, organização. Monte quadros de horários, planeje as rotinas diárias e os horários de estudo. Organização é o primeiro passo para ser produtivo!


6 pasos para lograr que los niños con TDAH hagan los deberes

Uno de los principales problemas a los que se enfrentan los padres con hijos con trastorno por déficit de atención con o sin hiperactividad (TDAH) es el hecho de conseguir que realicen sus deberes sin necesidad de estar persiguiéndoles para que los hagan

Leer mas: http://www.infosalus.com/asistencia/noticia-pasos-lograr-ninos-tdah-hagan-deberes-20170205080932.html

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Dislexia: por que meu filho não aprende a ler?

O portal BEM PARANÁ publicou agora em janeiro, reportagem levantando pontos para os pais identificarem ou suspeitarem de dislexia em seus filhos, e buscarem ajuda.
A reportagem pode ser lida aqui, na fonte, e está reproduzida abaixo:



Segundo Associação Brasileira de Dislexia, mais de 5% da população brasileira sofre com a dislexia. O distúrbio, que é genético e neurobiológico, causa uma desordem nas informações recebidas pelo cérebro, inibindo o processo de entendimento das letras e interferindo na leitura e escrita.

Segundo a psicopedagoga Ana Regina Caminha Braga, especialista em educação especial e em gestão escolar, o processo de leitura e escrita exige duas funções cerebrais, e no caso da pessoa com dislexia, uma dessas funções possui uma limitação. “Os sintomas variam de pessoa para pessoa e do grau de dislexia apresentado. Dificuldades para ler, escrever ou soletrar podem ser sinais de alerta”, explica.

O diagnóstico do distúrbio é outro problema, já que ele só consegue ser detectado no processo de alfabetização da criança. Mas segundo a especialista, é bom ficar e olho, já que a partir dos quatro anos de vida já podem aparecer possíveis indícios de dificuldades. E é aí que entra o professor, que deve estar atento às atitudes e dificuldades dos seus alunos para poder ajudá-los. Segundo Ana Regina, é importante romper o preconceito dentro de sala, para que esses alunos consigam conviver com os demais e ter mais autoconfiança. “Cabe ao professor analisar a situação e ajudar o aluno a quebrar esse estereótipo negativo ligado ao distúrbio. Uma boa opção para o docente é incluir atividades dinâmicas em sala, que ajudem a estimular o desenvolvimento dessa criança junto às demais”, detalha a especialista.

Quanto mais cedo à dislexia for detectada, maiores as chances dessa criança de obter sucesso ao longo de sua vida acadêmica e adulta, evitando frustrações tanto nos estudos quanto em trabalhos futuros. “O papel do professor é muito importante nesses casos, é importante que ele esteja atento ao comportamento dos seus alunos, para que no menor sinal de dificuldade, as medida necessárias possam ser tomadas em prol dessa criança”, completa a psicopedagoga.

SINTOMAS DA DISLEXIA
NA PRIMEIRA INFÂNCIA
- Atraso no desenvolvimento motor desde a fase do engatinhar, sentar e andar
- Atraso ou deficiência na aquisição da fala, desde o balbucio a pronúncia de palavras
- Parece difícil para essa criança entender o que está ouvindo
- Distúrbios do sono
- Enurese noturna
- Suscetibilidade à alergias e à infecções
- Tendência à hiper ou a hipo-atividade motora
- Chora muito e parece inquieta ou agitada com muita freqüência
- Dificuldades para aprender a andar de triciclo
- Dificuldades de adaptação nos primeiros anos escolares
A PARTIR DOS SETE ANOS
- Pode ser extremamente lento ao fazer seus deveres
- Ao contrário, seus deveres podem ser feitos rapidamente e com muitos erros
- Copia com letra bonita, mas tem pobre compreensão do texto ou não lê o que escreve
- A fluência em leitura é inadequada para a idade
- Inventa, acrescenta ou omite palavras ao ler e ao escrever
- Só faz leitura silenciosa
- Ao contrário, só entende o que lê, quando lê em voz alta para poder ouvir o som da palavra
- Sua letra pode ser mal grafada e, até, ininteligível; pode borrar ou ligar as palavras entre si
- Pode omitir, acrescentar, trocar ou inverter a ordem e direção de letras e sílabas
- Esquece aquilo que aprendera muito bem, em poucas horas, dias ou semanas
- É mais fácil, ou só é capaz de bem transmitir o que sabe através de exames orais
- Ao contrário, pode ser mais fácil escrever o que sabe do que falar aquilo que sabe
- Tem grande imaginação e criatividade
- Desliga-se facilmente, entrando "no mundo da lua"
- Tem dor de barriga na hora de ir para a escola e pode ter febre alta em dias de prova
- Porque se liga em tudo, não consegue concentrar a atenção em um só estímulo
- Baixa auto-imagem e auto-estima; não gosta de ir para a escola
- Esquiva-se de ler, especialmente em voz alta
- Perde-se facilmente no espaço e no tempo; sempre perde e esquece seus pertences
- Tem mudanças bruscas de humor
- É impulsivo e interrompe os demais para falar
- Não consegue falar se outra pessoa estiver falando ao mesmo tempo em que ele fala
- É muito tímido e desligado; sob pressão, pode falar o oposto do que desejaria
- Tem dificuldades visuais, embora um exame não revele problemas com seus olhos
- Embora alguns sejam atletas, outros mal conseguem chutar, jogar ou apanhar uma bola
- Confunde direita-esquerda, em cima-em baixo; na frente-atrás
- É comum apresentar lateralidade cruzada; muitos são canhestros e outros ambidestros
- Dificuldade para ler as horas, para seqüências como dia, mês e estação do ano
- Dificuldade em aritmética básica e/ou em matemática mais avançada
- Depende do uso dos dedos para contar, de truques e objetos para calcular
- Sabe contar, mas tem dificuldades em contar objetos e lidar com dinheiro
- É capaz de cálculos aritméticos, mas não resolve problemas matemáticos ou algébricos
- Embora resolva cálculo algébrico mentalmente, não elabora cálculo aritmético
- Tem excelente memória de longo prazo, lembrando experiências, filmes, lugares e faces
- Boa memória longa, mas pobre memória imediata, curta e de médio prazo
- Pode ter pobre memória visual, mas excelente memória e acuidade auditivas
- Pensa através de imagem e sentimento, não com o som de palavras
- É extremamente desordenado, seus cadernos e livros são borrados e amassados
- Não tem atraso e dificuldades suficientes para que seja percebido e ajudado na escola
- Pode estar sempre brincando, tentando ser aceito nem que seja como "palhaço"
- Frustra-se facilmente com a escola, com a leitura, com a matemática, com a escrita
- Tem pré-disposição à alergias e à doenças infecciosas
- Tolerância muito alta ou muito baixa à dor
- Forte senso de justiça
- Muito sensível e emocional, busca sempre a perfeição que lhe é difícil atingir
- Dificuldades para andar de bicicleta, para abotoar, para amarrar o cordão dos sapatos
- Manter o equilíbrio e exercícios físicos são extremamente difíceis para muitos disléxicos
- Com muito barulho, o disléxico se sente confuso, desliga e age como se estivesse distraído
- Sua escrita pode ser extremamente lenta, laboriosa, ilegível, sem domínio do espaço na página
- Cerca de 80% dos disléxicos têm dificuldades em soletração e em leitura

domingo, 29 de janeiro de 2017

O que é hidrocefalia?

Breve texto sobre hidrocefalia, suas causas, repercussões, maneiras de identificar a doença e formas de tratamento disponíveis.


 A hidrocefalia consiste no acúmulo excessivo de líquido cefalorraquidiano (LCR) no encéfalo. Com isso, ocorre dilatação de regiões cerebrais chamadas ventrículos e alterações cerebrais, que podem comprometer o desenvolvimento cognitivo e neuropsicomotor da criança.



A hidrocefalia tem inúmeras causas e pode aparecer já na vida intrauterina, ser adquirida por problemas no parto (comuns em crianças prematuras) ou mesmo ao longo da infância e fase adulta. Independentemente da causa, o diagnóstico precoce é fundamental para que se possa fazer um tratamento eficaz, e reduzir ou prevenir sequelas do quadro.

Identificando a hidrocefalia 

 

Todo o sistema nervoso central é envolvido por liquor, que circula também em regiões internas do encéfalo e medula espinhal. Em algumas regiões internas cerebrais denominadas ventrículos há, inclusive, um deposito significativo de liquor. Contudo, se ocorre acumulo excessivo, com dilatação destas regiões, denominamos o quadro de hidrocefalia.



Nos casos congênitos de hidrocefalia, que ocorrem por desenvolvimento anormal do sistema nervoso central, infecção ou sangramento cerebral intra-útero, ocorre obstrução do fluxo de fluído cerebrospinal e dilatação destas regiões cerebrais. Causas menos comuns são tumores, traumatismos e infecções no sistema nervoso central do feto.

Nos lactentes, após o nascimento, notamos crescimento excessivo do perímetro cefálico e atraso/regressão progressiva do desenvolvimento neuropsicomotor do bebê. Os pais notam alterações comportamentais (sonolência, irritabilidade, letargia), alterações respiratórias ( apnéias), alterações do formato do crânio, macrocrania (cabeça grande) ou que cresce rapidamente, com fontanela (moleira) grande e dilatada.

Crianças mais velhas e adultos podem apresentar outros sintomas, tais como: sonolencia, nauseas e vômitos, desorganização de idéias, lentidão psicomotora, alterações visuais e de equilíbrio, dor de cabeça, letargia e crises epilépticas.

Tratamento 

O tratamento visa a prevenir ou, pelo menos, reduzir os danos cerebrais do acumulo de liquor em SNC e, em geral, busca-se corrigir o fluxo de liquor com tubos que direcionam diretamente o fluxo de líquido para outra parte do corpo, geralmente para o abdome, onde ele é absorvido. 


Há também a possibilidade, em alguns casos, de se fazer um tratamento endoscópico, em que se fazem pequenas aberturas intracerebrais para que o liquor flua mais facilmente, com a vantagem de não necessitar de válvulas ou qualquer material estranho dentro do corpo. Porém, ela só está disponível em casos específicos, a serem identificados pelo neurocirurgião.

Uma vez identificados os sinais pelos pais ou pelo pediatra, o neuropediatra costuma acompanhar e investigar os pacientes para confirmar ou descartar o diagnóstico e, em caso de necessidade, encaminhá-los ao neurocirurgião, que é quem escolhe a técnica mais adequada para o tratamento de cada indivíduo.

Por fim, é importante ressaltar que o diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para se prevenir sequelas futuras, e o acompanhamento posterior dos pacientes também é imprescindível, para se evitar problemas adicionais do quadro.



segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Mitos e verdades sobre epilepsia

A equipe do Notícias ao Minuto publicou uma reportagem que vale a pena ler, reproduzida abaixo, esclarecendo 10 mitos e verdades sobre a epilepsia.
Se quiser acessar o texto original, no site, clique aqui




A epilepsia é um distúrbio neurológico, que acomete 1 a cada 100 indivíduos. Em 50% dos casos, a causa é desconhecida e 75% têm início ainda na infância. A doença ainda gera muitas dúvidas entre a população, inclusive pacientes e seus familiares.
Visando, então, desmitificar a doença, o neurocirurgião especialista em epilepsia pela UNIFESP Dr. Luiz Daniel Cetl listou alguns mitos e verdade sobre ela.
1- A crise epiléptica é o único sintoma da epilepsia.
MITO. A crise epiléptica ocorre quando o indivíduo perde a consciência e cai no chão, apresentando contrações musculares em todo o corpo. Mas os sintomas da epilepsia vão depender da localização do foco epiléptico, ou seja, de onde se originam as crises. Se, por exemplo, estiver próximo à área motora, provavelmente o sintoma será ilustrado pelo abalo do membro que essa região coordena. Se relacionada à área visual, poderá ser caracterizado pela alteração da visualização de cores. Existem outros sintomas, muitos até despercebidos por seus portadores e pessoas próximas a eles. Muitos pacientes sentem apenas um mal-estar na boca do estômago, o que também pode sinalizar uma crise, mas, justamente por ser desconhecido e mais simples, este sintoma pode passar despercebido.
2- Existem dois tipos de crises da epilepsia: crises parciais (simples e complexas) e crises generalizadas.
VERDADE. Nas crises generalizadas, as descargas elétricas anômalas acometem o cérebro como um todo, causando a perda de consciência e sintomas que variam de abalos de todo o corpo, postura tônica, e até atonia (onde há um relaxamento global de todos os músculos). Nas crises parciais, apenas uma porção do cérebro é acometido, sendo que este tipo é dividido em: parciais simples, com sintomas apenas motor, visual ou de mal-estar, sem afetar a consciência; e crises parciais complexas, quando há acometimento do controle motor ou visual e também alguma alteração na consciência, mas não a sua perda, como acontece com as crises generalizadas.
3- Entre os tipos de crises, temos também a crise de ausência, a parada comportamental e, mais raro, o estado de mal epiléptico, que tem, cada uma delas, suas características específicas.
VERDADE. A crise de ausência é caracterizada pela curta duração que pode ser de décimos de segundo e pode se repetir mais de uma vez ao dia e mesmo pessoas próximas não conseguem identificá-la. A parada comportamental é caracterizada como uma crise parcial complexa e muito mais frequente, em que o paciente fica parado, com o olho arregalado, como se estivesse fora de si e, o terceiro tipo é o estado de mal epiléptico, o mais grave de todos pois há uma ativação contínua dos neurônios desfuncionantes, que emitem sinais atípicos ou irregulares, de maneira interrupta, podendo causar lesões cerebrais.
4- Ao se deparar com uma pessoa tendo uma crise epiléptica, deve-se colocar a mãe na boca e segurar a língua para que ela não engasgue.
MITO. A recomendação é que, nos casos mais graves, quando o paciente tem contrações musculares e cai no chão, o ideal é afastá-lo de objetos e móveis que possam machucá-lo, deixá-lo se debater livremente até que a crise passe. Não se deve colocar a mão ou o dedo na boca do paciente e, como há salivação intensa, manter o corpo de lado para evitar que o paciente se sufoque com a própria saliva. Em casos de crises repetitivas a emergência deve ser acionada imediatamente.
5- O tratamento da epilepsia pode ser medicamentoso ou cirúrgico.
VERDADE. O tratamento convencional para a epilepsia é por via medicamentosa, com uso das chamadas drogas antiepilépticas (DAE), eficazes em cerca de 70% dos casos (há controle das crises) e com efeitos colaterais diminutos. Quando não há controle destes sintomas, outros tratamentos possíveis são a cirurgia e a estimulação do nervo vago. No entanto, apenas um profissional, analisando o caso, poderá indicar o tratamento apropriado para o paciente.
6- Paciente de epilepsia não consegue levar uma vida normal, devido às crises da doença.
MITO. O paciente com epilepsia deve seguir com suas atividades normalmente. À exemplo de grande ícones e personalidades mundialmente conhecidas, como Vincent van Gogh, Fiódor Dostoiévski e Machado de Assis, o portador da síndrome pode e deve trabalhar, se divertir, integrar-se socialmente e, sem preconceitos, medos ou estigmas, casar e ter filhos.
7- A epilepsia não é transmitida pelo ar ou contato físico.
VERDADE. A epilepsia é um distúrbio neurológico, não sendo transmitida pelo contato físico ou pelo ar.
8- Informação e conscientização ajudam a diminuir preconceitos em relação à doença e seus portadores.
VERDADE. Infelizmente, a epilepsia ainda gera muitos mitos e dúvidas entre a população, chegando também a atos de preconceitos que poderiam ser evitados pela informação e conhecimento da doença.
9- A epilepsia é mais prevalente em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.
VERDADE. A subnutrição da mulher e a não realização do pré-natal, realidades muito frequentes ainda em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, podem desencadear o surgimento da epilepsia na criança. Condições inadequadas de higiene podem facilitar infecções durante o pré-natal, e ser uma atenuante no desenvolvimento do cérebro do bebê. Por isso, vale lembrar que a ocorrência da epilepsia regiões subdesenvolvidas e/ou em desenvolvimento sugere que a falta de higiene pode ser uma causa peculiar da epilepsia.
10- Diversas personalidades importantes da história da arte, música e literatura tiveram epilepsia e eram verdadeiros gênios, reforçando que a epilepsia não impede que a pessoa portadora da doença leve uma vida normal.
VERDADE. Apesar do estigma, os pacientes com epilepsia têm uma vida ativa, como tiveram Vincent van Gogh, Fiódor Dostoiévski e Machado de Assis, grandes nomes da artes e literatura que eram portadores da doença.

Quais são as leis e direitos das crianças diagnosticadas com Déficit de Atenção e Hiperatividade?


O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, também conhecido como TDAH é, segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), um transtorno neurobiológico que possui causas genéticas e geralmente aparece na infância, acompanhando o indivíduo por toda a vida. Entre as características mais comuns estão sintomas de inquietude, falta de atenção e impulsividade. Segundo a ABDA, entre 5% e 8% da população brasileira tem o transtorno.
Uma vez que o TDAH é um distúrbio, é preciso que seja diagnosticado por uma equipe multidisciplinar e especializada. Infelizmente, sabemos que há uma tendência em diagnosticar com TDAH alunos um pouco mais agitados e que têm problemas disciplinares, quando na verdade eles não têm distúrbio nenhum. Portanto, é preciso ter muito equilíbrio e cuidado ao tratar da questão, já que os casos de medicalização de crianças e jovens supostamente com TDAH vêm crescendo: só nos últimos 10 anos, houve um aumento de 800% no consumo de metilfenidato (cujo nome comercial é Ritalina), medicamento indicado para esse tipo de transtorno.   
Diagnosticado corretamente o distúrbio, é preciso apoiar o desenvolvimento da criança por meio de uma equipe, que deverá saber quais são os direitos de quem tem o transtorno. Infelizmente, a legislação sobre TDAH ainda é muito incipiente no Brasil. O Projeto de Lei 7081, de 2010 visa regulamentar o direito de a criança com TDAH ser diagnosticada precocemente e, assim, garantir que ela receba apoio da área da saúde e da educação. A proposta, ainda em tramitação na Câmara dos Deputados, passou pela Comissão de Finanças e Tributação e falta passar pela Comissão de Justiça, para então ser sancionado.
Retirado do jornal O Globo
Esse assunto também foi abordado na Rádio Globo: Clique aqui
A ABDA ( Associação Brasileira de Déficit de Atenção) também lançou uma cartilha sobre o tema. Clique aqui para ler.
O pessoal do PSICOEDU também escreveu sobre o tema aqui
O canal do youtube TDAH descomplicado também lançou um video aqui: