domingo, 2 de julho de 2017

O que desencadeia crises de epilepsia?


A epilepsia é uma doença crônica, caracterizada pela presença de crises epilepticas repetidas. Uma crise epiléptica, é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que pode ocorrer sem motivo aparente ou causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. 


Se ficarem restritos, a crise será chamada focal; se envolverem os dois hemisférios cerebrais, generalizada.Dentre as crises generalizadas, existem as crises mioclônicas, as de ausência e as convulsões ( crises tonico-clonico generalizadas, um tipo de crise epiléptica com maior numero de fenomenos motores).  Por isso, algumas pessoas podem ter sintomas mais ou menos evidentes de epilepsia, não significando que o problema tenha menor gravidade se a crise for menos aparente.
Existem alguns fatores externos capazes de desencadear crises epilépticas, influenciando diretamente em sua frequência. O problema é que muitas pessoas desconhecem esses fatores e, por isso, não são capazes de se prevenir. 




A respeito disso, ressalta-se que estes fatores desencadeantes de crises epilépticas são sempre dependentes da idade. Por exemplo, em crianças de até 6 anos, destacam-se as crises febris, que ocorrem principalmente com a elevação súbita da temperatura. Já na adolescência, as crises generalizadas (como ausências, mioclonias e convulsões) começam a aparecer e tendem a se manifestar pela manhã, até duas horas após o despertar, ou no momento de cansaço excessivo, quando acontece o relaxamento do final do dia.
Já na vida adulta, as crises podem acontecer mais comumente durante o sono, principalmente as crises focais, que comprometem áreas mais restritas do cérebro. Além disso, privação de sono, ingestão alcoólica, estresse, hábitos de vida não saudáveis, como sedentarismo e consumo excessivo de alimentos ricos em gordura, processos infecciosos, menstruação, desidratação e uso de alguns medicamentos como antidepressivos em doses elevadas (ou a retirada deles) também podem aumentar a frequência de crises.
Ao entender o que pode influenciar a ocorrência de crises, a pessoa com epilepsia deve se policiar para evitar maus hábitos e situações frequentes no dia a dia, como dormir poucas horas por noite, alimentar-se mal e passar por momentos de estresse.
Importante lembrar que, entre aquelas que fazem uso de medicamentos para a prevenção de crises, a perda de uma dose é um fator desencadeante muito comum. Então, nesses casos, é importante que haja um cuidado para não esquecer de tomar o remédio nos momentos certos. Familiares e pessoas próximas tem um papel importante no auxílio e apoio aos pacientes nessas situações.
A identificação de fatores desencadeantes e consciência sobre essas questões é parte integral do tratamento. Muitas vezes, apenas o uso adequado dos fármacos, responsáveis pelo controle das crises, é insuficiente. Para quem tem epilepsia, evitar os fatores externos pode ser igualmente importante para a estabilidade do quadro clínico.
Por fim, uma informação curiosa: há poucos dados na literatura sobre as relações entre as causas que envolvem o ambiente, em relação ao estresse, depressão e ansiedade, quando se fala em epilepsia. Porém, uma recente pesquisa, realizada no Norte de Manhattan e no Harlem, mostrou que fatores estressantes, como dificuldade de integração social, depressão e transtorno de ansiedade generalizada, aumentavam o risco de repetição de crises em duas a três vezes. Esses números corroboram a importância do acompanhamento psicológico, representado, por exemplo, por meio da terapia de relaxamento, terapia cognitivo-comportamental (abordagem mais específica, breve e focada no problema atualda pessoa com epilepsia), biofeedback (técnica que ensina a prestar atenção no funcionamento do corpo) e educação sobre a doença
É essencial que as pessoas que estão por perto, como os cuidadores, familiares e conhecidos, não excluam a pessoa com epilepsia e convivam com ela com naturalidade. A inclusão social é importante para que ela saiba lidar melhor com a própria doença e não se sinta sozinha em sua jornada.


terça-feira, 27 de junho de 2017

Oscilação hormonal em meninas interfere em crises de enxaqueca

Noticia retirada do site: http://www.correiobraziliense.com.br

Fatores como alimentação e estresse podem estar relacionados às crises de enxaqueca, independentemente do gênero. Mas a dor de cabeça latejante e intensa é mais comum em mulheres: três vezes mais frequentes do que nos homens. Por isso, cientistas dos Estados Unidos decidiram observar, em meninas e adolescentes, qual a influência dos hormônios femininos na ocorrência desse tipo de cefaleia. Após analisar 34 voluntárias, concluíram que níveis mais altos de progesterona podem reduzir as chances de crises de enxaqueca entre as mais velhas. Detalhes do trabalho foram publicados na revista especializada Cephalalgia e, segundo os autores, têm o potencial de ajudar no desenvolvimento de estratégias de tratamento mais eficazes

As participantes do experimento foram divididas em três faixas etárias: 8 a 11 anos, 12 a 15 anos e 16 a 17 anos. Todas eram pacientes do Hospital de Crianças de Cincinnati, nos Estados Unidos, unidade especializada em dor de cabeça. Durante 90 dias, foram coletadas amostras diárias de urina das voluntárias, que também tiveram que registrar em um diário a ocorrência e a gravidade das dores de cabeça. A quantidade dos hormônios sexuais estrogênio e progesterona na urina foi correlacionada com os relatos escritos.

Os resultados mostraram que, nas adolescentes mais velhas, quando os níveis de progesterona estavam baixos, o risco de elas serem acometidas por uma crise de enxaqueca era de 42%. O valor caía para 24% quando havia taxas maiores do hormônio. No grupo mais novo, porém, o efeito foi contrário: 15% de chance de ter a complicação quando havia níveis baixos de progesterona, e 20% em nível alto.



“A progesterona parece ser o fator mais importante no desencadeamento da enfermidade nas meninas jovens. No entanto, esse efeito parece diferir dependendo da idade das garotas”, explica ao Correio Vincent Martin, codiretor do Centro de Dor de Cabeça e Dor Facial do Instituto de Neurociência UC Gardner, nos Estados Unidos. Segundo ele, essa reação contrária deve estar relacionada às mudanças hormonais características da adolescência, época também em que costumam surgir as primeiras crises de enxaqueca. “Os hormônios provavelmente agem sobre os caminhos da dor do nervo trigêmeo, desencadeando as dores de cabeça”, detalha. “À medida que o cérebro está se desenvolvendo nessas meninas, pode haver diferenças na sensibilidade dos receptores cerebrais e seus papéis na ocorrência de enxaqueca.”

Andrew Hershey, diretor de Neurologia doo Hospital de Crianças de Cincinnati, explica que as meninas começam a sofrer as primeiras mudanças da puberdade entre 8 e 10 anos. À medida que segue o desenvolvimento puberal, geralmente ocorrem flutuações hormonais cíclicas e períodos menstruais irregulares. “Já demonstraram que um padrão de dor de cabeça mensal pode começar durante esses estágios iniciais. Quando envelhecem, seus períodos menstruais tornam-se mais regulares, assim como as flutuações hormonais, e, aos 17 anos, a maioria das meninas tem padrões hormonais adultos”, detalha.


Suspeita

Márcia Neiva, Neurologista do Hospital Brasília, avalia que o estudo dá sustentação científica a uma suspeita comum nos consultórios. “Sabemos que as mulheres são mais acometidas por enxaquecas, o que aponta para influências hormonais. Já sabemos também que alguns anticoncepcionais podem evitar a enxaqueca, por exemplo. Para pacientes que sofrem com enxaqueca, sempre indico medicamentos contraceptivos feitos com base na progesterona, pois foi demonstrado que o uso deles diminui a quantidade de crises”, diz a especialista.

Renato Mendonça, neurologista do Laboratório Exame em Brasília, ressalta que ainda há muito a estudar sobre a influência dos hormônios femininos no corpo humano. “Sabemos pouco sobre eles, mas temos certeza de que estão envolvidos em diversos fatores, como o humor, e que se combinam, provocando uma gama de influências. No caso na enxaqueca mesmo, é difícil vermos mulheres mais velhas com essa enfermidade. Ela é mais frequente em jovens, algo que indica também uma mudança causada pela alteração hormonal.” Na maioria dos casos, as crises desse tipo de cefaleia desaparece após os 50 anos.


Multifatorial

Apesar da influência hormonal detectada, os autores do estudo destacam que outros fatores estão envolvidos na ocorrência de enxaquecas. “As mudanças que vimos podem refletir o tempo mais cedo que as meninas começam a responder aos hormônios. Poderia também explicar por que as crises se desenvolvem em adolescentes, mas muitos outros fatores precisam ser avaliados, já que esse é um problema multifatorial”, ressalta Vincent Martin.

Os resultados atingidos, segundo a equipe, abrem um caminho de possibilidades em busca de intervenções mais eficazes contra um problema considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das principais causas de anos perdidos por incapacidade. “É possível que algumas terapias hormonais possam ser dadas a adolescentes mais velhas para prevenir a enxaqueca, mas isso precisa ser investigado em estudos futuros”, diz Martin.

“É possível que algumas terapias hormonais possam ser dadas a adolescentes mais velhas para prevenir a enxaqueca, mas isso precisa ser investigado em estudos futuros”

Epilepsias: o que pode desencadear crises?

Uma entrevista da dra Elza Marcia Yacoubian, retirada do site noticiasaominuto.com.br:

Como agir ao atender uma crise epileptica


A epilepsia é uma doença crônica caracterizada por crises epilépticas recorrentes. Essas crises, por sua vez, acontecem devido a descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro e podem se manifestar de diversas formas, como convulsões, crises de ausência, entre outras. Entretanto, existem também alguns fatores externos capazes de as desencadear, influenciando diretamente em sua frequência. O problema é que muitas pessoas desconhecem esses fatores e, por isso, não são capazes de se prevenir.
Para que esse assunto se torne mais claro e conhecido, a Dra. Elza Márcia Yacubian, neurologista, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e secretária da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), dá dicas sobre o tema. Confira abaixo!
• Quais são os fatores que favorecem a ocorrência de crises epilépticas? A idade, de alguma maneira, tem relação?
Os fatores desencadeantes de crises epilépticas são dependentes da idade. Por exemplo, em crianças de até 6 anos, destacam-se as crises febris, que ocorrem principalmente com a elevação súbita da temperatura. Já na adolescência, as crises generalizadas (como ausências, mioclonias e convulsões) começam a aparecer e tendem a se manifestar pela manhã, até duas horas após o despertar, ou no momento de cansaço excessivo, quando acontece o relaxamento do final do dia.
Na vida adulta, as crises podem acontecer mais comumente durante o sono, principalmente as crises focais, que comprometem áreas mais restritas do cérebro. Além disso, privação de sono, ingestão alcoólica, estresse, hábitos de vida não saudáveis, como sedentarismo e consumo excessivo de alimentos ricos em gordura, processos infecciosos, menstruação, desidratação e uso de alguns medicamentos como antidepressivos em doses elevadas (ou a retirada deles) também podem aumentar a frequência de crises.
• O que pode ser feito para evitá-los e/ou combatê-los?
Ao entender o que pode influenciar a ocorrência de crises, a pessoa com epilepsia deve se policiar para evitar maus hábitos e situações frequentes no dia a dia, como dormir poucas horas por noite, alimentar-se mal e passar por momentos de estresse.
Importante lembrar que, entre aquelas que fazem uso de medicamentos para a prevenção de crises, a perda de uma dose é um fator desencadeante muito comum. Então, nesses casos, é importante que haja um cuidado para não esquecer de tomar o remédio nos momentos certos. Familiares e pessoas próximas tem um papel importante no auxílio e apoio aos pacientes nessas situações.
A identificação de fatores desencadeantes e consciência sobre essas questões é parte integral do tratamento. Muitas vezes, apenas o uso adequado dos fármacos, responsáveis pelo controle das crises, é insuficiente. Paraquem tem epilepsia, evitar os fatores externos pode ser igualmente importante para a estabilidade do quadro clínico.
• Existe relação entre estresse, ansiedade e as manifestações da epilepsia? Se sim, o que as pessoas com epilepsia podem fazer para evitá-los?
Há poucos dados na literatura sobre as relações entre as causas que envolvem o ambiente, em relação ao estresse, depressão e ansiedade, quando se fala em epilepsia. Porém, uma recente pesquisa, realizada no Norte de Manhattan e no Harlem, mostrou que fatores estressantes, como dificuldade de integração social, depressão e transtorno de ansiedade generalizada, aumentavam o risco de repetição de crises em duas a três vezes. Esses números corroboram a importância do acompanhamento psicológico, representado, por exemplo, por meio da terapia de relaxamento, terapia cognitivo-comportamental (abordagem mais específica, breve e focada no problema atualda pessoa com epilepsia), biofeedback (técnica que ensina a prestar atenção no funcionamento do corpo) e educação sobre a doença.
• Quais as dicas que você dá para os familiares e amigos próximosde pessoas com epilepsia, para que ajudem a evitar situações de desequilíbrio emocional?
É essencial que as pessoas que estão por perto, como os cuidadores, familiares e conhecidos, não excluam a pessoa com epilepsia e convivam com ela com naturalidade. A inclusão social é importante para que ela saiba lidar melhor com a própria doença e não se sinta sozinha em sua jornada.
CURIOSIDADE
É verdade que alguns tipos de imagens, encontradas em materiais físicos ou na internet, que tenham diferentes efeitos (como aquelas que causam tontura) podem ser indutores de crises?
Estímulos luminosos intermitentes, como as luzes de danceterias, padrões visuais como os presentes em jogos de videogame, formas geométricas, barulho, música e leitura podem provocar crises em casos de epilepsia reflexa que representa menos de 2% dos casos de epilepsia.
No Japão, já houve uma epidemia de convulsões na qual 700 crianças que assistiam ao desenho Pokemon convulsionaram no mesmo dia, devido a um acentuado contraste nas cores azul e vermelha em uma das cenas. Porém, somente as pessoas que têm o tipo de epilepsia mencionado apresentam risco com estas atividades. Deve ser lembrado que o cansaço excessivo e a privação de sono, condições comuns às pessoas que passam muitas horas nestas atividades, também podem estar por trás das crises que os pais, por exemplo, podem atribuir à exposição excessiva ao vídeo-game ou ao computador.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

"Convulsão em crianças": entendendo a epilepsia na infância

As epilepsias são síndromes neurológicas caracterizadas pela presença de crises epilépticas repetidas e suas repercussões sociais, familiares, cognitivas e emocionais. Por diferenets motivos, desde causas genéticas a presença de cicatrizes cerebrais, um grupo de neurônios começa a emitir de forma sincrônica uma série de descargas elétricas, que gera diferentes manifestações corporais e sensações, em geral ocorrendo simultaneamente a perda de consciencia. A maioria das epilepsias ocorre na infância e adolescencia, em geral sem grandes sequelas para os pacientes - que levam vida normal - e sem maiores problemas intelectuais, sociais ou de desenvolvimento. Além disso, a maior parte das epilepsias infantis tem bom resultado com o tratamento, e as crianças costumam ficar sem crises e livres dos medicamentos antes da vida adulta.
Retirado de: http://www.avidaquer.com.br/conviva-com-epilepsia/

Identificando uma crise epiléptica

Os pais e médicos generalistas tem muitas dificuldades em identificar e classificar corretamente crises epilépticas. Em alguns casos, mesmo o neurologista não consegue identificar com precisão que sintoams são aqueles. Por isso, é fundamental que os pais filmem os eventos e movimentos anormais apresentados,apesar das dificuldades e do desespero da maioria, no momento dos eventos.
Além disso a identificação de um fator causador como febre (temperatura axilar acima de 37,8 graus, medida ANTES da crise), sonolência, cansaço, ocorrencia durante pratica esportiva ou em frente a jogos eletrônicos), ajuda bastante na classificação das epilepsias. Apenas como registro, ressaltamos que convulsões febris, de ocorrência entre 6 meses e 5 anos, tem evolução própria, benigna, e não se enquadra no perfil das epilepsias.
Algumas manifestações que podem ser de crises epilépticas:
1- A criança perde o contato com o mundo, desconecta da realidade ou apresenta ausências breves.
2- Apresenta contrações musculares fortes, com sacudidas dos músculos.
3- Apresenta sudorese excessiva, urina ou defeca na roupa durante o evento, movimentos de piscadas, contrações faciais ou mastigatórios.

Diagnóstico e tratamento da epilepsia na infância

Na grande maioria dos casos de epilepsias na infância, as crises epiléticas desaparecem com o amadurecimento cerebral e com o passar dos tempos. Contudo, quanto mais crises o indivíduo tem, mais frequentes e intensas se tornam as crises. E mais difícil se torna seu controle com medicamentos.
Caso uma criança tenha qualquer manifestação de possível crise epiléptica, deve ser imediatamente levada ao Pronto Atendimento. Lá serão investigadas possíveis causas para a crise, que necessitem de intervenção médica urgente e, na ausência disso, a criança será encmainhada para avaliação ambulatorial. A realização de exames de imagem ou eletroencefalograma, em geral, deve ser feita ambulatorialmente. Estes exames não dão o diagnóstico de epilepsia, e apenas ajudam na classificação do tipo de epilepsia ( com frequencia os exames não mostram anormalidades).
As epilepsias atualmente têm inúmeros meios de tratamento e os novos remédios controlam as crise sem gerar efeitos colaterais ou afetar a qualidade de vida das crianças. Em casos raros, em que não ocorra controle das crises com medicamentos, utilizamos tratamentos diferentes, como cirurgias, dieta cetogênica, uso de estimulador vagal, dentre outros. Os medicamentos a base de Cannabis, tão discutidos nos últimos anos no Brasil, tem pouquissima utilidade na prática clínica, são pouco estudados e usados em casos pontuais, excepcionalmente, como ultima medida. 

Curiosidades sobre as epilepsias:
1- As epilepsias não são sempre genéticas.
2- Há vários tipos de crises epilépticas
3- A epilepsia não é uma doença mental, nem contagiosa.
4- 80 por centro das crises controlam-se com medicação antiepiléptica
5- Para a maior parte das pessoas com epilepsia, as consequencias psicologicas, emocionais e de aprendizagem são mais importantes que as crises em si.
6- 30% da população terá uma crise epiléptica em algum momento da vida. Mas apenas 1% da população tem epilepsia.
7- Durante uma crise epiléptica, o importante é proteger bem a cabeça da criança e evitar que ela se asfixie com o seu próprio vômito, posicionando seu corpo e sua cabeça de lado. Nada de enfiar a mão na boca para desenrolar a lingua!!! Além do perigo de cortar o dedo, essa manobra é inutil: a lingua se desenrola sozinha depois de alguns segundos de crise.
8- A epilepsia é mais comum em crianças, adolescentes e idosos.

Impedir que o paciente engula a própria língua durante uma crise é um mito. O correto é virar o paciente de lado, protegê-lo, deixar que a saliva escorra e aguardar calmamente que a crise acabe



sábado, 27 de maio de 2017

Meu filho tem a cabeça torta. E agora?

As alterações de crescimento e de formato do perímetro cefálico são muito comuns no primeiro ano de vida, e trazem muitas preocupações para pais e pediatras. Contudo, a cabeça "amassada", torta ou assimetrica pode existir nos primeiros meses de vida, tanto pela posição do feto na barriga/útero da mãe quanto pela passagem do bebê no canal vaginal - por isso essas alterações são mais comuns em bebês nascidos de parto vaginal. Como os ossos cranianos não estão grudados, fundidos, ainda, pode haver uma modificação temporária no formato da cabeça, quando submetida a pressões assimétricas. Contudo, com o tempo, ocorre um remodelamento natural do formato do cranio.

A passagem pelo canal vaginal por deformar um pouco o cranio do bebê, sem maiores riscos





Assimetrias cranianas e sinais de traumatismo no parto: Bossa (caput succedaneumserossanguínea a bossa é uma tumefacção (inchaço) na zona de apresentação da cabeça ao nascimento, por edema do couro cabeludo, que pode estender-se sobre as suturas (união dos ossos cranianos). Habitualmente, desaparece nos primeiros dias de vida e não precisa de nenhum tratamento. Quando são bossas grandes, pode surgir icterícia com necessidade de fototerapia ("luzes"). cefalohematoma é uma hemorragia limitada à superfície de um osso craniano (habitualmente o parietal), muitas vezes só notada algumas horas após o nascimento e que não passa as linhas de sutura. Por vezes, pode haver uma pequena fratura associada. Normalmente, não é necessário qualquer tratamento (pode surgir icterícia) e a maioria dos cefalohematomas é reabsorvida entre a 2ª semana e o 3º mês de vida, conforme o tamanho. Só em situações raras há complicações graves associadas. A craniossinostose é decorrente do fechamento precoce das suturas dos ossos dos bebês, o que impede o crescimento do cérebro e pode gerar retardo mental futuro. Hemorragias subconjuntivais e retinianas: devido ao aumento súbito da pressão dentro do tórax do recém-nascido, podem surgir pequenas hemorragias no rosto e no pescoço, assim como nos olhos (subconjuntivais e retinianas
), que não necessitam de tratamento e são temporárias. 





Além disso, é comum que ocorra um crescimento assimetrico do cranio em crianças que ficam muito tempo deitas na cama ou no carrinho de bebê, na mesma posição, gerndo uma pressão maior de um lado que em outro, e crescimento irregular do cranio, chamado de plagiocefalia posicional. Para evitar isso, o indicado é sempre revezar o lado em que o bebê ficará deitado, inclusive avaliando se há algo no berço ou ao redor que chame a atenção dele para um lado só.



Esquema de como se desenvolve a plagiocefalia posicional
Plagiocefalia posicional: foto retirada da web


Até 15% das crianças nascem com algum tipo de assimetria na cabeça. Porém, a imensa minoria necessita de uma intervenção cirúrgica por fusão precoce dos ossos (cranioestenose ou craniossinostose), condição que pode impedir o crescimento adequado do cérebro e gerar atraso do desenvolvimento e retardo mental irreversível. 



Adicionar legenda
Como avaliar o crânio de seu filho. Retirado de https://noticias.uol.com.br/saude/album/14122011plagiocefalia_album.htm#fotoNav=1

 Por fim, é fundamental lembrar que a avaliação pediátrica frequente, em que existe análise do desenvolvimento e medidas periódicas da cabeça, são o melhor meio de avaliar e prevenir qualquer problema neurológico e craniano das crianças. Seu pediatra irá sempre monitorar isso, tirar suas dúvidas e encaminhá-lo ao neuropediatra caso seja necessária uma avaliação mais aprofundada.

Avalição pediátrica de rotina: a melhor forma de prevenção
Foto retirada do site do dr Ulysses Fagundes ---> http://www.igastroped.com.br/o-instituto/equipe/prof-dr-ulysses-fagundes-neto/minha-historia/capitulo-13/

Estimule seu filho a falar!!!

A excepcional revista CRESCER publicou em 2013 uma excelente matéria sobre como estimular o seu filho a falar. Embora seja de 4 anos atrás, a matéria segue útil e mais atual que nunca. Você lerá um trecho abaixo, e pode ler na íntegra aqui.




Quando meu filho vai começar a falar? Qualquer pai e mãe se faz essa pergunta e espera ansiosamente pela primeira palavra do bebê. Em média, as crianças começam a balbuciar com 1 ano. Os primeiros sons estão mais para sílabas do que palavras, como “mã” e “pa”. Mas não importa como aconteça, esse momento trará uma emoção enorme.
Para que a criança continue desenvolvendo suas habilidades com a fala, é preciso estimulá-la. O jeito mais natural de fazer isso é conversar com os bebês. No entanto, uma pesquisa realizada na Universidade de Chicago (EUA) provou que ações não-verbais podem ser tão importantes quanto o bate-papo para melhorar esse aprendizado.Por exemplo, o ato de apontar para um livro enquanto se diz “a mamãe vai pegar um livro” facilita a memorização dessa palavra.

O estudo avaliou 50 bebês entre 14 e 18 meses e gravou vídeos enquanto eles interagiam com os pais. Uma das descobertas foi que o uso da fala associada a um contexto específico (falar “livro” quando se está perto de uma estante) variou muito de um pai para o outro. Os filhos daqueles que falavam mais palavras relacionadas ao contexto ou aos objetos em questão apresentaram um vocabulário mais amplo três anos mais tarde. Segundo os pesquisadores, com pequenos ajustes nas conversas os pais podem dar um estímulo mais eficiente à fala das crianças.
De acordo com a fonoaudióloga Ana Maria Hernandez, coordenadora da equipe de fonoaudiologia do Hospital Santa Catarina (SP), falar dentro de um contexto e fazer gestos (como apontar para o objeto) podem favorecer o aprendizado, pois é uma maneira de o adulto apresentar o mundo para a criança. No entanto, a fala também depende de vários outros fatores para se desenvolver. “Ela é uma expressão da linguagem e, como tal, resulta da integração entre diversos sistemas. A criança precisa estar com o sistema neurológico preservado, a parte motora e psicológica também”. Ou seja, até o carinho que você dá para o seu filho pode fazer diferença no desenvolvimento da fala.
A seguir, listamos algumas dicas que você pode adaptar sem muito trabalho ao seu cotidiano:
Narre o mundo
O conceito pode parecer estranho, mas na prática é muito simples. Converse com o seu bebê sobre aquilo que o rodeia. Na hora de trocar a fralda, por exemplo, vá nomeando suas ações: “vou limpar seu bumbum, vamos colocar uma fralda limpinha, você vai ficar cheiroso”. Durante um passeio no parque, apresente as árvores, a grama, os passarinhos. Apontar, como explicado na pesquisa, também é um ótimo recurso porque dá forma às palavras. A criança associa o som ao objeto e fica muito mais fácil decorar o nome dele.

Atenção ao tom de voz
Quando falamos, colocamos sempre uma entonação em nossa voz, que pode significar dor, alegria, tristeza... Não tenha medo de se expressar na frente do seu filho, porque isso vai o ajudar a decodificar as emoções.

Dê atenção e espaço para o bebê
Passar um tempo se dedicando integralmente à criança é importante para criar um ambiente emocional saudável e também para perceber o que ela tem a dizer, mesmo que não o faça com palavras. Dê espaço para a criança demonstrar seus sentimentos e suas vontades. Ou seja, você não precisa ficar falando sem parar na frente do seu filho achando que assim ele vai começar a falar mais cedo. Dar espaço para o silêncio também é importante – ele também é uma forma de comunicação.

Cante. Sem medo de desafinar
Além de conversar, cantar pra criança é essencial. A sonorização, a rima e o ato de cantar transformam a fala em brincadeira, e isso comprovadamente ajuda o desenvolvimento da linguagem, do vocabulário e facilita o período de alfabetização. Outro ponto forte das músicas são os refrões porque a repetição prende a atenção das crianças. Permita que seu filho conviva com diferentes sons e melodias. “Muita gente entra naquela discussão de direitos humanos, que ‘atirei o pau no gato’ passa uma mensagem de violência, mas nos primeiros anos para a criança o que importa é a sonoridade”, diz a pedagoga Eliana Santos, diretora pedagógica do Colégio Global (SP).

Leia histórias e poesias
As histórias, além do estímulo que representam à imaginação, aumentam o vocabulário e a curiosidade sobre a linguagem. Os poemas, assim como as músicas, têm ritmo e sonoridade bem acentuados. Comece com os textos de rimas diretas e, aos poucos, vá sofisticando. Vale lembrar que a leitura não pode ser mecânica. Coloque emoção e pontue cada frase.

Explore sinônimos
Quando seu filho perguntar “qual é o nome disso?”, não se contente em dar uma só resposta. Claro que nem todos os sinônimos ela vai memorizar imediatamente, mas no dia a dia procure variar o jeito como você define as coisas. Eliana dá um exemplo divertido que usava em sua própria casa: “Eu falava para lavar as nádegas em vez de bumbum. Aos poucos, a criança vai enriquecendo seu vocabulário.”

Permita a convivência
Conviver com outras crianças é importante. “Quando uma criança convive com a outra, ela observa muito e repete. Essa troca enriquece sua experiência”, afirma Eliana.

Criança aprende brincando
É isso mesmo. Nada de transformar o aprendizado da criança em algo mecânico. Se a criança está se divertindo e fazendo determinada atividade com prazer, ela aprende muito mais rápido. A dica aqui é: entre pela porta que ela abre para você. Ou seja, se ela se mostrou interessada por um livro específico, em vez de forçar a leitura de outro, ajude-a a explorá-lo. Se ela está tímida, não a obrigue a ficar no colo de todos os parentes da festa. E nada de desespero: se você prestar um pouquinho de atenção, vai identificar a vontade do seu filho em determinado momento.

terça-feira, 23 de maio de 2017

MEU FILHO TEM TIQUES: COMO ASSIM?

Manias, todos nós temos. Porém, em alguns casos, essas manias se tornam incontroláveis, podem ser percebidas pelas pessoas ao redor e trazer desconforto e angústia. Falo dos famosos tiques: movimentos involuntários curtos, rápidos, sem intenção, praticamente idênticos e repetitivos, mas não rítmicos. Essse movimentos podem ser suprimidos, mas apenas por um curto período e somente com um grande esforço dos indivíduos.
Embora os tiques geralmente sejam simples e transitorios, podem vir em forma mais complexas e persistentes, com na sindrome de Tourette
Em geral, os tiques são mais comuns na infância e podem ocorrer sozinhos ou serem causados por uma doença, toxina ou um medicamento. Além disso, podem ocorrer como parte de outro distúrbio, como a doença de Huntington, o transtorno obsessivo-compulsivo, algumas infecções ou derrame. 
Estima-se que os tiques afetem cerca de 20 % das crianças em alguma fase da infância e sejam mais comuns e intensos em meninos. Além disso, sabe-se que, por vezes, os tiques podem persistir até a idade adulta, causando constrangimentos e baixa autoestima.
Os tiques podem ser classificados em simples ou complexos. Os tiques nervosos podem ser motores (quando ocorrem contrações como caretas, piscamentos, encolhimento do ombro, etc…) ou vocais (quando ocorre emissão de sons como tosse, grunidos, estalos ou mesmo palavras inteiras).

Os tiques simples, como piscar em excesso, fazer careta ou sacudir a cabeça, podem começar apenas como maneirismos nervosos. Os tiques complexos, como os presentes na síndrome de Tourette, envolvem varias áreas corporais ao mesmo tempo, e geralmente imitam gestos de um comportamento normal.

Do ponto de vista prático, a criança sente uma vontade irresistível de piscar, fazer careta, sacudir a cabeça ou mover-se de qualquer outra maneira. A maioria dos tiques é transitoria, ou seja: o tique desaparece sozinho. Contudo, se forem persistentes ou graves, o uso de sedativos suaves ou medicamentos antipsicóticos indicados pelo neuropediatra podem ajudar bastante.

O tratamento mais incisivo é reservado para os casos mais graves e envolve tanto medidas comportamentais  como medicamentos. Os índices de controle chegam a cerca de 80 %. O uso de medicamentos pode ser eventualmente descontinuado caso o paciente fique um tempo livres dos tiques.


Para ler mais sobre o assunto tiques ou sobre sindrome de Tourette, clique AQUI

domingo, 14 de maio de 2017

Atraso na fala: e agora?

Retirado de: Guia do bebê

Mitos e verdades sobre epilepsia

Trinta por cento da população terá uma crise epiléptica em algum momento da vida. Porém, as epilepsias são um distúrbio neurológico que acomete 1% da população. Caracterizam-se pela presença de duas ou mais crises epilépticas ou, ainda, uma crise epiléptica em um indivíduo com grande predisposição de ter a segunda crise ( probabilidade avaliada pelo neurologista), e suas repercussões emocionais, sociais e cognitivas. Em um grande numero de casos a epilepsia é genética, embora nem sempre herdada da família da mãe e do pai, e cerca de 80% das epilepsias tem início ainda na infância. Seu diagnóstico é clínico, e deverá ser dado por um neurologista. Os exames complementares (tomografia, ressonância, eletroencefalograma, dentre outros) não dão o diagnóstico da doença, mas ajudam a classificar o tipo de epilepsia do indivíduo, o que ajuda no tratamento e nos dá a evolução do quadro e o prognóstico.
Abaixo, o blog responde sobre alguns mitos e verdades sobre epilepsia.


1- O único sintoma de uma epilepsia são as crises epilépticas. MITO!
Há vários tipos de crises epilépticas e vários sintomas que podem aparecer antes, após e durante as crises. Muitos pacientes apresentam tonturas ou dores de cabeças frequentes antes de terem as crises epilépticas. Antes das crises, muitos sentem formigamentos, mal-estar na boca do estômago ou sensações ruins. Após, é comum que as pessoas tenham confusão mental, sonolência, desarticlação da fala, dor de cabeça, enjôos e vômitos, dentre outros.

2- Existem dois tipos de crises da epilepsia: crises parciais (simples e complexas) e crises generalizadas. MITO!
Há diversos tipos de crises epilépticas, sobretudo na infância. Há crises de espasmos, ausências (desconexão breve, de até 20 segundos), mioclônicas ( choques), de perda de tônus ( atônicas). Há as crises tônico-clônicas generalizadas, em que as descargas elétricas anômalas acometem todo o cérebro, causando a perda de consciência e sintomas que variam de abalos de todo o corpo, postura tônica, e até atonia (onde há um relaxamento global de todos os músculos). Há também as crises parciais, em que apenas uma porção do cérebro é acometido, sendo que este tipo é dividido em: parciais simples, com sintomas apenas motor, visual ou de mal-estar, sem afetar a consciência; e crises parciais complexas, quando há acometimento do controle motor ou visual e também alguma alteração na consciência, mas não a sua perda, como acontece com as crises generalizadas.

3- Ao se deparar com uma pessoa tendo uma crise epiléptica, deve-se colocar a mãe na boca e segurar a língua para que ela não engasgue. MITO!
A recomendação é proteger a cabeça destes indivíduos, afastá-lo de objetos e móveis que possam machucá-lo e deixá-lo se debater livremente até que a crise passe. Não se deve NUNCA colocar a mão ou o dedo na boca do paciente e, como há salivação intensa, deve-se manter o corpo de lado para evitar que o paciente se sufoque com a própria saliva. 



4- O tratamento da epilepsia pode ser medicamentoso ou cirúrgico. VERDADE!
O tratamento convencional para a epilepsia é por via medicamentosa, com uso das chamadas drogas antiepilépticas (DAE), eficazes em cerca de 70% dos casos (há controle das crises) e com poucos efeitos colaterais. Quando não houver controle destes sintomas, outros tratamentos possíveis são a dieta cetogênica, a cirurgia e a estimulação do nervo vago. No entanto, apenas o neurologista, analisando o caso, poderá indicar o tratamento apropriado para o paciente.

5- Paciente de epilepsia não consegue levar uma vida normal, devido às crises da doença. MITO!
O paciente com epilepsia tem vida normal, e boa parte das crianças com epilepsia consegue retirar a medicação e ficar livre das crises antes da adolescência.Mesmo usando medicações, o portador de epilepsia, em geral, consegue estudar, trabalhar, se divertir, integrar-se socialmente, dirigir, casar e ter filhos.

6- A epilepsia não é transmitida pelo ar ou contato físico. VERDADE!
A epilepsia é um distúrbio neurológico, não sendo transmitida pelo contato físico ou pelo ar.

7- Informação e conscientização ajudam a diminuir preconceitos em relação à doença e seus portadores. VERDADE!
Infelizmente, a epilepsia ainda gera muitos mitos e dúvidas entre a população, chegando também a atos de preconceitos que poderiam ser evitados pela informação e conhecimento da doença.

8- A epilepsia é mais prevalente em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. VERDADE!
A subnutrição da mulher e a não realização do pré-natal, realidades muito frequentes ainda em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, podem desencadear o surgimento da epilepsia na criança. Condições inadequadas de higiene podem facilitar infecções durante o pré-natal, e ser uma atenuante no desenvolvimento do cérebro do bebê. Por isso, vale lembrar que a ocorrência da epilepsia regiões subdesenvolvidas e/ou em desenvolvimento sugere que a falta de higiene pode ser uma causa peculiar da epilepsia.
9- Diversas personalidades importantes da história da arte, música e literatura tiveram epilepsia e eram verdadeiros gênios, reforçando que a epilepsia não impede que a pessoa portadora da doença leve uma vida normal. VERDADE!
Apesar do estigma, os pacientes com epilepsia têm uma vida ativa, como tiveram Vincent van Gogh, Fiódor Dostoiévski e Machado de Assis, grandes nomes da artes e literatura que eram portadores da doença

sábado, 6 de maio de 2017

AVALIANDO O PERÍMETRO CEFÁLICO

Retirado do Portal Educação: para ler na pagina original, clique aqui



Segundo o Ministério da Saúde (2002) consiste na avaliação do crescimento da cabeça e do cérebro,
deve ser utilizado como parâmetro nos dois primeiros anos de vida, já que, após este período, o crescimento é muito lento não podendo ser considerado parâmetro para avaliação nutricional.

Mesmo não sendo considerado por muitos como um parâmetro de avaliação nutricional após os dois ou três anos de idade, alguns estudos investigativos estão sendo feitos e alguns critérios avaliativos do crescimento ainda incluem a medicação do perímetro cefálico como necessária até os seis anos de idade da criança.

Segundo Engel (2002) o perímetro cefálico deve ser verificado por meio da seguinte técnica:
- Preferencialmente utilizar fita métrica de papel ou de metal flexível, já que a fita métrica flexível pode esticar;
- Colocar a fita em torno da cabeça da criança, passando pelos pontos imediatamente acima das sobrancelhas e orelhas, e em torno da saliência occipital;
- Nos casos em que a circunferência da cabeça está sendo verificada diariamente, a cabeça deverá ser marcada nos pontos principais, para que não haja inconsistência nas medidas;
- Se a circunferência da cabeça do bebê está acima do normal ou abaixo do normal, uma avaliação mais detalhada é necessária;
- Crianças com circunferência cefálica pequena podem indicar craniossinostose ou microcefalia, sendo que bebês nascidos de mães usuárias de cocaína ou álcool podem ter circunferências cefálicas menores.

Segundo Junior (2005) a craniossinostose é definida como o fechamento prematuro das suturas do crânio. Filho (2005) descreve como um grupo de condições heterogêneas de diferentes características clínicas, genéticas e moleculares, com uma incidência aproximada de 1 em 1.800 recém-nascidos.

Jelliffe & Jelliffe (1989) recomendam fixar a cabeça da criança, colocar a fita métrica firme em torno do osso frontal sobre o sulco supraorbital, passando-a ao redor da cabeça, no mesmo nível de cada lado, e colocando-a sobre a proeminência occipital máxima.

Segundo Kenner (2001) a circunferência média encontrada em um recém-nascido normal está em torno de 32 a 35 cm. A tabela abaixo demonstra o crescimento normal do perímetro cefálico (cm/mês):

Idade    Perímetro Cefálico (cm/mês)
0 – 3 meses    2 cm ao mês
3 – 6 meses    1 cm ao mês
6 – 9 meses    0,5 cm ao mês 
9 – 12 meses  0,5 cm ao mês 
1 – 3 anos       0,25 cm ao mês 
4 – 6 anos       1 cm ao ano


Para realizar a avaliação e acompanhamento da criança e o crescimento do perímetro cefálico utiliza-se um gráfico. Este gráfico está presente na Caderneta de Saúde da Criança, Ministério da Saúde (2005) e a cada consulta de puericultura, após a aferição das medidas é feita o registro do valor encontrado.

O gráfico utilizado para acompanhamento do perímetro cefálico é composto por uma linha vertical que indica os centímetros encontrados e uma linha horizontal que representa a idade da criança em meses. A linha vertical que indica os centímetros de PC inicia em 30 cm e termina em 52 cm. A linha horizontal que indica a idade em meses inicia em zero e termina em 2 anos, sendo que a cada ano são contados como 12 meses. Na Caderneta de Saúde da Criança existem dois gráficos para acompanhamento do crescimento cefálico, um deles refere-se à menina e o outro ao menino. O acompanhamento sugerido pelo Ministério da Saúde, expresso na Caderneta a Avaliação, inicia-se ao nascer e tem continuidade até os dois anos de idade da criança. O seguinte representa o Gráfico de Perímetro Cefálico de 0 a 2 anos em Meninas:

FONTE: Caderneta de Saúde da Criança – Ministério de Saúde (2005). Desta forma, todas as vezes que for mensurado o perímetro cefálico da criança, anota-se o valor encontrado e a idade da criança naquele momento. Com auxílio de uma régua e uma caneta registra-se por meio de um ponto; conforme a próxima consulta faz-se a união dos pontos e com isso a visualização da evolução do crescimento do perímetro cefálico.

Este gráfico é baseado em resultados de uma amostra de população estudada, constituindo-se em um referencial, ou seja, um conjunto de dados construídos com indivíduos de outra população. Neste caso, está expresso como padrão o elaborado pela National Center of Health Statistics - NCHS (1977 -1978).

Na avaliação deste gráfico é importante ter em mente o uso do percentil que se conceitua como uma medida da posição relativa de uma unidade observacional em relação a todas as outras. Observando o gráfico acima é possível identificar que a faixa amarela que se encontra entre os Percentis 10 e 90, ou seja, P10 e P90 indicam um estado de normalidade de crescimento do perímetro cefálico.

Abaixo o Gráfico de Perímetro Cefálico de 0 a 2 anos dos Meninos:

FONTE: Caderneta de Saúde da Criança – Ministério da Saúde (2005).