Um espaço para informação e troca de idéias sobre os problemas neurológicos mais comuns na infância. Aqui, serão abordados os problemas mais comuns do dia-a-dia de um neuropediatra, de forma a orientar os pais e cuidadores. Alerta: o blog é voltado para os pacientes da Clínica e seus pais, e não tem o intuito de orientar pais que estão navegando na internet a procura de diagnósticos ou tratamentos para seus filhos. Para isso, procure o seu médico.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Estudar música aumenta capacidade de aprendizagem das crianças
Há uma série de evidências de que crianças que aprendem a tocar um instrumento musical na infância têm ganhos significativos em habilidades motoras, auditivas e no desenvolvimento da linguagem ( fala, leitura e escrita - anota aí ) e que também são utilizadas em diversas outras situações do dia-a-dia. Além disso, as pesquisas já demonstraram que o aprendizado musical na infância aumenta o desempenho em múltiplas dimensões cognitivas como habilidades espaciais, matemáticas, de linguagem verbal, e até mesmo uma associação com maior QI e desempenho acadêmico na idade adulta já foi descrita.
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| Rock´n roll baby! |
No corrente ano de 2013, uma pesquisa realizada na Concordia University (EUA) e publicada no Journal of Neuroscience acaba de reafirmar que estudar música e aprender a tocar um instrumento musical antes dos 7 anos de idade pode sim aumentar a capacidade intelectual das crianças e também suas capacidades motoras, a partir de alterações duradouras na estrutura e funcionamento cerebral.
O estudo foi realizado com a participação de 36 músicos, que foram submetidos a um período de atividade musical e, em seguida, a uma ressonância magnética para perceber quais os efeitos despertados no cérebro. Os voluntários tinham os mesmos anos de experiência, mas metade deles tinha iniciado a sua formação musical antes dos sete anos, sendo que os restantes começaram em idades mais avançadas.
| Ritmo: útil na música, na fala e na leitura |
Os pesquisadores responsáveis pelo estudo revelaram que basta apenas 15 meses de aprendizagem durante a fase inicial da infância para que o cérebro alcance um desenvolvimento mais complexo. De fato, o cérebro humano tem uma grande capacidade de se modificar em resposta às exigências do ambiente. E o que parece dom ou capacidade inata, pode muitas vezes ser o resultado de uma diferença estrutural em áreas cerebrais mais estimuladas e, por plasticidade cerebral, modificadas como resposta ao ambiente.
E você achando que a gente nascia esperto, burro, inteligente, bobo, capaz ou não e tinha que aceitar, porque não dava para fazer nada, hein? Então pense de novo, amigão. E rápido!
Para terminar, uma música sobre sonhos e frustrações (Mr Jones, Counting Crows)
"So you wanna be a rock´n roll star, well listen now to what I say: just get an electric guitar and take some time learning how to play"
Carinho dos pais molda o cérebro das crianças
Do site: iG Delas
Autora: Fernanda Aranda
- para o iG São Paulo
O cérebro não nasce pronto. Além da genética, as experiências vivenciadas nos primeiros três anos de vida são determinantes – até mais do que os genes - para moldar o funcionamento cerebral diante de situações estressantes, desafiadoras e frustrantes.
Quem avisa é a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, uma das principais estudiosas da “mente das crianças” do País. Segundo ela, dados científicos comprovam que o carinho dos pais, recebido na primeira infância (período entre 0 e 5 anos), é o grande responsável por reações cerebrais - às vezes só manifestadas na vida adulta.
Em palestra realizada na sede da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (entidade que elabora programas voltados à população infantil), em São Paulo, Suzana explicou como as doses de afeto são receitas de sucesso para arquitetar um cérebro sadio no presente e no futuro. “Receber ou não carinho modifica para sempre como o cérebro vai reagir diante do estresse e da frustração”, afirma.
A formação do cérebro
“As crianças não são adultas por dois motivos principais: o primeiro é que elas não têm a experiência trazida com o passar dos anos. O segundo fator é o cérebro infantil. O órgão não nasce pronto, é menor e mais leve do que o cérebro de um adulto. Até o terceiro ano de vida, é o período em que o cérebro mais cresce e ganha peso. Uma das explicações para o crescimento cerebral é que, neste intervalo de anos, há maturação das conexões entre os neurônios, o que faz o peso da massa encefálica aumentar, ficar mais densa. Este processo é determinante para o bom funcionamento do cérebro.
Durante este amadurecimento cerebral, a criança tem uma capacidade de aprendizado rápida e impressionante. É o período em que elas aprendem a detectar sons, enxergar e constituir habilidades, das mais variadas. Por exemplo: todos nascemos com plena capacidade de aprender qualquer idioma. Capacidade esta que vamos perdendo ao longo da vida.”
Influências na formação cerebral
“Este período de crescimento do cérebro é chamado de período crítico. Todo e qualquer processo de aprendizado, sendo criança ou adulto, exige a repetição, por meio da tentativa e do erro. Mas nos primeiros anos de vida, o cérebro compreende mais rápido como reagir, sem precisar de tantas tentativas assim. Para criar um comportamento e uma reação padrão diante de algum estímulo - que pode ser um barulho, um estresse, uma sensação de medo, de solidão ou de felicidade - não é preciso repetir tantas vezes.
Neste contexto, é claro que a genética influencia em nossas habilidades e características. Mas a vivência da criança e os exemplos que ela tem dentro de casa são fundamentais para a criação deste comportamento. A capacidade de linguagem de uma criança, por exemplo, é intimamente ligada ao vocabulário da mãe, às palavras que ela fala com o bebê, só para citar um exemplo da influência do ambiente no desenvolvimento do cérebro infantil.”
Então, carinho neles!
O poder do carinho
“Sabendo desta influência tão significativa do exemplo no período de aprendizagem, o estímulo dos pais dados à criança durante a primeira infância é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de habilidades. Não só isso. O comportamento também é moldado nesta fase. Se a mãe faz de qualquer probleminha um problemão, o cérebro da criança aprende a reagir de forma estressada a qualquer situação. Isso significa que o perfil de reação ao estresse na fase adulta é aprendido e traçado na infância. São vários fatores que moldam esta reação cerebral. Pode ser influenciada, negativamente, por violências físicas ou verbais vivenciadas logo nos primeiros anos de vida. Uma mãe que grita demais ou age em descontrole passa a mensagem para o filho de que ele deve agir desta maneira quando não conseguir fazer alguma coisa.
A boa notícia é que o carinho também molda o cérebro. São várias pesquisas científicas que compravam o carinho físico, o toque e o contato como um moldador cerebral que torna a criança mais hábil e com o sistema de proteção orgânico mais forte. Isso acontece por causa da ocitocina, um hormônio altamente influente na formação cerebral, que é produzido durante a amamentação e liberado também no abraço, no beijo, na massagem. A ocitocina é responsável por fazer com que o cérebro produza a capacidade de vínculo e acalma todas as partes cerebrais acionadas em situações estressantes. O que é uma ótima prevenção da ansiedade e outros transtornos de comportamento que, às vezes, só se manifestam na vida adulta. Receber ou não carinho modifica para sempre como o cérebro vai reagir diante do estresse e da frustração. Mas apesar de ser muito mais marcante na infância, o carinho sempre influencia. Nunca é tarde para começar.”
sábado, 13 de abril de 2013
Orientações aos pais de crianças com TDAH: como ajudar em casa
O TDAH é um distúrbio neuropsiquiátrico que envolve tratamento medicamentoso, associado a intervenções fonoaudiológicas, psicopedagógicas, de terapia ocupacional e psicológicas, dentre outras. Contudo, paralelamente aos atendimentos clínicos, os pais devem estabelecer cuidados em casa sob pena de atrapalhar todo o tratamento da criança.
Todos juntos!
Abaixo, algumas posturas e cuidados dos pais que podem auxiliar o desempenho acadêmico da criança com TDAH e melhorar seu comportamento no ambiente familiar:
1- Criar um ambiente de apoio, amor e amizade, que se manifestem através de palavras e atitudes.
2- Conversar sempre, diariamente, sobre as dificuldades e problemas da criança, tentando sempre auxiliá-la a superar todas as dificuldades de seu dia-a-dia.
3- Permitir e ajudar a criança a expressar seus sentimentos.
4- Se expressar de forma clara e não ofensiva. Seja sempre firme, mas nunca oprima ou ofenda a criança. Respeito ao próximo se aprende em casa: uma criança desrespeitada, ofendida ou agredida, repete estas atitudes na escola. Resolver com castigos e restrições é esperado; mas nunca com palmadas ou ofensas verbais.
5- Explicite sempre o que é aceitável e inaceitável no convívio familiar, escolar e social. Deve sempre haver recompensa por um bom comportamento; as punições por mau comportamento devem ser ocasionais.
6- As regras de comportamento familiar devem ser bem explicadas; pregar lembretes e cartazes sempre é útil.
8- Os brinquedos e jogos dados devem sempre estimular as atividades motoras, manuais ou intelectuais da criança. Jogos de memória, xadrez ou correlatos são bem vindos.
9- Estimule sempre o desenvolvimento de linguagem da criança! Na pré escola, corrija sempre quando a criança falar errado ( apenas uma vez, calma e pausadamente); brincadeiras com músicas e rimas são ótimas pedidas. Na fase escolar estimule a leitura sempre. Na fase escolar, estimule a leitura sempre. Não, não está errado: na fase escolar, estimule a leitura sempre! Não deixe de comprar revistas e livros porque " a criança não lê mesmo".Uma dica: monte um calendário para avaliar a criança diariamente. Dê a ela TODOS OS DIAS, de segunda a segunda, um pequeno texto, tirinha, história em quadrinhos ou fragmento de texto e peça que ela leia, interprete e te conte a história. Nada que demore mais do que 10 minutos para ela ler. Comece com coisas simples como tirinhas de quadrinhos e aumente a complexidade do texto com o passar do tempo. A cada atividade realizada e bem completada, marque uma estrelinha no dia correspondente no calendário. Do contrário, marque um x, ou coloque uma carinha feia. Ao final do mês, caso a criança tenha menos do que três marcações de x nos 30 dias avaliados, permita que ela escolha um presente de até 20, 30 reais, de sua escolha. É seu prêmio da vitória: comemore com ele mensalmente.
Leia com seu filho. Sempre!
10- Monte quadros de horários para a criança( exemplo na postagem de 2 de janeiro de 2012 neste blog)
11- Marque horários para as atividades com períodos pequenos inicialmente, e vá aumentando com o passar dos dias
12- Crianças que tem professora particular devem fazer seu Para Casa antes, para corrigí-lo com a professora.
13- Motive a criança a participar de atividades esportivas; o esporte ajuda na consciência corporal, na coordenação motora, diverte e ensina ( com suas regras bem definidas) a criança a ter noções de responsabilidade e vida em sociedade.
14- Converse frequentemente com os professores e profissionais que auxiliam a criança
15- Persista! Os resultados positivos são lentos e gradativos. Comemore as pequenas mudanças no comportamento com a criança
16 Evite discutir sobre comportamentos inadequados na presença de parentes pouco próximos, visitas, colegas e amigos
17-Dê exemplo! Os modelos da criança são seus pais: se a mãe não gosta de ler e o pai só quer saber da TV, não adianta cobrar estudo e leitura da criança... Lembrem-se disto.
18- Os pais são, ambos, os grandes treinadores dos filhos. É fundamental que se tenha concordância entre o casal sobre todas as regras, prioridades e normas disciplinares. A responsabilidade deve ser dividida.
19- Quem tem autoridade não precisa de ser autoritário. É importante ensinar e mostrar como fazer antes de cobrar
20- Elogie todas as conquistas e progressos da criança! Seja compreensivo, preocupado e gentil, quando ele estiver aborrecido
21- Diminua ao máximo o tempo de TV. Substitua por trabalhos ou brinquedos em família, passeios e prática esportiva.
22-Monte uma rotina geral para seu filho! Horário para dormir, acordar e se alimentar é o mínimo que se deve cobrar de uma criança. Combine, sempre que possível, um horário fixo diário para os estudos.
23- Explique sempre para as crianças as vantagens do estudo. É importante que seu filho entenda e compreenda a importância do estudo em sua vida
24- Cobre e premie sempre o empenho. Empenho em se comportar melhor, em estudar, em seguir as regras. Nunca premie notas ou resultados. Os resultados tem variáveis que fogem do controle dos individuos e são, quando analisados isoladamente, sempre enganosos.
25- As regras para as premiações e os prêmios devem ser pré-estabelecidas de forma clara. Mas não se esqueça: valorize o processo, o empenho, o esforço, a rotina, nunca o resultado.
26- Evite supervalorizar as notas da criança. Elas podem ser um parâmetro, mas não significam sucesso nem tampouco fracasso. Uma nota boa significa muito pouco. Uma nota ruim sinaliza apenas a necessidade de se montar novas estratégias para que estas possam mostrar os progressos.
27- Reforce sempre a autoconfiança e a autoestima da criança
28- Rotina! ( de novo!) Rotina! Repetição! Rotina! Estudar deve ser uma rotina diária. Não há mais espaço para o “estudo antes das provas” como ocorria anos atrás: a cobrança sobre o comportamento e desempenho escolar das crianças hoje é muitíssimo maior que há 10, 15 anos atrás. Caso a criança não consiga ficar muito tempo estudando, faça dois horários diários, e nesse intervalo introduza alguma atividade prazerosa ou um horário para o descanso. Aumente o tempo para a tarefa escolar gradativamente.
29 - O local de estudo deve ser agradável: arejado, limpo, organizado e com poucos estímulos externos.
30 - Ame o seu filho acima de tudo, e dedique sempre, diariamente, um tempo para demonstrar isso a ele. Ajude-o!
É assim que se faz!
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TDAH e metilfenidato
quarta-feira, 10 de abril de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
Carinho dos pais ajuda a moldar o cérebro das crianças
Reportagem completa aqui:
“Sabendo desta influência tão significativa do exemplo no período de aprendizagem, o estímulo dos pais dados à criança durante a primeira infância é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de habilidades. Não só isso. O comportamento também é moldado nesta fase. Se a mãe faz de qualquer probleminha um problemão, o cérebro da criança aprende a reagir de forma estressada a qualquer situação. Isso significa que o perfil de reação ao estresse na fase adulta é aprendido e traçado na infância. São vários fatores que moldam esta reação cerebral. Pode ser influenciada, negativamente, por violências físicas ou verbais vivenciadas logo nos primeiros anos de vida. Uma mãe que grita demais ou age em descontrole passa a mensagem para o filho de que ele deve agir desta maneira quando não conseguir fazer alguma coisa."
sexta-feira, 1 de março de 2013
Ritalina não melhora concentração de jovens que não tem TDAH
São Paulo - O desempenho da memória e da atenção de jovens saudáveis não é alterado após o consumo de Ritalina, medicamento indicado para pessoas diagnosticadas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. A conclusão é resultado de pesquisa do Departamento de Psicobiologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.
O metilfenidato (que recebe o nome comercial de Ritalina ou Concerta), quando aplicado corretamente, tanto em crianças, quanto em adultos, melhora a atenção e os níveis de concentração. No entanto, de acordo com a pesquisa, não foram observadas diferenças nas funções cognitivas dos indivíduos sadios.
Os 36 homens participantes do teste, com idade entre 18 anos e 30 anos, foram divididos em dois grupos, e apenas um deles recebeu o medicamento verdadeiro. Após isso, todos foram submetidos a uma série de testes cognitivos, que avaliaram diferentes tipos de atenção e de memória, além de algumas funções executivas, como planejamento.
Comparamos o desempenho entre aqueles que tomaram a medicação e os que não tomaram. Não houve diferença no desempenho. A gente chegou à conclusão de que sendo os jovens saudáveis, tendo um funcionamento cognitivo saudável, a Ritalina não tem potencial benéfico como o apresentado no caso de pessoas com transtorno de déficit de atenção”, disse a coordenadora do estudo, Silmara Batistela.
Ela alerta que a droga só pode ser comprada com receita, mas, muitas vezes, é adquirida no mercado negro e consumida indiscriminadamente. “Há muitos relatos de pessoas que conseguem fazer a compra dessa medicação até pela internet, em fórum de concurseiros”, destaca.
De acordo com Batistela, as pessoas normalmente usam a droga para passar a noite estudando para uma prova, porque a Ritalina é um estimulante do sistema nervoso central. “A pessoa vai conseguir ficar a noite inteira acordada, mas a atenção dela não estará melhor, e ela não vai lembrar mais do conteúdo no dia seguinte”.
O professor de psiquiatria Dartiu Xavier da Silveira, ressalta, no entanto, que a droga pode provocar efeitos colaterais e dependência. “O problema é fazer alterações no ciclo de sono, o que provoca uma bagunça no funcionamento do cérebro. Outro risco é causar dependência. E, se o indivíduo exagerar na dose, mesmo com o coração saudável, pode ter uma arritmia”.
Atitudes simples adotadas no dia a dia podem favorecer o bom funcionamento do cérebro, como ter uma boa alimentação e praticar exercícios físicos. Dormir bem é fundamental para a atenção e concentração.
Do site : INFO
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Os malefícios do andador!
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou, nesta semana, uma campanha para acabar com um hábito visto como inofensivo por boa parte das famílias no país: o uso do andador infantil.
“O andador é um equipamento que só traz prejuízos, seja pela sua absoluta inutilidade no processo de aquisição da marcha, seja pelos grandes riscos à segurança, como os riscos de traumatismos cranianos potencialmente letais, queimaduras, intoxicações e até afogamentos”, afirma a entidade em nota oficial assinada por seu presidente, Eduardo Vaz, e pelo presidente de seu departamento científico de segurança, Aramis Antonio Lopes Neto.
A SBP alega ainda que não há evidências de quaisquer benefícios ligados aos andadores e, por isso, seus cerca de 16 mil pediatras associados devem contraindicar para os pais de seus pequenos pacientes o uso do acessório. E, caso eles cheguem ao consultório com o hábito já em vigor, a SBP instrui que os médicos recomendem a destruição do andador.
Acidentes graves
O posicionamento contra o andador também adotado pela Academia Americana de Pediatria e da Aliança Europeia pela Segurança Infantil, além do exemplo do Canadá, onde é proibida a venda dos equipamentos, dão força à campanha brasileira. Entretanto, para a Associação Brasileira de Produtos Infantis (Abrapur), a campanha é um exagero.
“O bebê corre riscos de diversas maneiras, independentemente de onde ele estiver. A supervisão do adulto é sempre necessária. Que se criem normas de segurança e se regulamente a produção dos andadores no Brasil, mas pensar em abolir seu uso é extremista demais”, defende Elio Santini Jr., membro do conselho administrativo da associação. “Já houve normatização dos berços, das cadeirinhas para carros, dos carrinhos de bebê. O andador pode ser o próximo. Tornando o produto mais seguro, não vejo por que proibi-lo”, completa.
Apoiando a campanha da SBP, a pediatra Clarice Blaj Neufeld, professora-assistente do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo e mestre em pediatria pela Faculdade de Medicina da mesma instituição, é contra os andadores. “Já atendi criança com fratura no crânio porque havia caído escada abaixo presa no andador. A irmãzinha chegou perto demais e o menino não conseguiu se controlar dentro daquele aparelho. Os acidentes são sempre muito mais graves em um andador do que seriam se a criança estivesse solta no chão”, conta.
O risco de acidentes não é o único motivo que leva pediatras a desaconselhar o uso do aparelho. Paulo Fontella Filho, pediatra especializado pela Universidade Católica de Pelotas (UCPEL), alerta também para as desvantagens dos andadores em relação ao desenvolvimento psicomotor da criança: “Ela leva mais tempo para ficar em pé e caminhar sem apoio, tem a importantíssima etapa do engatinhar encurtada e pode desenvolver ‘pés de bailarina’, ou seja, caminhar nas pontas dos pés por um tempo, porque dificilmente o ajuste dos andadores será perfeito para sua altura”, enumera. “Além disso, é perigoso. Não posso recomendar um aparelho que traga tantos prejuízos para uma criança”, diz.
Leia a matéria no IG
domingo, 20 de janeiro de 2013
Epilepsia: 7 mitos e verdades sobre a doença
Por MADSON MORAES
Ela não é uma doença, mas, sim, um conjunto de doenças. Seu diagnóstico não é difícil, mas seus sinais costumam assustar as pessoas que presenciam. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a epilepsia é uma doença neurológica que afeta cerca de 2% da população mundial e cerca de 5% da população terá, ao menos, uma crise na vida.
No Brasil, ainda existe um grande número de pacientes sem controle adequado de crises tanto por parte dos profissionais da área da saúde como por desinformação das próprias pessoas. Um dos seus sinais mais evidentes é a pessoa caindo ao chão, se contorcendo e "babando". Por isso, o preconceito cultural e ignorância sobre a doença resistem nas pessoas.
Na Idade Média, por exemplo, a doença era relacionada com a doença mental e tida como doença contagiante, o que persiste até hoje entre pessoas desinformadas. Associava-se com uma possível "possessão demoníaca" e, dessa forma, se tentava curar esse mal por meios de rituais religiosos. Acreditava-se, ainda, que aquela a saliva durante a convulsão podia transmitir a doença. Isso é um mito.
"A epilepsia não é uma doença contagiosa. O contato com a saliva do paciente de maneira alguma torna a outra pessoa epiléptica. No entanto, a saliva pode transmitir (mesmo que raramente) algumas doenças infecciosas. Por isso, não é recomendado o contato desnecessário com a saliva de um desconhecido sem mecanismos de proteção", explica o neurologista Leandro Teles.
A doença não é contagiosa e pode surgir em qualquer idade. "É preciso estabelecer a causa exata das crises para estabelecer a melhor conduta. As causas vão desde doenças estruturais como neurocisticercose, derrames, tumores e sequela de acidentes até predisposição genética", explica. É preciso que a pessoa tenha mais de duas crises sem uma razão aparente para ser caracterizado um estado epilético.
O paciente com epilepsia pode levar uma vida normal? Claro, garante o médico. "Pacientes bem controlados podem e devem trabalhar, praticar esportes, casar, ter filhos etc. Até mesmo dirigir o paciente pode após 2 anos de controle e bom seguimento clínico", explica o neurologista.
O Sistema Único de Saúde (SUS) presta assistência e fornece medicamentos para tratamento aos portadores de doença neurológica como está previsto na Portaria GM/MS nº. 1.161, que instituiu a Política Nacional de Atenção ao Portador de Doença Neurológica. Para a solicitação desses medicamentos, o paciente ou seu responsável deve efetuar cadastro em estabelecimentos de saúde vinculados às unidades públicas.
Mais informações?
Cilque aqui embaixo:
Epilepsia: 7 mitos e verdades sobre a doença
Vale a leitura: a formação emocional e cognitiva da criança
Texto do economista Teco Medina, sobre a educação dos filhos.
Retirado do antigo blog do fim do expediente:
Meu pai
Postado por Luiz Gustavo Medina em
30 de outubro de 2008 às 15:23
1 – Como sabem estou escrevendo uma coluna que mistura finanças e família na revista da Mara Luquet
2 – Como não agüentam mais saber, esse ano foi meu primeiro dia das crianças do outro lado do balcão.
Estava “travado” para escrever a coluna desse mês que conseguisse como me pediram, misturar finanças, meu lado filho e meu lado pai. Além do desproporcional tempo das atividades, estamos falando de outra época, de outras possibilidades e por isso nada se encaixava.
Até que exatamente no dia das crianças a mesa ao lado salvou minha coluna, salvou meu mundo e talvez o futuro da minha filha. Em 30 minutos um casal “moderno” me deu a coluna pra revista que sai semana que vem, me deu um norte pra filha que eu pretendo ter e me fez ser imensamente grato ao que fizeram comigo quando eu era criança.
Lá eu não podia dedicar a ninguém, aqui eu posso. Então esse texto é apenas uma homenagem aos verdadeiros bons pais, que ufa, eu tive.
Domingo, 12 de outubro, no restaurante do Clube Athletico Paulistano, um menino com quatro super-heróis na mão reclama pra mãe porque não havia recebido também o homem aranha.
Eu (economista) e minha mulher (psicóloga) comemorando nosso primeiro dia das crianças aproveitamos para brincar sobre o tipo de educação que gostaríamos de dar a nossa filha. Esse exercício é muito fácil nos outros. Decidir para o seu, nem sempre. Nossa vantagem é que pela minha teoria número um, economia e psicologia, são as profissões mais complementares do mundo, algo como o arroz e o feijão para os brasileiros.
No momento em que o menino começa a gritar, o pai resolve ir ao banheiro e começa o memorável “econômico – psicólogo” diálogo:
Mãe: Filho, você devia estar feliz em ter ganhado QUATRO presentes hoje. Na sua idade eu não ganhava nenhum e tem muita criança que não ganhou nada hoje.
Filho: Mas eu queria justamente o homem aranha e já que me deram quatro, porque não me deram mais um. O que custava ?
Mãe: Se a gente tivesse comprado cinco, você ia querer seis. Nunca fica satisfeito !!!!
Menino se atirando no chão, arremessando o Batman pra longe e acordando minha filha: EU QUERO O HOMEM ARANHA AGORA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mãe pegando o filho a força e berrando: Presta atenção. Brinquedo custa caro, a gente comprou quatro e acabou o nosso dinheiro, entendeu ?? NÃO TEMOS MAIS DINHEIRO, OUVIU ???
Filho: A gente não pode vender o papai ???
Quando o pai volta, o filho está de castigo, sem os brinquedos e toda a história é relatada. O pai culpa a mãe porque o filho é mimado; a mãe culpa o pai porque ele é ausente. Depois de muito brigarem, tomam a decisão mais simples: colocam a culpa no menino e pedem a sobremesa.
Quase me meti, mas não tive coragem, em todo caso seguem alguns dados que colhi de algumas pesquisas que estudam o comportamento de crianças, pais e afins:
1 – Uma criança com acompanhamento escolar dos pais em uma escola ruim, aprende mais do que uma criança na melhor escola da cidade, sem acompanhamento dos pais.
2 – Os pais mais ausentes tendem a dar mais presentes, mais mesadas e fazer mais concessões aos seus filhos ?
3 – Quanto mais horas os pais trabalham, mais televisões a casa possui (será que é para cada um ficar no seu canto ?)
Tem muito mais coisa que na cabe nessa coluna como a necessidade desenfreada de ficar tendo sempre a coisa mais moderna e com isso cria nas crianças uma permanente insatisfação porque sempre FALTA algo.
Já que essa é uma revista de finanças darei minha última opinião: tenham certeza que é mais barato e muito melhor vocês SE darem de presente aos seus filhos do que comprarem tudo para eles.
Naquele dia das crianças, na mesa ao lado, o super-herói que faltava para aquele menino, não era o homem aranha, era o seu próprio pai.
2 – Como não agüentam mais saber, esse ano foi meu primeiro dia das crianças do outro lado do balcão.
Estava “travado” para escrever a coluna desse mês que conseguisse como me pediram, misturar finanças, meu lado filho e meu lado pai. Além do desproporcional tempo das atividades, estamos falando de outra época, de outras possibilidades e por isso nada se encaixava.
Até que exatamente no dia das crianças a mesa ao lado salvou minha coluna, salvou meu mundo e talvez o futuro da minha filha. Em 30 minutos um casal “moderno” me deu a coluna pra revista que sai semana que vem, me deu um norte pra filha que eu pretendo ter e me fez ser imensamente grato ao que fizeram comigo quando eu era criança.
Lá eu não podia dedicar a ninguém, aqui eu posso. Então esse texto é apenas uma homenagem aos verdadeiros bons pais, que ufa, eu tive.
Domingo, 12 de outubro, no restaurante do Clube Athletico Paulistano, um menino com quatro super-heróis na mão reclama pra mãe porque não havia recebido também o homem aranha.
Eu (economista) e minha mulher (psicóloga) comemorando nosso primeiro dia das crianças aproveitamos para brincar sobre o tipo de educação que gostaríamos de dar a nossa filha. Esse exercício é muito fácil nos outros. Decidir para o seu, nem sempre. Nossa vantagem é que pela minha teoria número um, economia e psicologia, são as profissões mais complementares do mundo, algo como o arroz e o feijão para os brasileiros.
No momento em que o menino começa a gritar, o pai resolve ir ao banheiro e começa o memorável “econômico – psicólogo” diálogo:
Mãe: Filho, você devia estar feliz em ter ganhado QUATRO presentes hoje. Na sua idade eu não ganhava nenhum e tem muita criança que não ganhou nada hoje.
Filho: Mas eu queria justamente o homem aranha e já que me deram quatro, porque não me deram mais um. O que custava ?
Mãe: Se a gente tivesse comprado cinco, você ia querer seis. Nunca fica satisfeito !!!!
Menino se atirando no chão, arremessando o Batman pra longe e acordando minha filha: EU QUERO O HOMEM ARANHA AGORA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mãe pegando o filho a força e berrando: Presta atenção. Brinquedo custa caro, a gente comprou quatro e acabou o nosso dinheiro, entendeu ?? NÃO TEMOS MAIS DINHEIRO, OUVIU ???
Filho: A gente não pode vender o papai ???
Quando o pai volta, o filho está de castigo, sem os brinquedos e toda a história é relatada. O pai culpa a mãe porque o filho é mimado; a mãe culpa o pai porque ele é ausente. Depois de muito brigarem, tomam a decisão mais simples: colocam a culpa no menino e pedem a sobremesa.
Quase me meti, mas não tive coragem, em todo caso seguem alguns dados que colhi de algumas pesquisas que estudam o comportamento de crianças, pais e afins:
1 – Uma criança com acompanhamento escolar dos pais em uma escola ruim, aprende mais do que uma criança na melhor escola da cidade, sem acompanhamento dos pais.
2 – Os pais mais ausentes tendem a dar mais presentes, mais mesadas e fazer mais concessões aos seus filhos ?
3 – Quanto mais horas os pais trabalham, mais televisões a casa possui (será que é para cada um ficar no seu canto ?)
Tem muito mais coisa que na cabe nessa coluna como a necessidade desenfreada de ficar tendo sempre a coisa mais moderna e com isso cria nas crianças uma permanente insatisfação porque sempre FALTA algo.
Já que essa é uma revista de finanças darei minha última opinião: tenham certeza que é mais barato e muito melhor vocês SE darem de presente aos seus filhos do que comprarem tudo para eles.
Naquele dia das crianças, na mesa ao lado, o super-herói que faltava para aquele menino, não era o homem aranha, era o seu próprio pai.
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domingo, 30 de dezembro de 2012
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Inteligencia ou persistencia?
Nada no mundo se compara à persistência. Nem o talento; não há nada mais
comum do que homens malsucedidos e com talento. Nem a genialidade; a
existência de gênios não recompensados é quase um provérbio. Nem a
educação; o mundo está cheio de negligenciados educados. A persistência e
determinação são, por si sós, onipotentes. O slogan "não desista" já
salvou e sempre salvará os problemas da raça humana.
Calvin Coolidge
Calvin Coolidge
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Dislexia?
A dislexia é o distúrbio ou transtorno de aprendizado na área da leitura, escrita e soletração de maior incidência nas salas de aula, de acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD). Mas engana-se quem pensa que resulta de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência.
A ABD afirma que é uma condição hereditária com alterações genéticas, apresentando ainda modificações no padrão neurológico. Deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar (psicóloga, fonoaudióloga, psicopedagoga clínica e outros profissionais, se necessário).
Confira, abaixo, os sinais listados pela ABD:
Antes de ingressar no ensino fundamental
1) Dispersão;
2) Fraco desenvolvimento da atenção;
3) Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem;
4) Dificuldade em aprender rimas e canções;
5) Fraco desenvolvimento da coordenação motora;
6) Dificuldade com quebra-cabeças;
7) Falta de interesse por livros impressos;
Na idade escolar
8) Dificuldade na leitura e escrita;
9) Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras);
10) Desatenção e dispersão;
11) Dificuldade em copiar de livros e da lousa;
12) Dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura) e/ou grossa (ginástica, dança);
13) Desorganização geral, com constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares e perda de materiais;
14) Confusão entre esquerda e direita;
15) Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas;
16) Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou longas e vagas;
17) Dificuldade na memória de curto prazo (instruções, recados);
18) Dificuldades em decorar sequências (meses do ano, alfabeto, tabuada);
19) Dificuldade em matemática e desenho geométrico;
20) Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomias);
21) Troca de letras na escrita;
22) Dificuldade para aprender uma segunda língua;
23) Problemas de conduta como depressão, timidez excessiva ou o palhaço da turma;
24) Bom desempenho em provas orais;
Adultos (se não tiveram acompanhamento adequado)
25) Continuada dificuldade na leitura e escrita;
26) Memória imediata prejudicada;
27) Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
28) Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia);
29) Dificuldade com direita e esquerda;
30) Dificuldade em organização;
31) Aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como consequência: depressão, ansiedade, baixa autoestima e, algumas vezes, o ingresso para as drogas e o álcool.http://saude.terra.com.br/confundir-direita-e-esquerda-conheca-31-sinais-da-dislexia,d05d77555ac4a310VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Os pais e filhos da atualidade
"Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade"
texto completo: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247981-15230,00.html
do site: http://cultodaostraazul.blogspot.com.br/
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Familia, comportamento e aprendizagem em pleno século XXI: o que os pais de hoje em dia andam fazendo?
Em tempos de grande cobrança escolar e inúmeros estudos sobre alterações de comportamento ( como o TDAH) e transtornos de aprendizagem ( como a dislexia e a discalculia), o diagnóstico que mais vemos na prática clínica é o de dificuldade de aprendizagem. As famílias e escolas querem sempre o caminho mais fácil: um exame, um remédio - "fraco" ou "natural", de preferência e, pronto, resolvido o problema.
Contudo, muito mais importante que isso, é uma reflexão que as famílias se recusam a fazer: qual o seu papel na formação cognitiva, comportamento e aprendizagem das crianças? Por que seu filho é agressivo? Ou agitado? Desobediente? Não pára? Não aprende? Por que diabos a escola te chama tanto para reclamar dele? Já adianto que as crianças seguem exemplos, e as motivações são reflexo do meio social - e familiar em que vivem.
Os valores do ambiente familiar refletem-se nas motivações, na personalidade e nas atitudes das crianças. Em resumo: algumas crianças são capazes de inibir a agressividade, visto que aprenderam em casa que a agressão conduz ao castigo. Outras, no entanto, são encorajadas a expressar sentimentos agressivos e, conseqüentemente são mais inclinadas às brigas, birras e desafios quando contrariadas. Além disso: crianças que apanham, aprendem a resolver suas frustrações batendo. Criança que não é corrigida com firmeza e sem agressividade quando agride, aprende que isto é aceitável em seus momentos de contrariedade ( por que seu filho bate nas outras pessoas, então?)
As diferenças de estimulos e motivação de realização dadas dentro de casa também influenciam o comportamento das crianças. Pais que, em geral, valorizam a capacidade de realização de seus filhos, recompensando-os com freqüência, formam crianças interessadas em estudar. Os que não valorizam o esforço e capacidade de realização dos filhos, porém, formam crianças mais propensas às dificuldades no estudo, que consideram a escola chata, e com grande probabilidade de se converterem em "problemas escolares".
Contudo, um alerta: recompensar a criança e presenteá-la são coisas bastante diferentes. Comumente vemos crianças com dificuldades escolares, comportamento inadequado ou agressivas recebendo inúmeros presentes dos pais - que, as vezes, o fazem com grandes dificuldades. Saber o momento de presentear uma criança é papel de quem quer formar um cidadão. Independentemente da idade de seu filho!
A diferença na fala e no vocabulário, já nos pré-escolares também exerce forte impacto na aprendizagem escolar da criança. Meninos que possuem melhor vocabulário, articulam com maior perfeição, falam corretamente e constroem frases mais elaboradas tem rendimento escolar superior aos outros, no futuro. Neste contexto, o aumento de estímulo ambiente de uma criança antes dos 5 anos de idade pode levá-la a intensificar seu interesse pela linguagem e a melhorar sua expressão verbal. Isso é muito importante uma vez que a aprendizagem complexa e a formação de conceitos depende muito da linguagem. Cabe, porém, um alerta: ambientes familiares superprotetores também podem privar a criança de um desenvolvimento autônomo, reforçando, por exemplo, uma fala infantilizada.
Dentre os inúmeros fatores que interferem no processo de ensino-aprendizagem e que prejudicam as crianças, muitas vezes severamente, o principal costuma ser a ineficiente educação familiar. Os pais, de forma deliberada ou inconscientemente, serão os responsáveis por permitir ou obstruir o processo de construção da individualidade de seus filhos. E precisam criar um ambiente familiar que satisfaça as necessidades básicas de afeto, apego, desapego, segurança, disciplina, aprendizagem e comunicação, pois é nele que se estrutura a mais importante forma de aprendizagem: a capacidade de aprender a se relacionar com o outro.
Por trás de grande parte dos distúrbios de aprendizagem ou de inadaptação da criança à escola, esconde-se algum tipo de tensão emocional cuja origem encontra-se no universo familiar. Não é possível compreender a criança separada de seu lar; ela só pode obter maturidade emocional e aprender quando os adultos com os quais ela convive são emocionalmente maduros.
Ressalta-se, finalmente, a influência do fator emocional
sobre a aprendizagem das crianças. De nada adianta ter um alto desenvolvimento cognitivo se não se tem controle sobre suas emoções. O autoconceito, moldado durante o convívio familiar, também é fundamental: quem se julga capaz de aprender, aprende bem mais e melhor do que quem se julga incapaz para tal.
Em suma, se os pais soubessem o poder e a força de seus atos em casa e do contato com seus filhos, a importância de estimular precocemente as crianças e de se ter relações saudáveis em família, as dificuldades de aprendizagem seriam bem menos frequentes....
Contudo, muito mais importante que isso, é uma reflexão que as famílias se recusam a fazer: qual o seu papel na formação cognitiva, comportamento e aprendizagem das crianças? Por que seu filho é agressivo? Ou agitado? Desobediente? Não pára? Não aprende? Por que diabos a escola te chama tanto para reclamar dele? Já adianto que as crianças seguem exemplos, e as motivações são reflexo do meio social - e familiar em que vivem.
Os valores do ambiente familiar refletem-se nas motivações, na personalidade e nas atitudes das crianças. Em resumo: algumas crianças são capazes de inibir a agressividade, visto que aprenderam em casa que a agressão conduz ao castigo. Outras, no entanto, são encorajadas a expressar sentimentos agressivos e, conseqüentemente são mais inclinadas às brigas, birras e desafios quando contrariadas. Além disso: crianças que apanham, aprendem a resolver suas frustrações batendo. Criança que não é corrigida com firmeza e sem agressividade quando agride, aprende que isto é aceitável em seus momentos de contrariedade ( por que seu filho bate nas outras pessoas, então?)
As diferenças de estimulos e motivação de realização dadas dentro de casa também influenciam o comportamento das crianças. Pais que, em geral, valorizam a capacidade de realização de seus filhos, recompensando-os com freqüência, formam crianças interessadas em estudar. Os que não valorizam o esforço e capacidade de realização dos filhos, porém, formam crianças mais propensas às dificuldades no estudo, que consideram a escola chata, e com grande probabilidade de se converterem em "problemas escolares".
Contudo, um alerta: recompensar a criança e presenteá-la são coisas bastante diferentes. Comumente vemos crianças com dificuldades escolares, comportamento inadequado ou agressivas recebendo inúmeros presentes dos pais - que, as vezes, o fazem com grandes dificuldades. Saber o momento de presentear uma criança é papel de quem quer formar um cidadão. Independentemente da idade de seu filho!
A diferença na fala e no vocabulário, já nos pré-escolares também exerce forte impacto na aprendizagem escolar da criança. Meninos que possuem melhor vocabulário, articulam com maior perfeição, falam corretamente e constroem frases mais elaboradas tem rendimento escolar superior aos outros, no futuro. Neste contexto, o aumento de estímulo ambiente de uma criança antes dos 5 anos de idade pode levá-la a intensificar seu interesse pela linguagem e a melhorar sua expressão verbal. Isso é muito importante uma vez que a aprendizagem complexa e a formação de conceitos depende muito da linguagem. Cabe, porém, um alerta: ambientes familiares superprotetores também podem privar a criança de um desenvolvimento autônomo, reforçando, por exemplo, uma fala infantilizada.
Dentre os inúmeros fatores que interferem no processo de ensino-aprendizagem e que prejudicam as crianças, muitas vezes severamente, o principal costuma ser a ineficiente educação familiar. Os pais, de forma deliberada ou inconscientemente, serão os responsáveis por permitir ou obstruir o processo de construção da individualidade de seus filhos. E precisam criar um ambiente familiar que satisfaça as necessidades básicas de afeto, apego, desapego, segurança, disciplina, aprendizagem e comunicação, pois é nele que se estrutura a mais importante forma de aprendizagem: a capacidade de aprender a se relacionar com o outro.
Por trás de grande parte dos distúrbios de aprendizagem ou de inadaptação da criança à escola, esconde-se algum tipo de tensão emocional cuja origem encontra-se no universo familiar. Não é possível compreender a criança separada de seu lar; ela só pode obter maturidade emocional e aprender quando os adultos com os quais ela convive são emocionalmente maduros.
Ressalta-se, finalmente, a influência do fator emocional
sobre a aprendizagem das crianças. De nada adianta ter um alto desenvolvimento cognitivo se não se tem controle sobre suas emoções. O autoconceito, moldado durante o convívio familiar, também é fundamental: quem se julga capaz de aprender, aprende bem mais e melhor do que quem se julga incapaz para tal.
Em suma, se os pais soubessem o poder e a força de seus atos em casa e do contato com seus filhos, a importância de estimular precocemente as crianças e de se ter relações saudáveis em família, as dificuldades de aprendizagem seriam bem menos frequentes....
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terça-feira, 3 de julho de 2012
Idade em que criança com TDAH começa a ser tratada é determinante para melhora do desempenho escolar
Pesquisadores da Faculdade de Medicina Mount Sinai, nos Estados Unidos, e
da Universidade da Islândia identificaram uma relação entre a idade em
que uma criança com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade
(TDAH) começa a receber o tratamento para o problema e o seu desempenho
escolar ao longo dos anos. Segundo o estudo, jovens que iniciaram o
tratamento aos dez anos apresentaram melhores resultados em testes de
matemática após três anos do que aqueles que passaram a tomar os
medicamentos a partir dos 12 anos de idade. A pesquisa foi publicada
nesta segunda-feira na revista Pediatrics.
Ao todo, o trabalhou acompanhou 11.872 crianças islandesas que começaram a tomar medicamentos para TDAH em diferentes idades. Os pesquisadores aplicaram testes que avaliaram o desempenho acadêmico desses jovens quando eles estavam na quarta série do ensino fundamental (e tinham entre nove e dez anos de idade) e quando eles estavam na sétima série (entre 12 e 13 anos). Depois, eles compararam os resultados das duas avaliações.
No geral, as crianças que começaram a tomar medicamentos para TDAH logo após realizarem os testes aplicados na quarta série do ensino fundamental tiveram uma piora de 0,3% nos resultados do segundo teste de matemática em comparação com o primeiro. Por outro lado, os jovens que passaram a receber o tratamento apenas entre a sexta e a sétima série apresentaram um declínio de 9,4% entre uma prova e outra. Os autores também concluíram que, enquanto entre as meninas o tratamento melhorou somente o desempenho em matemática, entre os meninos o benefício também ocorreu em relação aos testes relacionados à linguagem e à literatura.
Mais medicamentos — Um estudo publicado recentemente também no Pediatrics mostrou que as crianças americanas estão tomando menos antibióticos, mas maiores quantidades de remédios para TDAH. Essa pesquisa indicou que o número de prescrição dessas drogas aos jovens de até 17 anos aumentou em 46% entre 2002 e 2010 no país.
Do site da Veja: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/idade-em-que-crianca-com-tdah-comeca-a-ser-tratada-e-determinante-para-melhora-do-desempenho-academico
Ao todo, o trabalhou acompanhou 11.872 crianças islandesas que começaram a tomar medicamentos para TDAH em diferentes idades. Os pesquisadores aplicaram testes que avaliaram o desempenho acadêmico desses jovens quando eles estavam na quarta série do ensino fundamental (e tinham entre nove e dez anos de idade) e quando eles estavam na sétima série (entre 12 e 13 anos). Depois, eles compararam os resultados das duas avaliações.
No geral, as crianças que começaram a tomar medicamentos para TDAH logo após realizarem os testes aplicados na quarta série do ensino fundamental tiveram uma piora de 0,3% nos resultados do segundo teste de matemática em comparação com o primeiro. Por outro lado, os jovens que passaram a receber o tratamento apenas entre a sexta e a sétima série apresentaram um declínio de 9,4% entre uma prova e outra. Os autores também concluíram que, enquanto entre as meninas o tratamento melhorou somente o desempenho em matemática, entre os meninos o benefício também ocorreu em relação aos testes relacionados à linguagem e à literatura.
Mais medicamentos — Um estudo publicado recentemente também no Pediatrics mostrou que as crianças americanas estão tomando menos antibióticos, mas maiores quantidades de remédios para TDAH. Essa pesquisa indicou que o número de prescrição dessas drogas aos jovens de até 17 anos aumentou em 46% entre 2002 e 2010 no país.
Do site da Veja: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/idade-em-que-crianca-com-tdah-comeca-a-ser-tratada-e-determinante-para-melhora-do-desempenho-academico
quinta-feira, 28 de junho de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
Filhos de pais que ‘não se dão’ têm tendência a comportamentos de risco
Do site Hyperscience.com
Crianças que vivem em casas onde o ambiente é hostil têm maiores chances de se envolverem com drogas e se tornarem sexualmente ativos ainda muito jovens, de acordo com uma pesquisa. Também se constatou que elas têm um terço a mais de chances de se tornarem alcoólatras, em comparação a crianças criadas por pais solteiros.
O estudo realizado por Kelly Musick, da Universidade Cornell, em Nova York, mostrou que crianças criadas em lares violentos têm maiores riscos de terem problemas mentais, comportamentais e de relacionamento.
O estudo chegou à conclusão que crianças criadas em lares mais tranqüilos, apenas com o pai ou a mãe, têm melhores chances de ir bem na escola, em comparação com aquelas criadas em lares conflituosos.
Uma em cada cinco crianças de famílias infelizes afirmaram ter feito sexo antes dos 16 aos, e a mesma porcentagem registrou morar com um companheiro aos 21 anos. Quase uma em cada dez pessoas tiveram filhos fora do casamento.
“Nossos resultados mostram claramente que, embora as crianças tendam a ter vidas melhores com os pais casados, as vantagens de viver com eles não são adequadas a todas as crianças”, afirma Musick. O estudo utilizou dados de entrevistas feitas com quase duas mil famílias, e estudou crianças desde os quatro até 34 anos de idade
Reportagem do jornal Telegraph
Crianças que vivem em casas onde o ambiente é hostil têm maiores chances de se envolverem com drogas e se tornarem sexualmente ativos ainda muito jovens, de acordo com uma pesquisa. Também se constatou que elas têm um terço a mais de chances de se tornarem alcoólatras, em comparação a crianças criadas por pais solteiros.
O estudo realizado por Kelly Musick, da Universidade Cornell, em Nova York, mostrou que crianças criadas em lares violentos têm maiores riscos de terem problemas mentais, comportamentais e de relacionamento.
O estudo chegou à conclusão que crianças criadas em lares mais tranqüilos, apenas com o pai ou a mãe, têm melhores chances de ir bem na escola, em comparação com aquelas criadas em lares conflituosos.
Uma em cada cinco crianças de famílias infelizes afirmaram ter feito sexo antes dos 16 aos, e a mesma porcentagem registrou morar com um companheiro aos 21 anos. Quase uma em cada dez pessoas tiveram filhos fora do casamento.
“Nossos resultados mostram claramente que, embora as crianças tendam a ter vidas melhores com os pais casados, as vantagens de viver com eles não são adequadas a todas as crianças”, afirma Musick. O estudo utilizou dados de entrevistas feitas com quase duas mil famílias, e estudou crianças desde os quatro até 34 anos de idade
Reportagem do jornal Telegraph
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Nos EUA, crianças e adolescentes estão tomando menos antibióticos e mais medicamentos para TDAH
Do site da revista Veja:
Link para a reportagem
Segundo um levantamento feito pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regula alimentos e medicamentos, o número de prescrições de antibióticos destinadas a crianças e adolescentes é menor do que há oito anos, nos Estados Unidos. Por outro lado, são cada vez mais prescritas drogas para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e asma. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira no Pediatrics, periódico oficial da Associação Americana de Pediatria.
Esses dados foram baseados nas prescrições médicas preenchidas no país entre os anos de 2002 e 2010 para jovens com até 17 anos de idade. De acordo com o estudo, em 2010 foram registradas 263,6 milhões de prescrições de medicamentos em geral a pessoas dessa faixa etária — 7% a menos do que em 2002. As prescrições para pacientes adultos, porém, aumentaram em 22% nesse mesmo período.
O levantamento indicou que, nesses oito anos, as prescrições de antibióticos a bebês, crianças e adolescentes caiu 14%, embora esse tipo de remédio ainda seja o mais frequentemente fornecido para pacientes pediátricos no país. Além dos antibióticos, também foram menos prescritos medicamentos para alergia (-61%), tosse e resfriados (-42%), dor (-14%) e depressão (-5%). Por outro lado, aumentou o número de prescrições para anticoncepcionais (+93%) e remédios para tratar TDAH (+46%) e asma (+14%).
TDAH — Para Alessandra Cavalcante, pediatra do Hospital São Luiz, em São Paulo, a razão do aumento da prescrição de medicamentos para TDAH não está relacionada a um excesso de diagnósticos, mas sim a um maior nível de informação de pais e médicos. "Isto é uma coisa boa, já que o transtorno, quanto mais cedo for tratado, menos problemas causará no futuro", diz a médica.
De fato, ao menos nos Estados Unidos, onde o levantamento foi feito, mais jovens estão sendo diagnosticados com TDAH e cada vez mais cedo. Um trabalho feito na Universidade de Northwestern e publicado em março deste ano também na revista Pediatrics mostrou que, em dez anos, o número de pessoas menores do que 18 anos diagnosticadas com o transtorno aumentou 66% no país. Além disso, em outubro de 2011, a Academia Americana de Pediatria reduziu a idade mínima para diagnóstico e tratamento de TDAH de seis para quatro anos.
Brasil — Embora um levantamento como esse não tenha sido feito no Brasil, Alessandra Cavalcante também percebeu na prática clínica o aumento dos tratamentos destinados a crianças com TDAH. Da mesma forma, ela acredita que os jovens brasileiros estão tomando mais remédios para asma e mais anticoncepcionais. "O aumento da incidência de asma é visível, especialmente em São Paulo, onde a poluição é forte. Além disso, como os jovens entram na vida sexual cada vez mais cedo, os contraceptivos estão se tornando mais comuns."
No entanto, a médica acredita que não tenha acontecido uma redução significativa nas prescrições de antibióticos a pacientes infantis. "Ainda temos um grande número de prescrições de antibióticos sem necessidade. Precisamos acabar com o culto ao pronto-socorro. As famílias devem, sempre que possível, procurar o pediatra que acompanha a criança e conheça o seu histórico", afirmou.
Link para a reportagem
Segundo um levantamento feito pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regula alimentos e medicamentos, o número de prescrições de antibióticos destinadas a crianças e adolescentes é menor do que há oito anos, nos Estados Unidos. Por outro lado, são cada vez mais prescritas drogas para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e asma. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira no Pediatrics, periódico oficial da Associação Americana de Pediatria.
Esses dados foram baseados nas prescrições médicas preenchidas no país entre os anos de 2002 e 2010 para jovens com até 17 anos de idade. De acordo com o estudo, em 2010 foram registradas 263,6 milhões de prescrições de medicamentos em geral a pessoas dessa faixa etária — 7% a menos do que em 2002. As prescrições para pacientes adultos, porém, aumentaram em 22% nesse mesmo período.
O levantamento indicou que, nesses oito anos, as prescrições de antibióticos a bebês, crianças e adolescentes caiu 14%, embora esse tipo de remédio ainda seja o mais frequentemente fornecido para pacientes pediátricos no país. Além dos antibióticos, também foram menos prescritos medicamentos para alergia (-61%), tosse e resfriados (-42%), dor (-14%) e depressão (-5%). Por outro lado, aumentou o número de prescrições para anticoncepcionais (+93%) e remédios para tratar TDAH (+46%) e asma (+14%).
TDAH — Para Alessandra Cavalcante, pediatra do Hospital São Luiz, em São Paulo, a razão do aumento da prescrição de medicamentos para TDAH não está relacionada a um excesso de diagnósticos, mas sim a um maior nível de informação de pais e médicos. "Isto é uma coisa boa, já que o transtorno, quanto mais cedo for tratado, menos problemas causará no futuro", diz a médica.
De fato, ao menos nos Estados Unidos, onde o levantamento foi feito, mais jovens estão sendo diagnosticados com TDAH e cada vez mais cedo. Um trabalho feito na Universidade de Northwestern e publicado em março deste ano também na revista Pediatrics mostrou que, em dez anos, o número de pessoas menores do que 18 anos diagnosticadas com o transtorno aumentou 66% no país. Além disso, em outubro de 2011, a Academia Americana de Pediatria reduziu a idade mínima para diagnóstico e tratamento de TDAH de seis para quatro anos.
Brasil — Embora um levantamento como esse não tenha sido feito no Brasil, Alessandra Cavalcante também percebeu na prática clínica o aumento dos tratamentos destinados a crianças com TDAH. Da mesma forma, ela acredita que os jovens brasileiros estão tomando mais remédios para asma e mais anticoncepcionais. "O aumento da incidência de asma é visível, especialmente em São Paulo, onde a poluição é forte. Além disso, como os jovens entram na vida sexual cada vez mais cedo, os contraceptivos estão se tornando mais comuns."
No entanto, a médica acredita que não tenha acontecido uma redução significativa nas prescrições de antibióticos a pacientes infantis. "Ainda temos um grande número de prescrições de antibióticos sem necessidade. Precisamos acabar com o culto ao pronto-socorro. As famílias devem, sempre que possível, procurar o pediatra que acompanha a criança e conheça o seu histórico", afirmou.
terça-feira, 5 de junho de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
TDAH x drogas/criminalidade: o que se sabe?

Embora se saiba dos problemas sociais, familiares e escolares relacionados a presença de TDAH, um dado mais alarmante vem chamando a atenção da comunidade científica: a propensão destas crianças a desenvolverem no futuro comportamento criminoso, transtornos psiquiatricos e dependencia de drogas.
Em um estudo desenvolvido em Nova York em 2006, com adultos que persistiram com TDAH e nunca foram tratados, a incidencia de transtornos de humor (depressão, distimia, transtorno bipolar), transtornos de ansiedade ( transtorno de ansiedade generalizada, T. pânico, fobia, agorafobia) e abuso de substancias ( alcool, cigarro e drogas ilícitas) mostrou-se incrivelmente maior no grupo dos adultos não tratados com TDAH, em relação a populaçcao em geral. A incidencia de depressão maior mostrou-se 2,7 vezes maior e a de t. de ansiedade generalizada 3,2 vezes maior no grupo dos pacientes com TDAH em relação a população.
( Referência Kessler et al.: The prevalence and correlates of adult ADHD in the United States: results from the National Comorbidity Survey Replication. Am J Psychiatry. 2006 Apr;163(4):716-23)
Em um outro estudo realizado em Nova York em 2008, o acompanhamento das crianças com TDAH com e sem tratamento mostrou dados ainda mais alarmantes ( coorte histórico). O número de prisões, condenações e encarceramento em pacientes com TDAH não tratados foi expressivamente maior do que nos individuos sem TDAH ou que tiveram tratamento/acompanhamento adequado ao longo da infância. Além disso, o comportamento antisocial e a incidencia de uso/abuso de drogas também foi maior no grupo dos pacientes com TDAH que nunca foram tratados.
(Referencia: Mannuzza, S., Klein, R.G., & Moulton, J.L., III Lifetime criminality among boys with ADHD: a prospective follow-up study into adulthood using official arrest records. Psychiatry Research, 160, 237-246)
Por fim, um estudo antigo publicado na prestigiada revista Pediatrics, em 1999, mostra que tais informações são velhas conhecidas da comunidade científica.Segundo o estudo, o tratamento medicamentoso do TDAH reduziria o risco de transtorno de conduta e abuso de drogas na adolescencia e idade adulta.
( Ref:. Biederman, J., et al. Pharmacotherapy of attention-deficit/hyperactivity disorder reduces risk for substance use disorder. Pediatrics 104(2):e20, 1999)
É claro que a opção por não tratamento não significa que a criança desenvolverá qualquer dos distúrbios psiquiátricos ou de conduta citados, mas fica a dúvida: existindo a opção de tratamento, vale a pena desprezá-la? Não existe espaço no século 21 para as velhas desculpas do tipo: "o médico na televisão falou que TDAH não existe", "tem uma professora de medicina em Campinas que fala que para tratar esse tipo de coisa não se usa remédio forte", "o moço do jornal falou que o remédio é forte e vicia" ou mesmo a velha conversa de que " eu era assim quando criança", " ela fica procurando coisas para o menino" ou " a mãe dele não dá limites"...
O TDAH é mais do que comprovado e estudado na literatura, tem repercussões importantes na vida social, escolar, familiar e afetiva da criança e pode causar sérias repercussões na adolescência e idade adulta. E a pergunta que fica é: vale a pena negar sua existência ou a presença em seu filho? Vale a pena arriscar seu futuro? Escolher não tratá-lo não é a pior forma de virar as costas para as dificuldades e para o sofrimento de seu filho por vaidade, arrogância ou conveniência pessoal? Com a palavra, os principais responsáveis pela formação de adultos sérios, responsáveis e produtivos para a sociedade: os pais.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Erros inatos do metabolismo: nem tudo é paralisia cerebral!

Os erros inatos do metabolismo( EIM) são distúrbios bioquímicos, geneticamente determinados, nos quais um defeito enzimático especifico produz um bloqueio metabólico que pode originar uma doença. Suas principais manifestações neurológicas são atraso no desenvolvimento motor ou intelectual das crianças, embora boa parte das vezes os sintomas sejam de regressão do desenvolvimento motor ou intelectual.
Comumnete, faz-se nestas crianças o diagnostico de paralisia cerebral. Este diagnóstico, além de errado, impede o tratamento e aconselhamento genético adequado dos familiares. Além disso, não permitem que os pais entendam a real causa da regressão do desenvolvimento dos filhos, a evolução/piora progressiva dos sintomas e, sobretudo, não esclarece a familia das possibilidades de outra criança ou adulto da familia ser portador de um gene ou doença progressiva - que pode ainda não ter se manifestado.
Os EIM embora tidos como raros, são na verdade, pouco conhecidos e pouco diagnosticados, e compreendem mais de 700 distúrbios, a maioria deles relacionados à síntese, degradação, transporte e armazenamento de moléculas no organismo. Eles são relativamente frequentes em seu conjunto, apresentando uma incidência cumulativa estimada em 1:1000 recém-nascidos vivos. A incidência e a frequência de doenças individuais variam baseadas na composição racial e étnica da população e nos níveis de investigação dos programas de triagem neonatal disponíveis.
As alterações ocorrem ao nível molecular, causando ausência de síntese de uma enzima, síntese de enzima com atividade deficiente, que pode ser de diversos graus, ou ainda a destruição exagerada de uma enzima normalmente sintetizada levando ao bloqueio de diversas vias metabólicas. Esse bloqueio, além de induzir o acúmulo de substâncias tóxicas e/ou falta de substâncias essenciais, pode gerar problemas no desenvolvimento físico e mental dos pacientes.
Formas leves, moderadas ou graves de uma mesma doença caracterizam a grande variabilidade clínica dos EIM e a deficiência de diferentes enzimas determinantes de um mesmo quadro clínico caracteriza a sua heterogeneidade genética.
O diagnóstico definitivo de um EIM depende principalmente da suspeita clínica.A adequada solicitação e realização de exames complementares é importante para que se possa estabelecer um tratamento específico e permitir o aconselhamento genético dos casais em risco.
SINAIS E SINTOMAS
Os EIM podem se apresentar em qualquer faixa etária, desde a vida fetal até a idade adulta, com predomínio entre o período neonatal e os 10 anos de idade.
Antes do nascimento, o feto está relativamente protegido dos malefícios de uma doença metabólica em virtude da função da placenta materna tanto para o fornecimento de nutrientes quanto para a filtragem de metabólitos tóxicos. Por isso, muitas doenças metabólicas se apresentam nos primeiros dias de vida após o nascimento, pois o bebê não pode mais se beneficiar da ajuda fisiológica da mãe para compensar suas deficiências.
No início, os sinais e sintomas das doenças podem ser sutis e dependendo do grau de deficiência metabólica vão se tornando cada vez mais aparentes e difíceis de tratar.Deve-se suspeitar de EIM sempre que o paciente apresentar história de irmãos falecidos no período neonatal sem diagnóstico etiológico, membros da família com sintomas clínicos não esclarecidos e a existência de consanguinidade.
Na história patológica pregressa do paciente pode haver relato de vômitos crônicos ou anorexia persistente acompanhados de um baixo desenvolvimento pondero-estatural, hipotonia, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e recusa por determinados alimentos, principalmente proteínas. Também é preciso estar atento aos sintomas desencadeados por infecções, jejum prolongado, vômitos, ingestão de alimentos tóxicos ou exercício intenso.
No período neonatal, os EIM podem se apresentar como sintomas neurológicos, alimentares e respiratórios, tais como: hipotonia, letargia, coma, convulsões, diarréia, vômitos, icterícia, hepatomegalia, falência hepática, hipoglicemia, cardiomiopatia, arritmia, hiperamonemia, acidose metabólica e outros. Cerca de 1/3 dos casos neste período podem apresentar intervalos assintomáticos ou uma apresentação tardia (após o período neonatal até a fase adulta).
Episódios recorrentes de coma, ataxia e vômitos com letargia são as formas mais frequentes de apresentação tardia. Outras formas menos comuns são as manifestações cardíacas com arritmia ou falência cardíaca, dores abdominais recorrentes, intolerância ao exercício além de sintomas psiquiátricos de início agudo e recorrente.
O quadro clínico nas emergências é em geral inespecífico e lembra uma septicemia ou intoxicação exógena. Por sua vez, o diagnóstico de infecção não exclui necessariamente o de um EIM, pois em alguns casos há redução das defesas celulares levando a concomitância de quadros infecciosos. Os erros inatos do metabolismo não podem ser vistos apenas como diagnóstico diferencial, mas também como coadjuvante de um episódio agudo de relativa intensidade.
A maioria dos sinais e sintomas que acompanham os EIM é comum a outras doenças mais frequentes, dificultando o correto diagnóstico.
Por não haver sintomas clínicos característicos de determinados EIM é imprescindível a associação destes com a história familiar, a história patológica pregressa, os fatores desencadeantes e as análises laboratoriais, para que se estabeleça um diagnóstico.
Contudo, é importante ressaltar que todas as crianças que apresentem regressão motora, intelectual ou comportamental sem uma causa estabelecida devem ser investigadas para uma possível causa metabólica.
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