Um espaço para informação e troca de idéias sobre os problemas neurológicos mais comuns na infância. Aqui, serão abordados os problemas mais comuns do dia-a-dia de um neuropediatra, de forma a orientar os pais e cuidadores. Alerta: o blog é voltado para os pacientes da Clínica e seus pais, e não tem o intuito de orientar pais que estão navegando na internet a procura de diagnósticos ou tratamentos para seus filhos. Para isso, procure o seu médico.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Epilepsias na infância - para a Marcela
Quais são as manifestações da crise epiléptica?
A epilepsia é uma doença comum?
Por que é importante classificar o tipo de epilepsia?
Fazendo uma analogia para que você entenda, dizer que seu filho tem epilepsia é como dizer que seu filho tem infecção: pode ser um mero resfriado ou uma infecção generalizada. É preciso saber qual o tipo.
A sindrome epiléptica será estabelecida a partir de um série de dados clínicos ( tipo de crise, idade, sexo, história familiar, desenvolvimento neuropsicomotor) e propedêutica ( exames de imagem e eletroencefalograma)
Existe uma causa de epilepsia?
A epilepsia é uma doença hereditária?
Existe tratamento e cura para a epilepsia?
As medicações são a única forma de tratamento?
As crises convulsivas febris são diagnosticadas como epilepsia?
O que são as crises de ausência?
O que é a Síndrome de West?
E a Síndrome de Lennox-Gastaut?
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Convulsões febris
As crises epilépticas febris ( CF) são muito comuns em crianças com menos de 5 anos de idade, acometendo cerca de 4 a 5% desta população. Existe uma clara predisposição genética: cerca de 30% das crianças com CF possuem uma história familiar positiva para o distúrbio.
As crises febris são mais comuns nas primeiras 48 horas de febre e com temperaturas mais altas. Porém, mesmo febres baixas podem ocasionar as crises. A febre pode ocorrer por qualquer motivo e, geralmente, decorre de infecções - sobretudo virais. Por definição, convulsões que ocorrem após vacinação também são consideradas febris.
Como identificar a crise?
As crises febris podem apresentar diversas manifestações. A criança pode ficar molinha, endurecer o corpo todo ou parte dele, perder ou não a consciência, apresentar fixação ou desvio do olhar, palidez ou roxeamento perilabial e movimentos rítmicos de uma parte do corpo. A criança também pode urinar ou defecar durante as crises. Estas alterações, ocorrem rapidamente, e o quadro, mesmo sem medicação, dura poucos segundos ou minutos. Ao final da crise, a criança costuma ficar sonolenta, confusa, irritada ou com perda de força de todo o corpo ou de uma parte dele, quadro que dura por volta de 30 minutos e regride sozinho.
O que fazer durante a crise?
1- Proteja a cabeça da criança: Durante a crise, a criança pode cair ou se debater muito e acabar apresentando lesões cerebrais importantes.
2- Chame ajuda especializada
3- Proteja as vias respiratórias: Acomode seu filho deitado de lado, para drenar a saliva. Se ele vomitar, limpe sua boca. Não empurre nada na boca de seu filho nem enfie o dedo sob hipótese alguma.
Outras causas de crises epilépticas em vigência de febre:
Crianças com crises febris tem desenvolvimento, comportamento, aprendizagem, crescimento e evolução normais em relação as outras crianças. As crise podem recorrer, de acordo com cada paciente e a necessidade de tratamento medicamentoso profilático e sua escolha devem ser feitas junto ao seu neuropediatra.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Teste: você sabe fazer seu filho dormir?
uma boa noite de sono a seu filho
GABARITO
• De 6 a 9 pontos
Atenção! - Nem você nem seu filho estão dormindo direito. Ele já criou o hábito de só cair no sono depois de fazer uma lista de exigências. Por causa dos hábitos incorretos, o bebê pode despertar muitas vezes por noite e ter um sono superficial.
• De 5 a 2 pontos
Com calma, você vai educando seu bebê para dormir sozinho, o que é considerado saudável. Mas às vezes você ainda usa artifícios para que ele durma rapidamente. É preciso tomar cuidado. No futuro, a criança pode apresentar dificuldades para adormecer.
• De 2 pontos a 0
Sono saudável - Seu filho consegue dormir sozinho sem a sua ajuda ou de elementos externos. Segundo especialistas, crianças com essa facilidade dificilmente apresentam problemas com o sono.
Fonte: Nana, Nenê - Como resolver o problema da insônia
do seu filho, de Eduard Estivill e Sylvia de Béjar
Truques para as crianças dormirem

15 truques comentados para fazer as crianças dormirem
Folha de S.Paulo
Alimentar enquanto dorme
Embora muitos pais recorram às mamadeiras noturnas como estratégia para que a criança não desperte, há muitas ressalvas à alimentação durante o sono. "Durante os primeiros meses, o aleitamento materno não tem hora. A partir dos seis meses, a criança já vai deixando de acordar toda hora. Alimentá-la para que adormeça pode até fazer com que fique obesa", alerta Isabel Madeira, pediatra do departamento de pediatria ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria.
De acordo com Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa, coordenador de neonatologia do Hospital da Vila Alpina, em São Paulo, nos recém-nascidos, não há relação entre a amamentação durante o sono e a incidência de problemas digestivos. "O que ocorre é que, se o bebê for alimentado deitado, pode entrar leite na tuba de Eustáquio (canal que liga o ouvido médio a boca), gerando otite. Se a alimentação é feita com leite materno, a tendência é que não haja infecção, mas pode acontecer."
Balançar
Cadeira de balanço, rede, voltas no carrinho. Percebendo que o movimento adormece as crianças, há quem leve o pequeno para uma volta de carro para rendê-lo. "Balançar não é recomendado, é um condicionamento ruim para a criança. Recorre ao sono induzido pelo sensor do movimento, então, quando desativa-se esse sensor, ela acorda. Não é recomendado balançar no carrinho nem dar uma volta de carro para que a criança durma", ensina Márcia Pradella-Hallinan, neuropediatra coordenadora do setor de crianças e adolescentes do Instituto do Sono da Unifesp.
"Balançar é ninar. Para a criança é aconchegante, é gostoso, mas é um erro. A criança deve deitar na cama e lá receber os carinhos da mãe. Não recomendo que balance nunca porque a criança quer cada vez mais. Tenho pacientes que sobem e descem no elevador até a criança adormecer. Não faz sentido", analisa Hamilton Robledo, pediatra do Hospital São camilo, em São Paulo
Banhos de imersão
Além de ser uma medida obviamente relaxante, os benefícios de um banho quente e sua contribuição a uma boa noite de sono têm explicação científica. "A água quente promove uma vasodilatação e uma queda de pressão. Se feito em uma banheira proporcional ao tamanho da criança e casado com a massagem, é uma estratégia muito eficiente. Com ervas é ótimo porque o cheiro é relaxante também", comenta a pediatra Suzana Altikes Hazzan.
Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa, que desenvolveu um programa de banhos de imersão para prematuros, diz que a melhor hora para dar o o banho é imediatamente antes de a criança ir para a cama. "O efeito é imediato. Muitas vezes elas chegam a dormir durante o banho", conta.
Bichinhos
Muitas mães oferecem um brinquedo --um boneco ou um urso, por exemplo-- para que a criança leve para a cama. "Esse bonequinho é recomendado a partir dos 5 meses. A literatura médica chama-o de "objeto de transição". O melhor é que sejam laváveis e sem pêlos. A criança pode chamá-lo por um nome e se sentir responsável por levá-lo para dormir. Não tem de ter pressa de tirar, mas a regra deve de ser clara: usar só para dormir", diz a neuropediatra Márcia Pradella-Hallinan.
"Pode até ser uma fraldinha de pano, qualquer objeto que passe a ter um significado afetivo. É como se o objeto fosse a concretização de uma afetividade: nele está a representação do amor dos pais, por exemplo, a tranqüilidade de que eles estão por perto, de que ela não está sozinha. Este objeto ajuda a criança a se sentir mais segura para enfrentar algumas situações como dormir sozinha", comenta a psicóloga Natércia Tiba.
Canções de ninar
"Cantar é ótimo. Para os pequenos, a técnica mais recomendada é o canto. E o ideal é que seja sempre a mesma música. A criança associa tanto a música aos sono e à hora de dormir que começa a fechar os olhos antes de a música acabar. Da música passa-se à leitura de histórias, que têm mais impacto nas crianças maiores", ensina Márcia Pradella-Hallinan.
Além da cantoria da mãe ou do pai, vale recorrer a CDs com músicas de ninar ou sons relaxantes. "Isso é correto e usado até nos berçários de hospitais para aclamar os recém-nascidos. Acostumar a criança a ouvir um disco e segurar na mão do adulto por alguns minutos enquanto ela está deitada é um segredo para um sossego", comenta Hamilton Robledo.
Chá de camomila
Geração após geração, a receita de avós e bisavós continua muito popular entre as mães. Mas, para os médicos, a ingestão de um líquido morno é mais calmante do que os princípios da camomila. "Na verdade, ingerir qualquer líquido quente relaxa. Tenho dúvidas sobre o poder calmante da camomila. Dependendo da idade da criança, oferecer o peito basta. Para as maiores, pode ser um chá ou qualquer outro líquido quente. Vale lembrar que chás açucarados são altamente cariogênicos [provocam cáries]. O ideal é oferecê-los sem açúcar", diz a pediatra Suzana Altikes Hazzan.
Deixar chorar
Há quem defenda criança seja colocada no berço e deixada chorando. A opção é polêmica. A partir dela, o pediatra norte-americano Richard Feber, professor da universidade Harvard, desenvolveu um método de retornos programados ao quarto que ensina a criança a dormir sozinha em três dias. No primeiro dia, a mãe deixe deixar a criança no quarto durante 15 minutos sozinha e só depois ir até ela. No segundo dia, o tempo sobre para 20 minutos e, no terceiro dia, para 30.
"Deixar chorar é necessário às vezes, mas não deve ser drástico. A criança pode associar que dormir é algo muito ruim e tudo vai se tornar cada vez mais difícil. Porém, os pais não devem ir até a criança já no primeiro choro. Se ela se desesperar, vale ir lá e acalmar um pouco. O que não pode é deixar a criança chegar ao ponto de perder fôlego ou vomitar", explica Márcia Pradella-Hallinan.
Deixar que a criança durma com os pais
Muitas crianças manifestam a preferência de dormir com a mãe, com o pai ou com ambos. "Na nossa cultura, deixar que a criança durma com os pais é desaconselhável. Há muitos estudos nesse sentido, principalmente americanos, pois lá nota-se um aumento da incidência do que eles passaram a chamar de "co-sleeping". Há dados que confirmam que, apesar de a criança parecer dormir melhor na cama dos pais, a arquitetura do sono fica prejudicada, isto é, a qualidade do sono é pior", diz a pediatra diz Eduardina Telles Tenenbojm, psicoterapeuta e doutoranda em ciências no departamento de neurologia clínica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Ler livros e contar histórias
A leitura de histórias é uma das técnicas mais populares entre os pais. O ideal é que, antes de dormir, sejam lidos livros infantis, mas as histórias narradas às crianças também podem ser inventadas. A leitura deve acontecer na cama da criança, ou antes de ela ir para cama. Nunca na cama dos pais.
"Ler é uma técnica benéfica e um momento de aproximação entre os pais e filhos e pode ser parte do ritual para adormecer. É ainda uma forma de introduzir o hábito da leitura, que caiu em desuso entre os adolescentes", diz Eduardina Telles Tenenbojm.
Levar à exaustão
Muitas vezes as horas que antecedem o sono são aquelas em que as crianças manifestam comportamento mais agitado. A impressão que dá é que o pequeno não se rende ao sono e busca brincar até ficar exausto. "O correto é que a criança tenha momentos reservados à prática de atividades físicas durante o dia, preferencialmente durante a tarde. E que, o quanto antes, perca o hábito de dormir durante o dia. Depois de 4 ou 5 anos, a criança não precisa mais fazer a sesta. À medida que for chegando a hora de dormir, o certo é desacelerar. O ritual do sono deve ser tranqüilo", observa Isabel Madeiram.
Luz acesa
Por medo, algumas crianças se recusam a dormir no escuro. Para os especialistas, luz apagada é a maneira mais adequada de relaxar, porém é preferível que a criança durma com a luz acesa a dormir na cama dos pais. "No hospital, temos usado luzes azuis, que têm efeito relaxante, para acalmar recém-nascidos hiperativos. Essa estratégia pode ser adotada em casa também", afirma o pediatra Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa. Ele ressalta que é necessário que os pais investiguem as razões do medo do escuro. "Esse é um sintoma que pede atenção. Afinal, quem são os fantasmas que estão ali? Podem até mesmo ser pessoas conhecidas das crianças", observa.
Márcia Pradella-Hallinan concorda. "Os medos podem vir de coisas trazidas de escola e se manifestarem à noite. Então é necessário desviar a atenção da criança para uma coisa positiva e desassociar o sono de medo", acrescenta.
Manter uma rotina fixa
"Organizar a rotina fixa de sono com horários e práticas repetidos diariamente é a regra de ouro. As crianças são bastante sensíveis aos rituais, às coisas que se repetem. A repetição é tranqüilizadora para a criança porque ela reencontra o "conhecido". Isso facilita a indução ao sono", diz a pediatra diz Eduardina Telles Tenenbojm.
O ideal é que o ritual do sono seja iniciado cerca de uma hora antes de a criança ir para a cama e que nele sejam cumpridas todas as tarefas que evidenciam que o momento do repouso se aproxima: tomar a mamadeira, escovar os dentes, pôr o pijama, deitar-se com seu urso. Essas tarefas devem ser repetidas diariamente nos mesmo horários.
Óleo de lavanda
Há quem creia que óleo essencial de lavanda ajuda combate a agitação noturna de bebês e crianças. "Basta pingar uma gota de óleo num paninho ou num travesseirinho e posicioná-lo no berço de forma que a criança deitada receba o aroma. O melhor é evite o contato direto do óleo com a pele para não provocar irritações. Em alguns minutos, a inquietação e a insônia melhoram", diz Cristina Baumgart, vice-presidente do Kyron Spa e mãe de dois meninos.
"Não acho que tenha efeito nenhum. Na verdade, é algo que a mãe passa a fazer como parte da rotina de dormir, e é o estabelecer dessa rotina que ajuda os bebês", comenta a pediatra Suzana Altikes Hazzan.
A terapeuta corporal Alice Keiko's Fujiura diz que óleos essenciais puros são muito fortes para a pele do bebê. "Devem ser diluídos em óleos vegetais como o de gergelim e o de semente de uva."
Pôr em frente à TV
O hábito dos adultos de pegar no sono assistindo TV é cada vez mais repassado para as crianças. Mas especialistas alertam que o costume não é recomendado. "Na verdade, o mundo da criança deve ser o mínimo condicionado possível à televisão. E, diferentemente do que ocorre com os adultos, a televisão pode não ser sinônimo de relaxamento para a criança. Se o programa for agitado ou muito interessante, por exemplo, ela não vai querer dormir. Além disso, essa será mais uma criança que precisa de TV no quarto, fato que causa isolamento e desagrega a família", diz Isabel Madeiram.
Shantala
A técnica indiana de massagens para bebês se tornou muito popular nos países do ocidente. Paralelamente, outras técnicas de massagem para bebês surgiram por aqui. Para a pediatra Suzana Altikes Hazzan, massagear é uma técnica fundamentada. "É positivo. Relaxa a criança e ajuda-a a ficar tranqüila. Além disso, o contato com a mãe promove a segurança dos bebês", explica. Mas ela alerta que é importante adquirir domínio da técnica e não forçar caso o bebê não seja receptivo. "Se a mãe começa devagarinho, de modo delicado, a tendência é o bebê aceitar. Entretanto, se ele não aceitar e ficar chorando, o melhor é não forçar", diz Hazzan.
"'Para massagear bebês, antes de começar, é preciso preparar um ambiente tranqüilo. Todos os movimentos devem ser muito suaves e é preciso usar óleo vegetal em abundância. A idéia é que as mãos escorreguem e não que exerçam pressão como no shiatsu", diz Alice Keiko Fujiura
Leia mais aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u4044.shtml
O bebê que não dorme

24/11/2005 - 11h30
Médicos avaliam soluções para fazer dormir os bebês
Publicidade
da Folha de S.Paulo
O sono não vem. E o que é pior: não é o seu, é o do seu filho. Quem já enfrentou uma criança acordada em casa enquanto se sente exausto conhece o drama. E, entre sentimentos de culpa, impotência e irritação, os pais buscam meios de adormecer o pequeno.
O tema, que já rendeu páginas e páginas de livros mundo afora, é assunto também de uma tese de doutorado que está sendo realizada pela pediatra, psicoterapeuta e especialista em sono Eduardina Telles Tenenbojm. Ainda em fase inicial, o estudo está sendo conduzido no departamento de neurologia clínica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e busca investigar o elo entre a relação mãe-bebê e a dificuldade de dormir apresentada por crianças com até dois anos de idade.
"Nos bebês, o uso de medicação para insônia não é indicado. Meu objetivo é chegar a fórmulas de intervenções breves, como consultas terapêuticas, que forneçam resultados consistentes", explica a médica.
Ela diz que mães que enfrentaram situações de luto ou perda recentes são atingidas com mais freqüência pela falta de sono dos filhos. "Bebês que não dormem acabam por trazer a síndrome de privação de sono para o cuidador, que geralmente é a mãe. Ela se sente irritada e chega a ter dificuldades de concentração e de memória. Por outro lado, na relação com a criança, revelam-se também dificuldades que a mãe está enfrentando em outro setores de sua vida. Essas dificuldades se manifestam sob a forma de insônia no bebê ", diz.
Miriam Matos Lagoa, 34, profissional da área de educação física, não dorme direito há sete meses --idade atual do filho Iago Ferrari.
"No meio da gravidez, o relacionamento com pai dele acabou e fiquei deprimida. Acho que ele sentiu isso tudo e, de certa forma, teve um impacto. O sono dele é muito picado, geralmente desperta de meia em meia hora, mesmo tomando um calmante fitoterápico desde os dois meses. Passo a maior parte da noite acordada, faço mamadeira, dou o peito, canto, empurro o carrinho pela sala, tudo para tentar acalmá-lo. Vivo morta de sono, com a rotina atrapalhada pelo cansaço", relata.
"Cheguei à conclusão de que ele é assim mesmo", afirma a artista plástica Alba Nascimento, 33, em relação às poucas horas de sono do filho Filipe Rudah, 22 meses. "Já fiz curso de shantala, pratiquei ioga --porque podia ser eu a estressada-- , levei-o para fazer exames, para benzer, para tomar florais, para fazer homeopatia, dei banho de imersão em camomila. Nada adiantou. O sono dele é leve e ele dorme pouco. Vivo com olheiras", conta Alba.
Para Márcia Pradella-Hallinan, neuropediatra coordenadora do setor de crianças e adolescentes do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo, muitos pais misturam dificuldades de dormir provocadas por condicionamento inadequado com manifestações reais de distúrbio de sono.
"Há pouco tempo, não era sequer recomendado usar o termo "insônia" pra crianças e adolescentes. Insone é alguém que já dormiu bem e perdeu o hábito, o que não é exatamente o caso da criança que apresenta dificuldade ou resistência para dormir", observa.
De acordo com dados do Instituto do Sono, até os três anos de idade 40% das crianças apresentam despertar confuso (seguido de choro). Na idade pré-escolar, o distúrbio de sono predominante é o sonambulismo, manifestado por entre 30% e 35% das crianças. Entre escolares e adolescentes, o terror noturno acomete 15%.
"Fora dessa margem, o que ocorrem são problemas decorrentes de condicionamento inadequado. São crianças que enfrentam dificuldades para dormir simplesmente porque foram mal-acostumadas, adquiriram maus hábitos", esclarece a neuropediatra.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
João Guimarães Rosa

"Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando."
"Sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois."
"(...) a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é."
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Metilfenidato: doping intelectual? ( Para o Deco)

Publicado em 08/12/2008 - 09h26
Grupo de cientistas pede liberação de doping mental
RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo
Um manifesto assinado por pesquisadores de sete universidades líderes nos EUA e no Reino Unido pede que o uso de drogas com o fim de melhorar a inteligência seja regulamentado e, eventualmente, liberado. Em artigo ontem no site da revista "Nature" (www.nature.com), os acadêmicos argumentam que é preciso disciplinar o uso que pessoas saudáveis fazem de medicamentos como a Ritalina (metilfenidato).
Concebida para tratar crianças com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção por Hiperatividade), essa droga (e outras similares) parece ter um efeito de melhora na concentração e na memória também em adultos saudáveis.
Um levantamento conduzido neste ano em universidades americanas revelou que cerca de 7% dos estudantes já fizeram uso de medicamentos desse tipo pelo menos uma vez, na tentativa de melhorarem seus desempenhos acadêmicos.
Tecnicamente, nos EUA, isso é crime, porque envolve comércio de uma droga para uso "off label" --fora do propósito original para o qual foi aprovada. Cientistas argumentam, porém, que a medida é um exagero e drogas como a Ritalina poderiam ser liberadas para "aprimoramento cognitivo", desde que novos testes comprovem sua segurança.
"Propomos ações que vão ajudar a sociedade a aceitar os benefícios do aprimoramento, acompanhadas de pesquisa apropriada e regulamento avançado", escrevem os cientistas. "Isso tem muito a oferecer para indivíduos e sociedade, e uma resposta apropriada por parte de todos deve incluir a disponibilização dos aprimoramentos acompanhada da gestão de riscos."
Sono e cansaço
Entre os nomes que assinam o documento estão "pesos-pesados" das neurociências, como Michael Gazzaniga, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, e também um jurista, Henry Greely, da Universidade de Stanford. A idéia do manifesto saiu de um seminário promovido pela "Nature" e pela Universidade Rockefeller, de Nova York.
Além da Ritalina, os pesquisadores mencionam outras três drogas que já vêm ganhando algum grau de popularidade em usos "off label". Uma delas é a similar Adderall, também usada em transtorno de TDAH. Outra é a Stavigile (modafinil), aprovada para tratar o desgaste físico causado pela narcolepsia, mas que vem sendo usada por alguns estudantes para combater sono e cansaço.
Há ainda uma quarta droga, a Aricept, mais difícil de obter, originalmente aprovada para tratamento do mal de Alzheimer. A preocupação inicial dos cientistas, contudo, é mesmo a Ritalina. "Com a prevalência de TDAH indo de 4% a 7% entre universitários americanos (...), há um bocado de droga no campus que pode ser desviada para usos de aprimoramento."
Concorrência desleal
Caso o uso de drogas para "turbinar" o cérebro venha realmente a ser aprovado, há outras questões que devem ser discutidas, além da segurança, afirma o manifesto publicado na "Nature". Uma delas é o risco de que estudantes deixem de concorrer em pé de igualdade quando participarem de exames que envolvam inteligência.
Uma pessoa que tenha se valido de uma droga poderia obter vantagem de maneira artificial, da mesma forma que um atleta dopado faz na disputa de uma competição, por exemplo. Os cientistas apontam também o risco de mais um problema: empresários poderiam obrigar seus funcionários --de maneira direta ou indireta-- a fazerem uso dessas drogas para melhorarem o rendimento.
O manifesto reconhece, porém, que faltam ainda muitos dados essenciais para que a discussão tome o rumo desejado. Ninguém sabe dizer, por exemplo, o quanto uma droga como a Ritalina pode de fato ajudar a inteligência propriamente dita. O efeito de longo prazo de uma dessas drogas sobre pessoas que já estão saudáveis, também, ainda é totalmente desconhecido.
"Clamamos por um programa de pesquisa sobre o uso e o impacto das drogas de aprimoramento cognitivo por indivíduos saudáveis", ressalta o documento.
Da folhaonline, http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u476483.shtml
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Distúrbios de articulação da fala: " dislalias"

Dislalia (do grego dys + lalia) é termo atualmente inadequado, que descreve um distúrbio da fala, caracterizado pela dificuldade em articular as palavras. Basicamente consiste na má pronúncia das palavras, seja omitindo ou acrescentando fonemas, trocando um fonema por outro ou ainda distorcendo-os ordenadamente.
A falha na emissão das palavras pode ocorrer em fonemas ou sílabas. Assim sendo, os sintomas da Dislalia consistem em omissão, substituição ou deformação dos fonemas.
Não se observam, porem, transtornos no movimento dos músculos que intervêm na articulação e emissão da palavra.
Em muitos casos, a pronúncia das vogais e dos ditongos costuma ser correta, bem como a habilidade para imitar sons. Diante do paciente dislálico costuma-se fazer uma pesquisa das condições físicas dos órgãos necessários à emissão das palavras, verifica-se a mobilidade destes órgãos, ou seja, do palato, lábios e língua, assim como a audição, tanto sua quantidade como sua qualidade auditiva.
As Dislalias constituem um grupo numeroso de perturbações orgânicas ou funcionais da palavra. No primeiro caso, resultam da malformações ou de alterações de inervação da língua, da abóbada palatina e de qualquer outro órgão da fonação. Encontram-se em casos de malformações congênitas, tais como o lábio leporino ou como conseqüência de traumatismos dos órgãos fonadores. Por outro lado, certas Dislalias são devidas a enfermidades do sistema nervoso central.
Quando não se encontra nenhuma alteração fisica a que possa ser atribuído a Dislalia, esta é chamada de Dislalia Funcional. Nesses casos, pensa-se em hereditariedade, imitação ou alterações emocionais e, entre essas, nas crianças é comum a Dislalia típica dos hipercinéticos ou hiperativos. Também nos deficientes mentais se observa uma Dislalia, às vezes grave ao ponto da linguagem ser acessível apenas ao grupo familiar.
Até os quatro anos, os erros na linguagem são normais, mas depois dessa fase a criança pode ter problemas se continuar falando errado. A Dislalia, troca de fonemas (sons das letras), pode afetar também a escrita. Um caso clássico característico portador de dislalia são os personagens Cebolinha da Turma da Mônica o Hortelino Troca-Letras ("Elmer Fudd") do Looney Tunes, e Ming-Ming, do Super Fofos que sempre trocam o "R" (inicial e intervocálico) por "L", no caso de Hortelino, o "R" final também é afetado.
A dislalia em geral é um problema funcional, e pode ocorrer sem refletir uma doença propriamente dita até por volta dos 5 anos, quando se torna preocupante. O som alterado pode se manifestar de diversas formas, havendo distorções, sons muito próximos mas diferentes do real, omissão, ato em que se deixa de pronunciar algum fonema da palavra, transposições na ordem de apresentação dos fonemas (trocar máquina por mánica) e, por fim, acréscimos de sons.
Entretanto, o encaminhamento precoce a profissionais de habilitação e reabilitação na fala pode ser realizada já a partir dos 2 anos, com boa resposta. As dificuldade na linguagem oral devem ser muito valorizadas, porque podem interferir no aprendizado da escrita.
Em relação as alteraç~es mais comuns, há omissão, substituições, distorções ou acréscimos de sons. Eis alguns exemplos:
* Omissão: não pronuncia sons - "omei" = "tomei"; "estrela" = "estela"
* Substituição: troca alguns sons por outros - "balata" = "barata"; "coração" = "colação"
* Acréscimo: introduz mais um som - "Atelântico" = "Atlântico"
Editado, adaptado e corrigido de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dislalia
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Aprendendo sobre dislexia

A dislexia é uma dificuldade primária do aprendizado abrangendo leitura, escrita, e soletração ou uma combinação de duas ou três destas dificuldades. Ela abrange uma vasta gama de possibilidades com alterações quantitativas e qualitativas de diferentes niveis, total ou parcialmente irreversíveis.
Além disso,há envolvimento de várias áreas cerebrais responsáveis pelo processamento da fala e escrita, sendo comum também que a criança confunda a direita com a esquerda no sentido espacial
A dislexia é mais frequentemente caracterizada pela dificuldade na aprendizagem da decodificação das palavras, na leitura correta e fluente e na fala. Pessoas disléxicas apresentam dificuldades na associação do som à letra. Esses sintomas podem coexistir ou serem confundidos com outras causas de dificuldades de aprendizagem, como o déficit de atenção/hiperatividade, dispraxia, discalculia, e/ou disgrafia.
Uma das grandes dificuldades em seu diagnóstico, é a impressão dos pais, educadores e profissionais de saúde de que as dificuldades escolares da criança são o resultado de uma má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica, alteração visual ou baixa inteligência.
Há uma causa para dislexia?
Ainda não se tem uma causa consistente de dislexia. Ela tem sido relacionada a fatores genéticos, acometendo pacientes que tenham familiares com problemas fonológicos, mesmo que não apresentem dislexia. Sabe-se hoje que uma criança que tenha um genitor disléxico apresenta um risco importante de apresentar o distúrbio.
Meu filho tem dislexia?
A dificuldade de ler corretamente, escrever e soletrar se mostra através de diferentes sinais em cada faixa etária, de acordo com nível escolar:
Sinais na fase pré-secolar
Atraso na fala
Pronuncia constantemente de forma errada de algumas sílabas
Vocabulário pobre, com crescimento lento do vocabulário ao longo dos anos
Dificuldade em aprender cores, números e copiar seu próprio nome
Falta de habilidade para tarefas motoras finas (abotoar, amarrar sapato)
Não consegue narrar uma história conhecida em seqüência correta
Não memoriza nomes ou símbolos
Sinais após alfabetização
Dificuldades mais identificadas :
Dificuldade na fala e em aprender o alfabeto.
Dificuldade no planejamento e execução motora de letras e números
Má preensão do lápis
Dificuldade de separar e seqüenciar sons (ex: p – a – t – o )
Poucas habilidades auditivas - rimas
Discriminar mal fonemas de sons semelhantes: t /d; - g / j; - p / b.,
Diferencia mal de letras com orientação espacial: d /b ;- d / p; - n /u; - m / u
Diferencia mal pequenas diferenças gráficas: e / a;- j / i;- n / m;- u /v
Desorientação temporal (ontem – hoje – amanhã, dias da semana, meses do ano)
Desorientação espacial (lateralidade difusa, confunde a direita e esquerda, embaixo, em cima)
Não consegue escrever com letra cursiva
Sinais no Ensino Fundamental
Atraso na aquisição das competências da leitura e escrita.
Leitura silábica, decifratória.
Nível de leitura abaixo do esperado para sua série e idade.
Soletra mal as palavras
Suprime letras: estrela / estela
Repete sílabas: pássaro / passassaro
Má compreensão de piadas, provérbios e gírias
Não sabe seqüências como: meses do ano, dias da semana, alfabeto, tabuada. mapas
Diagnóstico
Inicialmente, fazemos o diagnóstico de dificuldade de aprendizagem que pode residir em inúmeras causas, inclusive em distúrbios de aprendizadgem ( como a dislexia). Porém, os sintomas podem ser percebidos pelos pais bem antes da criança frequentar a escola. Uma vez identificado o problema de rendimento escolar, deve-se procurar ajuda especializada.
Uma equipe multidisciplinar, incluindo neuropediatra, psicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo Clínico inicia investigação detalhada e verifica a necessidade do parecer de outros profissionais, como oftalmologista, psiquiatra e outros, conforme o caso.
É muito importante o parecer da escola, dos pais, o levantamento do histórico familiar e a evolução da criança, uma vez que outras causas precisarão ser descartadas, como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas) e desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar
Não existe teste único, patognomônico (sinais/sintomas constantes, caraterísticos da doença) de dislexia.
Há tratamento para a dislexia?
Uma vez diagnosticada a dislexia, e conhecedor das causas das dificuldades, do potencial e a individualidade da criança, o neuropediatra pode utilizar a linha terapêutica que achar mais conveniente para o caso particular. Os resultados aparecem progressivamente. Embora muitos disléxicos contornem suas dificuldades e achem seu caminho, o apoio de profissionais experientes ajudará muito nesta caminhada.

"Tudo, aliás, é a ponta de um mistério, inclusive os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece há um milagre que não estamos vendo. "
(Guimarães Rosa)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Entendendo o TDAH

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e pode acompanhar o indivíduo por toda a sua vida. Também é chamado de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). Em inglês, também é chamado de ADD, ADHD e AD/HD. Caracteriza-se basicamente por sinais e sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.
Embora já tenha havido muita discussão no passado, não há mais dúvidas sobre a existência e importância do TDAH, sobretudo pelo comprometimento social e, em particular escolar a que estes pacientes são submetidos. Entretanto, ainda há muitas pessoas ( profissionais médicos inclusive) que relatam que TDAH não existe ou que " está na moda", seja por inocência, falta de formação científica ou até mesmo má-fé.
Alguns chegam a afirmar que “o TDAH é uma invenção” médica ou da indústria farmacêutica, para terem lucros com o tratamento e que o tratamento do TDAH com medicamentos causaria conseqüências terríveis. Porém, nada disso é consistente, nem tem suporte científico.
Sabemos hoje que o TDAH é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhados para serviços especializados. Ele atinge 3 a 5% das crianças, em várias regiões diferentes do mundo em que já foi pesquisado. Em boa parte dos casos, o transtorno ainda acompanha o indivíduo na vida adulta, embora os sintomas de agitação sejam mais brandos.
O TDAH se caracteriza por uma combinação de dois tipos de sintomas:
1) Desatenção
2) Hiperatividade-impulsividade
Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais IV, DSM-IV(2002), vários critérios devem ser cumpridos para que um indivíduo se qualifique como portador de TDAH. Basicamente, a pessoa precisa apresentar um padrão de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que se encaixe nos seguintes critérios:
1. Persistência: o comportamento tem de persistir por pelo menos seis meses.
2. Início precoce: os sintomas têm de estar presentes (não necessariamente diagnosticados) antes da idade de 7 (sete) anos.
3. Freqüência e gravidade: a desatenção e/ou a hiperatividade-impulsividade devem ter um caráter extraordinário quando comparadas às de pessoas da mesma idade.
4. Claras evidências de deficiência: o padrão comportamental do TDA precisa causar uma interferência significativa na capacidade funcional da pessoa.
5. Deficiência em um ou mais cenários: os sintomas causam problemas sérios em contextos múltiplos, inclusive na escola (ou no trabalho, no caso dos adultos), em casa e em situações sociais.
Além disso, no DSM - IV são fornecidas duas listas, cada uma com nove sintomas. A primeira lista inclui manifestações de Desatenção:
a. não consegue prestar muita atenção a detalhes ou pode cometer erros por falta de cuidados nos trabalhos escolares ou outras tarefas;
b. tem dificuldade em manter a atenção no trabalho ou no lazer;
c. não ouve quando abordado diretamente;
d. não consegue terminar as tarefas escolares, os afazeres domésticos ou os deveres no trabalho;
e. tem dificuldade em organizar atividades;
f. evita tarefas que exijam um esforço mental prolongado;
g. perde coisas;
h. distrai-se facilmente com estímulos irrelevantes e habitualmente interrompem tarefas em andamento para dar atenção a ruídos ou eventos triviais que em geral são facilmente ignorados por outros.
i. Freqüentemente se esquecem de coisas nas atividades diárias.
A segunda lista inclui sintomas de hiperatividade - impulsividade:
Hiperatividade
a. tamborila com os dedos ou se contorce na cadeira;
b. sai do lugar quando se espera que permaneça sentado;
c. corre de um lado para outro ou escala coisas em situações em que tais atividades são inadequadas;
d. tem dificuldade de brincar em silêncio;
e. parece estar "a todo vapor" ou "cheio de gás"
f. fala em excesso.
Impulsividade
g. responde antes que a pergunta seja completada;
h. tem dificuldade em esperar sua vez;
i. interrompe os outros ou se intromete.
Para se fazer o diagnóstico de TDAH, é necessário que a pessoa tenha 6 ou mais características de cada um dos 2 tipos acima,em mais de um ambiente ( na escola e em casa, por exemplo).
Outro aspecto importante do TDAH na infância é que ele se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como "avoadas", "vivendo no mundo da lua", "estabanadas" ou “funcionado a todo vapor”.
Os meninos costumam apresentar mais sintomas de hiperatividade e impulsividade enquanto as meninas geralmente são mais desatentas. Além disso, crianças e adolescentes com TDAH costumam apresentar mais problemas psiquiátricos e de comportamento associados, o que pode dificultar o diagnostico e tratamento.
Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações de funcionamento cerebral em algumas regiões, como a região frontal, a região parietal posterior direita e suas conexões com o resto do cérebro. As principais alterações são do funcionamento de um sistema de substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que são responsáveis pela transmissão de informação entre as células nervosas (neurônios), o que não ocorreria corretamente nestas pessoas.
A título de curiosidade, a região frontal orbital é uma das mais desenvolvidas no ser humano em comparação com outras espécies animais e é considerada a responsável pela inibição do comportamento (isto é, controlar ou inibir impulsos e comportamentos inadequados), atuando ainda na capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento. Seu funcionamento incorreto, como no TDAH, levaria a alterações comportamentais e prejuízo social importantes.
Outro dado curioso do TDAH é que ele tem relação bem documentada com alguns aspectos da história pregressa e familiar das crianças, como a presença de história familiar de TDAH, ingestão de álcool e hábito de fumar da mãe durante a gravidez ou problemas perinatais, como prematuridade ou asfixia perinatal. Entretanto, a presença ou não destes dados não é obrigatória para o diagnóstico nem exclui sua possibilidade.
Por fim, é importante ressaltar que o TDAH tem tratamento, que será tanto neuropsicológico quanto medicamentoso e que este deve ser instituído o quanto antes após o diagnóstico ( nunca antes dos 7 anos), como forma de promover na criança um melhor aproveitamento escolar e sua integração social.
O TDAH e os Simpsons
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Dúvidas sobre epilepsia

Na convivência diária com crianças com epilepsia, percebo que o maior problema enfrentado pelos familiares é a falta de informações de qualidade. Inúmeras crenças a respeito da doença ainda estão presentes em nossa sociedade, e impedem estas crianças de seguirem com uma vida normal. A seguir, algumas das dúvidas mais freqüentes que ouço todos os dias:
O que causa epilepsia?
A epilepsia tem várias causas possíveis - desde doenças que geram acometimento cerebral até desenvolvimento cerebral anormal. Mais comumente, a epilepsia também pode desenvolver-se sem uma causa bem definida quando, acredita-se, seja de origem genética (embora nem sempre herdada dos pais).
Como se trata epilepsia?
Assim que a epilepsia é diagnosticada, é importante começar o tratamento o mais rápido possível. Há diferentes medicamentos com poucos efeitos colaterais que podem ser úteis em cada caso. Há também procedimentos cirúrgicos e dietéticos disponíveis para tratamento de formas refratárias aos medicamentos em situações específicas
Qual é o prognóstico?
A maioria das crianças com epilepsia leva uma vida normal. Ainda que a epilepsia atualmente não tenha cura definitiva, em algumas crianças ela desaparece com o passar do tempo. E a maioria das crises epiléticas não gera lesão cerebral.
Meu filho pode morrer durante uma crise epiléptica?
Não, é bastante raro que alguém morra durante uma crise epiléptica. A maior parte dos óbitos ocorre por eventos relacionados indiretamente a crises ( quedas e afogamentos, por exemplo). É claro que crises epilépticas muito prolongadas, em especial as com duração superior a 30 minutos, podem provocar danos cerebrais graves e irreversíveis, mas mesmo nestes casos é pouco freqüente que cheguem a provocar a morte.
Durante a crise eu devo “ desenrolar a língua” da criança?
Este é um dos principais mitos relacionados à epilepsia. A musculatura da língua pode se contrair durante uma crise dando a impressão de que a criança está “engolindo a língua”. Contudo, a criança não se asfixiará devido a essa contração e é absolutamente contra-indicado se puxar a língua de alguém para fora durante uma crise, bem como não se deve jamais introduzir qualquer objeto e nem água na boca do paciente neste momento.
Meu filho tem epilepsia ou disritmia cerebral?
O termo disritmia cerebral foi introduzido no início do século passado como sinônimo de epilepsia, com o objetivo de se evitar o uso do termo “epilepsia”, pois naquela época esta era considerada uma doença ainda mais estigmatizante. Contudo, com o passar dos anos o termo “disritmia cerebral” foi se descaracterizando e passou a ser utilizado para outras doenças que não a epilepsia. Atualmente, não utilizamos mais o termo.
Meu filho epiléptico pode fazer exercícios?
Sim, pessoas portadoras de epilepsia com suas crises controladas podem realizar exercícios físicos. Entretanto, esportes mais radicais que envolvem altura (asa delta, montanhismo, pára-quedismo) e esportes aquáticos em ambientes abertos (rios, lagos, mar) devem ser evitados. Aulas de natação em piscina sob a supervisão de alguém apto a socorrer se necessário estão liberadas, bem como a prática regular de atividades de educação física na esolca
Meu filho tem epilepsia. Ele vai ter algum problema mental?
Não, a epilepsia não tem necessariamente associação com baixa inteligência, problemas mentais ou psiquiátricos. É claro que algumas crianças, principalmente as que possuem doenças neurológicas mais graves como malformações cerebrais extensas, podem apresentar desordens psiquiátricas, mentais e rebaixamento intelectual associados a epilepsia. Entretanto, a regra não é essa.
Por fim, é fundamental que os pais de crianças com epilepsia informem-se ao máximo a respeito do tipo de epilepsia que ela possui. A informação melhora o entendimento da doença, facilia o tratamento das crianças e diminui o preconceito ainda tão presente em nossa sociedade.
Leia mais aqui:
http://www.epilepsia.org.br/epi2002/mitos_indice.asp
Epilepsia na infância

Define-se epilepsia como uma alteração na atividade elétrica do cérebro, temporária e reversível, que produz manifestações motoras, sensitivas, sensoriais, psíquicas ou neurovegetativas. Para ser considerada epilepsia, deve ser excluída a crise causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos, que classificamos como crises epilépticas sintomáticas e não configuram epilepsia.
Em todo o mundo, a epilepsia representa um problema importante de saúde pública, não somente por sua elevada incidência, mas também pela repercussão social da enfermidade que submete a criança a restrições injustificadas, na grande maioria das vezes.
Estima-se que 90% das pessoas que desenvolvem os sintomas de epilepsia o fazem antes dos 20 anos de idade. A incidência de epilepsia é particularmente alta nos primeiros anos de vida, cai para um platô na segunda década de vida e volta a subir a partir dos 60 anos. Assim, a epilepsia é especialmente comum nos primeiros anos de vida e na terceira idade.
Um dos campos da Neurologia onde é mais importante uma abordagem diferente para adultos e crianças é a epilepsia. O sistema nervoso central (SNC) da criança desde antes do nascimento se encontra em mudança dinâmica constante. Apesar de sua formação começar nas primeiras semanas após a concepção, sua maturação continua até a idade adulta. Uma das conseqüência destas mudanças ativas, são as formas de apresentação das crises epilépticas na infância, bastante diferentes dos adultos.
Além disso, certas síndromes epilépticas aparecem somente em uma faixa específica de idades e, além disso, as manifestações clínicas das crises podem se modificar com a idade. Por exemplo, existe uma incapacidade do cérebro do recém nascido para desenvolver crises motoras graves, chamadas de tônico-clônicas generalizadas.
Por fim, devemos ter consciência que há inúmeras formas de epilepsia relacionadas a idade, e que muitas crianças deixam de apresentar crises epilépticas após um determinado tempo. Além disso, o tratamento da epilepsia na infância envolve medicamentos muito seguros e que causam pouquíssimos efeitos colaterais nos dias de hoje.
Leia mais aqui:
http://www.epilepsia.org.br/epi2002/temas_indice.asp

