quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Disturbios da articulação da fala

Em homenagem ao dia das crianças, reproduzo um texto do jornalista, cronista esportivo, pai e avô Juca Kfouri sobre suas duas netinhas e as dificuldades de fala na infância. Não que seja científico. É apenas adorável.



Macarujá, síbalas… Sai tudo errado mesmo. Mas calma, elas estão aprendendo

Por Juca Kfouri, avô de Luiza e Julia. Fale com ele: juca.kfouri@revistapaisefilhos.com.br

“Vovô, você é midículo e desagadável!“
“Como é, Luiza?”
“Você, vovô, é midículo e desagadável!”
Íamos os dois no carro, ouvindo as musiquinhas dela, então com 2 anos e meio, eu provavelmente cantarolando junto, o que ela jamais aprovou.
“Lulu, quem disse isso pra você?”
“A vovó Susi.”

Imediatamente liguei para ela pelo viva-voz e quando perguntei se de fato tinha sido a autora de tamanha infâmia, só ouvi uma gargalhada do outro lado.
“Imagina, eu nunca disse isso.”

Eu olhava a pequena pelo retrovisor e só a via afirmando o que dissera com a cabecinha, desmentindo a avó do outro lado da linha, mas se recusando a falar com ela.

Quando, enfim, desliguei, falei em alto e bom som, triunfante: “Viu só, a vovó disse que não falou nada”.

E ouvi, baixinho, da cadeirinha colada no banco de trás: “É, mas falou”.

Se uma criança tão pequena consegue ser desconcertante assim pela capacidade de ser taxativa a esse ponto, consegue, também, se revelar consciente de suas dificuldades de maneira comovente.

E esta aconteceu 20 dias atrás. Julia, 3 anos e meio, me recebeu em sua casa contando excitada que “o pato da Luiza caiu”.

“Caiu no lago?”, perguntei. E a vi fazer uma carinha entre o desânimo e a perplexidade.
“Não esse pato, vovô, o pato.”
“Ah, o prato?!”
E ela me olhou com a carinha mais angelical deste mundo, suplicando por compreensão: “Vovô, eu não sei falar como vocês”.
Quase a sufoquei de tanto apertar e beijar.

O linguajar surpreende, o vocabulário é gigantesco por causa dos estímulos que aparecem de todos os lados e os errinhos precisam ser cada vez mais guardados, porque se a pequena adola suco de macarujá, a maior, campeã de trava-línguas, dia desses quis brincar comigo do jogo das síbalas.

Desnecessário dizer que não é aconselhável falar com os pequenos no tatibitate deles, mas também não me parece razoável viver corrigindo seus errinhos.

Corrigir mesmo basta uma vez e fico pasmo como as duas já não dizem “pra mim fazer” e a frequência com que revelam querer falar a palavra certa e não saber como, muitas vezes esperando que alguém as socorra.

Sem nunca esquecer que se há uma língua cheia de armadilhas, essa é a nossa inculta e bela última flor do Lácio.

Juca Kfouri é jornalista esportivo, pai de quatro filhos e avô orgulhoso

Você pode ler mais do Juca aqui.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dia das crianças


Vem aí o dia das crianças... Aproveitem!!!!

Epilepsia em crianças: pais subestimam a qualidade de vida de criança com doença crônica




Ter um filho com epilepsia exige, sim, alguns cuidados especiais, como o controle diário da medicação, frequentes visitas aos médicos e a responsabilidade de informar às pessoas que convivem com a criança sobre a doença. Mas será que a proteção exagerada e faz bem para seu filho? Um estudo feito por especialistas em neurologia da Universidade da Califórnia (EUA) mostra que os pais têm a sensação de que o filho com epilepsia tem uma qualidade de vida inferior às demais crianças. Mas, quando os pesquisadores perguntaram às crianças com a doença o que elas achavam de suas vidas, afirmaram que estavam muito bem, sim!.

Os pesquisadores descobriram que as avaliações dos pais sobre a qualidade de vida das crianças eram significativamente mais baixas para os seus filhos com epilepsia. Os fatores considerados foram saúde, autoestima e disposição física. Em contraste, as crianças com a doença avaliaram sua própria qualidade de vida igual a de seus irmãos. Foram avaliadas 143 crianças com epilepsia, a maioria com 12 anos, comparando cada uma com um irmão, saudável e não-epiléptico. A avaliação foi feita por meio de entrevistas pessoais oito a nove anos após o diagnóstico inicial, utilizando o Child Health Questionnaire, questionário que considera as versões dos pais e dos filhos sobre um mesmo assunto.

Por que os pais tendem a acreditar que a vida dos filhos não é boa o suficiente? Porque eles vêem a doença crônica como uma barreira que, em tese, impede a criança de ter uma vida melhor. Christine Bower Baca, uma das médicas responsáveis pelo estudo, explica que ter uma doença crônica ou uma deficiência não significa necessariamente que a pessoa está insatisfeita com sua vida, apesar de que outros possam pensar. “Tal distorção poderia levar a uma subestimação da qualidade de vida da criança.” Reconhecer as reais necessidades da criança é importante para a busca de um tratamento eficiente e para a melhor compreensão dos pais de como cuidar dos filhos.

O estudo também aponta que aproximadamente 45 mil crianças menores de 15 anos desenvolvem epilepsia a cada ano. As causas podem ser problemas com o desenvolvimento do cérebro antes do nascimento, a falta de oxigênio durante ou após o parto, traumatismos cranianos, tumores, convulsão com febre prolongada, genética, ou infecções no cérebro.



75% das pessoas não recebem tratamento

Boa parte das pessoas não tem tratamento por falta de conhecimento sobre seus sintomas e perigos. A boa notícia é que ela tem cura, e as chances disso são ainda maiores quando o diagnóstico é feito nos primeiros anos de vida da criança. Um estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde revelou que cerca de 75% das pessoas que sofrem de epilepsia no mundo deixam de receber tratamento, e isso se deve muito mais à falta de conhecimento sobre a doença do que ao valor do seu tratamento.

Esse distúrbio é mais comum entre as crianças do que entre os adultos (cerca de 5% da população jovem tem o problema) e sua causa na maioria dos casos é desconhecida. Algumas vezes, a doença pode ser passageira, desaparecendo ainda na infância naturalmente, o que não dispensa a avaliação e tratamento - no Brasil todos os remédios necessários são fornecidos pelo governo. Alguns sinais ficam mais evidentes nos primeiros anos na escola , quando ela pode apresentar falta de atenção enquanto escreve ou assiste às aulas, e isso pode atrapalhar o rendimento escolar. Uma das formas de perceber o problema pode ser quando, durante um ditado, a criança escreve apenas partes do que o professor fala, sem registrar grandes pedaços do texto dito. Como os professores podem não saber diferenciar se a criança tem déficit de atenção ou epilepsia de fato, cabe a eles observar os alunos e orientar os pais a procurarem um especialista.

Segundo Rogério Tuma, neurologista do Hospital Sírio Libanês (SP), a doença pode ser constatada logo depois que a criança nasce, quando o médico já pode perceber se o bebê apresenta contrações constantes em algum músculo do corpo. Se ele suspeitar que elas indicam epilepsia, é pedido um exame de eletroencefalograma para analisar as descargas elétricas do cérebro e constatar se há de fato disfunção em algumas células. O diagnóstico precoce aumenta muito as chances de cura, e o tratamento normalmente é feito à base de medicamentos. Só em casos em que a causa da epilepsia é conhecida e muito específica (como um tumor ou após um acidente que comprometeu a estrutura do cérebro) é possível fazer uma cirurgia para sanar o problema.

A epilepsia não é uma doença transmissível e acontece quando alguns neurônios não funcionam corretamente. Essa disfunção se manifesta em contrações involuntárias de alguns músculos do corpo ou até do corpo inteiro durante alguns segundos. Outro sintoma é o que os médicos chamam de ausência (quando a pessoa parece olhar para o nada, pisca com frequência ou estala os lábios, como se não estivesse percebendo o que está ao seu redor). Esses períodos em que a pessoa parece inconsciente ou quando tem essas contrações são conhecidos como crises. Numa crise mais grave, a pessoa pode chegar até mesmo a ter convulsões.

Como agir

Se já se sabe que a criança é epilética, é importante que os pais avisem a coordenação da escola para que eles fiquem cientes de que o aluno pode apresentar algumas dificuldades. Cabe à coordenação comunicar aos professores para que eles sejam mais cuidadosos – especialmente em aulas de educação física, que exigem mais esforço do aluno e isso pode acarretar alguma crise – mas sem excluir as crianças de nenhuma brincadeira ou exercício.

Os problemas mais frequentes da epilepsia são causados durante as crises, que podem durar vários segundos. Tuma explica que o cérebro aprende a ter a crise, então quanto mais crises a pessoa tem, maior é o risco de ela ter de novo. Uma maneira de evitá-las é seguindo o tratamento indicado pelo médico. Nesse tempo, como a pessoa perde o controle sobre o próprio corpo (ou parte dele), ela pode cair e se machucar. Em casos mais graves, pode até mesmo ocorrer a falta de oxigenação no cérebro, o que leva a convulsões e até a danos permanentes.

Durante uma crise, alguns cuidados são necessários para garantir a integridade física da criança. Se o ataque provocar contrações involuntárias ou convulsões, abra espaço para que seu filho não bata em nenhum objeto, deite-o de lado para impedir que sua língua feche a passagem de ar pela garganta e não coloque nada em sua boca - dedos podem ser mordidos e objetos podem machucá-lo. Se você estiver sozinho com a criança durante uma crise, mantenha a calma e fique ao lado dela esperando o fim das contrações. Só após o relaxamento dos músculos você deve buscar socorro.

Cuidados ainda na gestação

Inúmeras pesquisas já comprovaram que o álcool prejudica a saúde da mãe e compromete o futuro do bebê. Por isso, fique atenta. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade do Novo México, nos EUA, os fetos que são expostos a álcool têm maiores chances de desenvolver epilepsia. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão após examinar o histórico familiar de 425 pessoas que sofrem da doença. Eles estabeleceram uma correlação entre fatores de risco - como a exposição ao álcool e às drogas durante a gravidez – e as ocorrências de epilepsia.


Epilepsia em crianças: pais subestimam a qualidade de vida de criança com doença crônica

Atividade física é indicada para crianças com epilepsia




Crianças com baixos indices de atividade física apresentam maiores chances de desenvolver doenças cardiovasculares, obesidade, artrite, diabetes e outras doenças relacionadas ao sedentarismo observadas em adultos."Pais estimulam os filhos sem epilepsia a praticarem exercícios físicos e mostram uma atitude de superproteção em relação aos outros filhos com epilepsia, fazendo com esses evitem a prática esportiva".
A epilepsia é uma das mais comuns doenças neurológicas em crianças, afetando aproximadamente 1 % da população pediátrica. A atividade física tem mostrado grandes benefícios fisiológicos e psicológicos em pessoas com epilepsia.
Entretanto, muitos profissionais da área de saúde contra-indicam a prática de exercícios físicos ou atividades esportivas para as crianças com epilepsia por acharem que o exercício físico possa desencadear crises epilépticas ou lesões durante a prática dos exercícios físicos.
Assim, o estigma e o preconceito da epilepsia diminuem ainda mais o incentivo para as crianças na participação de atividades esportivas. Um estudo realizado por Judy Wong e Elaine Wirrell *, pesquisadores da Universidade de Alberta e Universidade de Calgar, Canadá demonstrou resultados muito interessantes em relação aos hábitos de atividade física entre irmãos com epilepsia.
Neste estudo, foi comparado o nível de atividade física de crianças com epilepsia em relação aos seus irmãos sem epilepsia. Verificou-se que as crianças com epilepsia eram menos ativas fisicamente, com menor participação em atividades esportivas que seus irmãos sem epilepsia. Além disso, as crianças com epilepsia apresentavam índice de massa corporal maior, isto é, eram mais obesas.
A falta da participação em atividades esportivas neste grupo de crianças pode refletir um maior isolamento social, o que é comum nesta população específica.
Neste sentido, parece que os pais estimulam os filhos sem epilepsia a praticarem exercícios físicos e mostram uma atitude de superproteção em relação aos outros filhos com epilepsia, fazendo com esses evitem a prática esportiva.
Apesar da maioria dos esportes ser seguro para pessoas com epilepsia, algumas atividades necessitam de supervisão, como esportes aquáticos e esportes em altitudes. Detalhes das atividades esportivas recomendadas e contra-indicadas para pessoas com epilepsia foram mostradas em matérias anteriores sobre epilepsia e exercício físico - artigos anteriores clique aqui.
Desta forma, é importante encorajar e orientar os pais dos efeitos positivos do exercício físico no desenvolvimento físico e psicológico das crianças com epilepsia.

*Judy Wong and Elaine Wirrell. Physical Activity in Children/Teens with Epilepsy Compared with That in Their Siblings without Epilepsy. Epilepsia, 47(3):631–639, 2006.

Atividade física é indicada para crianças com epilepsia

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O pintinho, as escolas e o TDAH



Quem quiser ler mais tirinhas do pintinho e seus pais, tem aqui:
http://opintinho.tumblr.com

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A palmada como método educativo



Abaixo, segue o link do brilhante texto do jornalista e doutor em ciencia politica Leonardo Sakamoto, postado em 05.09.2011 em seu blog no portal uol. Como forma de estimular a leitura de todos, posto antes alguns trechos:


"
“Eu bati nele, sim, pra corrigir. Mas não queimei, não. Só fiz coisa normal de uma mãe.”

A declaração foi dada nesta segunda à TV Globo pela mãe acusada de trancar os três filhos em casa em Itapecerica da Serra (SP). Segundo o filho mais velho, de 12 anos, que ligou para a polícia a fim de pedir ajuda, ela também teria usado água quente para queimá-lo. Um inquérito policial foi instaurado.

(...)


Educar alguém não é fácil. Eu, por exemplo, era uma peste quando criança (e sigo até hoje…) – portanto agradeço enormemente aos meus pais pela educação que me deram. Mas o ser humano evolui, a sociedade evolui, não precisamos permanecer com velhas práticas simplesmente porque foram adotadas em nossa infância ou na infância de nossos pais.

(...)

Por que os mesmos que apóiam a palmada não bradam pelo direito de bater em idosos, se estes chegarem à senilidade, como forma de “educar”?

Talvez porque sabem que crianças eles já foram. Mas, idosos, ainda serão. "

http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/09/05/eu-bati-nele-pra-corrigir-so-fiz-coisa-normal-de-uma-mae/

sábado, 11 de junho de 2011

O que é TDAH?

Atualmente, muito tem se falado sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), mas o tema, ainda, gera muitas dúvidas e neste momento é que surgem os mitos sobre o transtorno

As dúvidas são reforçadas por informações incorretas obtidas de fontes não confiáveis e propagadas, deixando de lado as evidências científicas e a dedicação de longo prazo de especialistas e estudiosos que dedicam seus esforços para melhorar a vida de pacientes e familiares.

Dados históricos comprovam que o primeiro registro sobre os sintomas do TDAH foi feito por George Still em 1900. A doença, reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde), é neurobiológica, com alto grau e hereditariedade, e se manifesta através de persistente desatenção e/ou hiperatividade mais frequente e grave do que tipicamente observado em outros indivíduos.

O diagnóstico é feito exclusivamente por um médico especialista através de entrevista, observação e aplicação de questionário com 18 pontos que segue padrão adotado da DSM-IV-TR. Os prejuízos causados pelos sintomas precisam estar presentes em dois ou mais ambientes (social, afetivo, familiar, escolar e/ou profissional) para que se confirme o diagnóstico.

São incontestáveis as consequências de quem sofre com o transtorno e não recebe o tratamento adequado. E não se trata de boa ou má educação. Um portador do TDAH apresenta sintomas de hiperatividade e/ou desatenção, a criança tem dificuldade em manter a atenção especialmente em atividades que exijam raciocínio ou leitura, em concluir tarefas e atividades, em se organizar. Tem dificuldade em permanecer sentada, é inquieta e tem dificuldade em aguardar a sua vez. Estes sintomas frequentemente interferem no processo de aprendizagem e no relacionamento com amigos e com a família.

No entanto, não são suficientes para um diagnóstico e apenas um médico especialista pode realizá-lo e só ele pode avaliar qual o tratamento mais adequado. O transtorno não tem cura, porém pode ser controlado por meio de tratamento multimodal que envolve medicamento e consultas psicoterápicas, além de orientações aos pais e professores.

Instituições como a ABDA (Associação Brasileira de Déficit de Atenção) reúnem informações oficiais sobre os mais diversos aspectos que possam pairar sobre transtorno. Vale ressaltar que cerca de 3 a 5% das crianças sofrem de TDAH. Nos EUA, cerca de 4,4 milhões de crianças com idades entre 4 a 17 anos foram diagnosticadas em algum momento de suas vidas, de acordo com os Centros dos EUA para Controle de Doenças e Prevenção (CDC). No mundo, estima-se que 5% das crianças possuem o transtorno com prevalência semelhante em diferentes culturas e regiões do planeta.


Leia mais aqui

Perder coisas necessárias para as tarefas e atividades, tais como brinquedos, obrigações escolares, lápis, livros ou ferramentas, é quase uma rotina. A criança chega a perder o mesmo objeto diversas vezes e esquece rapidamente do que lhe é dado.

Desatenção vai além do boletim escolar!

Fonte: http://www.sidneyrezende.com/notici/133870+desatencao+na+escola+pode+ir+alem+do+boletim;+entenda+o+tdah

Que toda criança é um pouco arteira, toda mãe sabe. Mas em alguns casos, sintomas do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) passam despercebidos por serem tão semelhantes aos que é considerado "comportamento de criança".

Quando não diagnosticado, o transtorno pode ter grande impacto na vida de uma criança, criando dificuldades emocionais, de relacionamento familiar e social, e o mais comum, que é o baixo rendimento escolar. O TDAH atinge entre 3% a 5% das crianças em idade escolar. Em geral, o transtorno é mais facilmente identificado no ambiente da escola por ser um local onde a criança começa a aprender a lidar com regras e com o convívio de outros indivíduos da mesma idade.

As crianças com TDAH tendem a apresentar mais dificuldades de aprendizado do que as que não possuem o transtorno. É preciso esclarecer que uma criança que apresenta os sintomas do TDAH não significa que ela tenha prejuízo de inteligência. O que pode explicar a grande dificuldade no desenvolvimento desse grupo está no fato de que o sistema educativo priorizado nas escolas não apresenta intervenções que facilitam e auxiliam estas crianças em relação as suas dificuldades, principalmente as atencionais.

Segundo dados da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), cerca de 4 milhões de brasileiros, com idade entre 1 e 64 anos, apresentam quadro da doença. Mas quando consideramos apenas o grupo de crianças de até 14 anos, o número cresce rapidamente, chegando a 9 milhões de pequenos que sofrem com o TDAH.

De acordo com a psicopedagoga e professora do Sistema Maxi de Ensino, Kellen Escaraboto Fernandes, a informação sobre o transtorno pode ajudar pais a identificar os sintomas nos filhos. "A principal dica para quem tem filhos nessa condição é se informar sobre o assunto, pois ajuda muito a minimizar o sofrimento da criança. Quando os pais sentem que não estão conseguindo ajudar seus filhos, devem procurar um profissional da área, competente, para que possa auxiliá-los", explicou.

É importante saber que o transtorno é motivado por uma questão neurológica que leva a criança a apresentar desordens comportamentais. O TDAH possui causas genéticas, podendo aparecer na infância e frequentemente acompanhar o indivíduo por toda a sua vida.

Sintomas
Para seja diagnosticada com TDAH, uma criança precisa apresentar três sintomas:

Falta de atenção - facilmente observada em sala de aula, pela concentração da criança enquanto ela participa de atividades que exigem a atenção seletiva (tarefas de focalização), atenção dividida (tarefas de capacidade) e a atenção mantida (tarefas de vigilância). Outro ponto ressaltado é que a criança apresenta facilidade de distração, mas é incorreto acreditar que a criança com TDAH apresenta falta de atenção e concentração. Na verdade ela concentra-se em focos de interesse e acaba dispersando porque pode ter ao mesmo tempo vários focos de interesse. O problema é que na verdade ela concentra-se em várias coisas ao mesmo tempo e sua dificuldade é na verdade em estabelecer um "foco" de concentração.

Impulsividade - pode ser definida como um déficit na inibição de comportamentos em resposta as demandas situacionais, ou seja, a criança que apresenta estes comportamentos geralmente são intolerantes quanto a espera em situações acadêmicas ou de jogos, apresentam tendência a responder mais rapidamente cometendo um maior número de erros em tarefas que impliquem incerteza de resposta. De forma geral, é aquele aluno que faz e depois pensa, apresentando constantes exposições emocionais de arrependimento ("eu não sei porque fiz isso", "fiz sem pensar", "eu não queria e quando percebi já tinha feito")

Hiperatividade - que podem ser percebidas pela apresentação de acentuado Foto: Getty Imagescomportamento motor. A hiperatividade pode ser definida como a presença de níveis excessivos de atividade motora ou verbal para a idade da criança. Em geral ela não controla os seus movimentos por muito tempo, mantendo em movimento alguma parte do seu corpo. Apresenta também muita dificuldade de permanecer sentada, sendo que algumas fazem movimentos com a boca, emitem ruídos estranhos ou falam sem parar.

Tais sintomas podem surgir simultaneamente, ou em casos em que apenas dois sintomas são apresentados pelo paciente. São eles destacados como Combinado, que é quando os três sintomas aparecem em uma intensidade e freqüência muito grande; ou Predominantemente desatento que é quando a desatenção prevalece. Ou ainda Predominantemente Hiperativo/Impulsivo, que é quando a hiperatividade e impulsividade são os principais sintomas.

Kellem ainda adverte que os sintomas devem ser observados com freqüência na primeira infância, devendo ainda ser considerados em pelo menos dois ambientes, por exemplo, na escola e em casa.

Diagnóstico
O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multiprofissional, em concordância com a família e, principalmente, com a escola, sendo necessária, pelo menos, a identificação de seis sintomas de desatenção, seis de impulsividade e de hiperatividade. O transtorno é fundamentado no quadro clínico comportamental, já que não existe um marcador biológico definido para todos os casos de TDAH.

"É válido destacar o cuidado que deve ser tomado em relação a avaliação da criança que apresenta estes comportamentos, uma vez que o transtorno tem sido amplamente confundido com distúrbios comportamentais, ou seja, muitas crianças que vivem em ambientes hostis, que não tem relações familiares bem estabelecidas como falta de afeto, cuidados, valores e limites, podem apresentar comportamentos semelhantes", explica a psicóloga e professora do Sistema Maxi de Ensino.

Foto: DivulgaçãoTratamento
Entre as opções de tratamento existe um conceito de intervenções conjuntas, quando mais de uma terapia constrói o ciclo de tratamento. Atualmente, é comprovada a eficácia em terapias comportamentais, tratamentos medicamentosos, terapias multidisciplinares, além de orientações para pais e escola. Para a psicóloga, os pais precisam comprometer-se para que as melhoras sejam eficazes.

Outra dica também está na prática de esportes. A atividade esportiva pode auxiliar no controle da impulsividade e da hiperatividade, mas é preciso entender que essa não é a solução principal.

Adultos
Como é um transtorno neurológico pode estar associado tanto a adultos quanto a crianças. Os problemas de conduta podem aparecer quando os pontos relacionados aos problemas de comportamento não são manejadas adequadamente durante a infância. Tal fato pode afetar diretamente na produtividade e motivação, ou na redução da habilidade em expressar ideias e emoções, prejuízo na memória de execução, problemas no discurso, problemas no raciocínio verbal, problemas acadêmicos, prejuízo da auto-estima, entre outros.

Existem alguns problemas mais graves que podem estar associados a este transtorno que são chamados "comorbidades". Podem aparecer "Transtornos de Conduta" que implicam em desafio com figuras de autoridade (em especial com pais, professores e colegas), humor facilmente irritável, exacerbação dos aspectos no desenvolvimento e educação familiar, podendo ou não chegar a níveis graves de violação.

60% das crianças tem sintomas que avisam a chegada da dor de cabeça

Foto: alterações visuais que podem ocorrer antes ou durante um episódio de enxaqueca

Enxaqueca também é coisa de criança!
Cerca de 4-10% das crianças em idade escolar apresentam o problema e é muito importante reconhecer que os sintomas vão muito além da dor de cabeça, sendo muito comuns nas crianças sintomas como dor abdominal, náuseas e/ou vômitos, e vontade de dormir. Algumas crianças com enxaqueca também apresentam o fenômeno da aura, que são sintomas neurológicos transitórios que costumam ocorrer imediatamente antes da dor de cabeça, como perda da força ou alteração da sensibilidade de um lado do corpo, alterações visuais e dificuldade em falar.

Também são bem reconhecidos sintomas que ocorrem de 2 a 8 horas antes da dor de cabeça. Esses são chamados de sintomas premonitórios e incluem: fadiga, náuseas, fotofobia, fonofobia, irritabilidade, rigidez e dor no pescoço, bocejo, aumento do apetite, tristeza, ansiedade, déficit de concentração, hiperatividade, alteração do sono, alteração de percepção dos odores e alterações faciais. Um estudo recém-publicado pelo periódico científico Cephalalgia demonstra que duas em cada três crianças / adolescentes apresentam pelo menos um sintoma premonitório. Os três sintomas mais descritos foram alterações faciais como palidez e olheiras, fadiga e irritabilidade.

O estudo tem grande importância por ser pioneiro na análise de sintomas premonitórios entre crianças e adolescentes com enxaqueca e um dos resultados que mais chamou a atenção foi a alta prevalência de sintomas faciais, raramente descritos em adultos com enxaqueca. O reconhecimento dos sintomas premonitórios de enxaqueca é uma oportunidade em potencial de se iniciar o tratamento para as crises de dor antes mesmo que elas se instalem. Essa é uma estratégia de tratamento que foi muito pouco investigada, com raras pesquisas, e no caso das crianças, ainda totalmente inexplorada.

Enxaqueca





"Quem sofre de enxaqueca, se não se cuidar, terá graves prejuízos pessoais e profissionais", afirma a neurologista Carla Jevoux, da Sociedade Brasileira de Cefaléia. Segundo ela, há estudos que mostram que a síndrome, que reduz a capacidade de concentração, é causa comum de faltas ao trabalho, de redução da produtividade e de comprometimento de ganhos potenciais. "Pacientes com esse tipo de cefaléia podem se aposentar mais cedo ou ser preteridos em promoções. Além disso, apresentam maior índice de desemprego", acrescenta.

A enxaqueca, que acomete 17% das mulheres e apenas 6% dos homens, acentua-se com a atividade física e a movimentação da cabeça, o que faz com que a pessoa busque o repouso. As crises duram de 4 horas a 3 dias, se não tratadas.

"A enxaqueca é uma desordem herdada geneticamente que torna o cérebro mais sensível a vários estímulos. É por esse motivo que quem sofre de enxaqueca diz ter crises desencadeadas por fatores como emoções, jejum prolongado, alterações dos hábitos de sono (dormir pouco ou demais), determinados alimentos ou bebidas, exposição à luz ou calor intensos", relata a médica. Carla afirma que, além dos episódios repetidos de dor de cabeça - com forte e latejante intensidade, em lados alternados da cabeça -, sintomas como náusea, vômito, intolerância à luz, aos ruídos e aos odores fazem parte das crises de quem sofre dessa síndrome.

A especialista ressalta que os pacientes, quando tratados adequadamente, pelo tempo necessário e com um relato diário da dor, podem evoluir para uma melhoria de todos os sintomas e até a cura da enxaqueca.



Alimentação e enxaqueca



Sabe-se que existe uma certa predisposição familiar para ter enxaqueca - dor de cabeça latejante e freqüente, acompanhada muitas vezes de náusea e vômitos -, mas alguns fatores podem piorar os sintomas. Segundo especialistas em cefaléia, o principal deles é a alimentação.

Os alimentos associados à enxaqueca incluem aqueles que contêm o aminoácido tiramina (vinho tinto, queijo curado, peixe defumado, fígado de galinha, figos e alguns grãos), chocolates, nozes, manteiga de amendoim, frutas (abacate, banana, frutas cítricas), cebolas, produtos lácteos, carnes que contenham nitrato (toucinho defumado, cachorros-quentes, salame, carnes processadas).

Além desses, alimentos que contenham glutamato monossódico (um aditivo encontrado em muitos alimentos), bem como qualquer alimento processado, fermentado, conservado ou amarinhado.

Os ataques desse tipo de cefaléia também podem estar associados a: reações alérgicas, luzes ofuscantes, ruídos fortes, relaxamento após um período de estresse mental ou físico, falta de sono, tabagismo (ativo ou passivo), refeições não realizadas, uso de álcool ou de cafeína, períodos menstruais, uso de contraceptivos orais (pílulas anticoncepcionais), entre outras condições.

Segundo a neurologista Carla Jevoux, da Sociedade Brasileira de Cefaléia, não há uma dieta específica para quem tem enxaqueca. "A pessoa reconhece quais os alimentos e outros fatores que desencadeam a dor e sabe que deve evitá-los. Isso varia de pessoa para pessoa. Não há como criar uma regra", explica.



Tratamento preventivo


Quem sofre de enxaqueca não pode esperar uma crise para tratar o problema. Analgésicos, remédios comumente usados para aliviar as dores de cabeça, não têm o efeito esperado e acabam aumentando a dor, porque acostumam o cérebro a não produzir a endorfina, que é um analgésico natural. Por isso, o primeiro passo para diminuir ou eliminar a dor é o tratamento preventivo.

De acordo com especialistas, há três situações nas quais o tratamento preventivo se faz necessário:

  • Manifestar mais de duas crises intensas por mês; independentemente da freqüência,
  • Crises muito intensas e incapacitantes que justificam o uso de medicação diária;
  • Quando a pessoa não tolera, ou não responde aos medicamentos usados no tratamento das crises.


  • Tratando a crise

    Se você sofre de enxaqueca, sabe que ela chega sem avisar. Por isso, esteja sempre preparado.

    Em caso de crise:

  • Tenha a medicação receitada pelo médico sempre à mão.

  • Em caso de dor intensa, procure um local fresco e escuro para se recostar, mas não se deite.

  • Coloque gelo sobre as áreas dolorosas.

  • Beba muita água e coma moderadamente.

  • Tome o medicamento para crise recomendado pelo seu médico, mas nunca mais de duas vezes por semana.

  • Principalmente, descanse.

    Lembre-se: Toda a dor de cabeça tem uma causa, mas só um médico pode avaliá-la corretamente.


  • Como evitar as crises:

    As causas da enxaqueca são muitas, mas sabe-se que algumas mudanças simples no estilo de vida contribuem para o controle das crises, e, de quebra, são extremamente benéficas para a sua saúde.

    Para prevenir-se das crises de enxaqueca, siga estas dicas:

  • Estabeleça hábitos regulares para as refeições e sono.

  • Faça algumas mudanças na dieta, diminuindo ou até mesmo eliminando certos alimentos que podem detonar a dor (como queijos e chocolates).

  • Evite a ingestão de bebidas fermentadas, como o vinho tinto.

  • Não se exponha demasiadamente ao sol e à claridade.

  • Evite se exercitar em dias quentes.

  • Evite o uso excessivo de perfume.

  • Não permaneça em locais recém-pintados ou onde estejam sendo utilizados solventes químicos.

  • Comece uma dieta rica em magnésio (que se encontra em abundância em alimentos verdes frescos, frutos do mar e nozes) e em um aminoácido chamado triptofano (que pode ser encontrado em verduras frescas, no feijão e em cereais integrais).


  • Como fazer o diagnóstico:

    A consulta médica é fundamental para o diagnóstico e o tratamento da enxaqueca, principalmente porque os sintomas desse mal se confundem com vários outros. Assim, para facilitar o processo, siga algumas dicas preparadas pela Sociedade Brasileira de Cefaléia.

    Prepare a consulta:

  • Mantenha um relatório diário com informações sobre a sua dor.
  • Estabeleça uma conversa honesta e aberta com o médico.
  • Informe detalhadamente qual o tipo de medicação que você usa durante as crises.
  • Fale bastante sobre seus hábitos, pois muitos deles podem interferir nas crises sem que você desconfie.

    Mesmo que você já esteja em tratamento contra a enxaqueca, também existem algumas situações em que deverá procurar o médico imediatamente:

  • Se o comportamento padrão de sua dor sofrer alguma mudança.
  • Se o seu organismo estiver reagindo mal aos medicamentos.
  • Se você engravidar durante o tratamento.


  • Fonte: http://saude.terra.com.br/guia/abcdasaude/dordecabeca/interna/0,,OI403114-EI4208,00.html

    terça-feira, 5 de abril de 2011

    O mapa dos genes


    Boa parte das doenças que surgem ao longo da vida tem forte influência genética. Daí a ideia deste brilhante infográfico do portal Ig, o mapa dos genes humanos:

    Mapa genético

    sexta-feira, 1 de abril de 2011

    Boa alimentação ajuda a controlar a enxaqueca




    Da redação Saúde plena, no portal UAI:

    Link da reportagem no portal

    Boa alimentação pode ajudar a quem tem enxaqueca

    Cefaleia é o termo médico utilizado para definir dor de cabeça. Estudos mostram que 90 a 100% das pessoas têm ou terão crises de dor de cabeça ao longo da vida. Felizmente, em sua maioria as dores de cabeça não são sintomas de um problema grave, mas apenas sinais de tensão, fadiga, ansiedade ou distúrbios emocionais. Algumas vezes é reflexo de um problema em alguma região do corpo, muito raramente ocorre em consequência de uma doença mais grave.

    A enxaqueca é um tipo especial de dor, que afeta apenas uma área limitada da cabeça. A dor quase sempre se localiza num lado da cabeça e vem acompanhada de alteração de humor (irritabilidade e depressão), alteração do apetite, alterações na visão com sensibilidade à luz, sensibilidade ao barulho, náuseas, vômitos, fraqueza, tontura e diarreia. É considerada uma das principais causas de incapacidade e perda produtiva no trabalho, já que uma crise pode durar de três horas a três dias.

    As crises assumem formas diferentes durante a vida do indivíduo. Por exemplo, em algumas mulheres estes episódios parecem estar associados aos ciclos menstruais e à medida que vão entrando para a menopausa tais sintomas são substituídos por tonturas.

    A causa de tal anormalidade é geralmente associada a mudanças na sensibilidade dos vasos sanguíneos, na região do crânio. Isto porque, alguns desses vasos se contraem. provocando uma redução no volume de sangue na região da cabeça e do cérebro. À medida em que a constrição desaparece, os vasos sanguíneos se dilatam e o paciente sente uma dor de cabeça latejante que, em geral, afeta apenas um dos lados da cabeça.

    Fatores nutricionais desencadeantes da enxaqueca

    Os alimentos mais citados pela literatura como desencadeantes da enxaqueca são: doces (açúcar refinado), álcool, adoçantes, glutamato monossódico (temperos prontos), nitritos (alimentos embutidos e enlatados), cafeína (café, chá mate, guaraná, cacau e chocolate) e alimentos que contém tiramina (queijos, chocolates, carnes em conservas, salsicha, dentre outros).

    Estes alimentos possuem em sua composição substâncias capazes de provocar alterações no tamanho dos vasos sanguíneos do centro do sistema nervoso, primeiramente diminuindo-os e em seguida aumentando-os. São estas alterações que provocam mudanças na visão e dores de cabeça.

    Dicas alimentares para evitar episódios de enxaqueca:

    * Adequar o consumo de carboidratos complexos (cereais, massas, pães, farináceos, etc.), já que o cérebro utiliza os nutrientes especialmente os carboidratos provenientes destes alimentos como fonte de energia em todas as suas funções.
    * É importante acrescentar frutas na dieta, pela maior quantidade de vitaminas, minerais e fibras que possuem, sendo esses nutrientes que atuam no bom funcionamento do organismo.
    * O selênio, um mineral envolvido no funcionamento do sistema nervoso central, também pode ser eficiente no controle do problema. O consumo de apenas duas unidade de castanha-do-pará é suficiente para se alcançar às quantidades recomendadas diariamente.
    * O fracionamento da dieta deve acontecer com a ingestão de seis pequenas refeições ao dia, evitando os jejuns prolongados, que são considerados causadores de crises de enxaqueca.
    * Todas as bebidas alcoólicas podem causar enxaqueca, porém os vinhos tintos são mais prováveis de provocar a dor devido ao seu conteúdo de taninos. Evitar o consumo de várias doses, pois pode aumentar a possibilidade de uma crise.
    * Estudos sugerem que baixos níveis de magnésio facilitariam o desenvolvimento de contração dos vasos que acarretaria a enxaqueca. Portanto é importante ingerir alimentos fontes desse mineral, como as folhas verdes escuras, soja, leguminosas, castanhas, cereais como aveia, arroz integral, pães integrais, carnes, peixes (salmão) e ovos.
    * Assim como o magnésio, a vitamina B2 seria eficaz na prevenção e tratamento da enxaqueca. O mecanismo pelo qual estes nutrientes agem na enxaqueca é incerto, mas é possível que ocorra estabilização de membrana celular e melhora da função mitocondrial. As principais fontes de vitamina B2 são leite, queijos (especialmente ricota e requeijão), iogurtes, carnes magras, ovos e vegetais verdes.

    Atenção: Não existe uma regra de quais alimentos desencadeiam a enxaqueca. É importante que reconheça quais os alimentos e outros fatores que desencadeiam a dor e que deve evitá-los. Nunca se automedique. E em caso de dores procure um médico.

    quinta-feira, 31 de março de 2011

    Transtornos Globais do Desenvolvimento



    Em homenagem ao 2 de abril, Dia Mundial da Conscientização pelo Autismo

    Transtornos globais do desenvolvimento ( também chamados T. Invasivos do Desenvolvimento) são uma categoria que engloba cinco transtornos caracterizados por atraso simultâneo no desenvolvimento de funções básicas, incluindo sociabilização e comunicação. Os transtornos invasivos do desenvolvimento são:

    * Autismo;
    * Síndrome de Rett;
    * Transtorno desintegrativo da infância (síndrome de Heller);
    * Síndrome de Asperger,
    * Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação, que inclui (ou também é conhecido como) autismo atípico.

    Os pais podem perceber os sintomas desde a primeira infância, ocorrendo as primeiras manifestações tipicamente antes dos três anos. Os principais sintomas incluem problemas de comunicação, como:

    * Dificuldade no uso e compreensão da linguagem;
    * Dificuldade em se relacionar com pessoas, objetos e eventos;
    * Brincadeiras não-usuais com brinquedos e outros objetos;
    * Dificuldade com mudanças de rotina ou do ambiente familiar;
    * Padrões repetitivos de movimentos corporais ou comportamentos.

    Em homenagem ao dia 2 de abril, presto minha homenagem a esses pequenos e seus familiares, que lutam em pleno seculo XXI por respeito na comunidade, na família e na escola. Coloco abaixo 2 links, com reportagens sobre autismo e sindrome de Asperger.

    "Cada um rema sozinho uma canoa que navega um rio diferente, mesmo parecendo que está pertinho." (João Guimarães Rosa)






    sábado, 12 de março de 2011

    Cefaléia em salvas - para o Renato


    A cefaléia em salvas é uma forma bastante rara de dor de cabeça que ocorre predominantemente em adultos jovens e, raramente, em crianças e adolescentes. É mais comum no sexo masculino, em uma relação de 3:1.

    Ela se caracteriza por uma dor muito forte unilateral, orbitária, supra-orbitária e/ou temporal, durando de 15 a 180 minutos, se não tratada. Além disso, a dor se acompanha de pelo menos um dos seguintes sintomas:
    1. hiperemia conjuntival e/ou lacrimejamento ipsilaterais
    2. congestão nasal e/ou rinorréia ipsilaterais
    3. edema palpebral ipsilateral
    4. sudorese frontal e facial ipsilateral
    5. miose e/ou ptose ipsilateral
    6. sensação de inquietude ou agitação

    As crises têm uma freqüência de uma a cada dois dias a oito por dia.

    A localização retrorbitária (92%) é a mais freqüente, seguida da localização temporal. Em um estudo recente com 230 pacientes, a dor foi estritamente unilateral em todos pacientes estudados, não havendo predileção significativa pelo lado da dor. Nos casos episódicos, 14% tiveram alternância na mesma salva e 18% na salva seguinte. Dois pacientes apresentaram mudança do lado da dor durante a mesma crise. Alguns casos raros de dor bilateral já foram descritos e podem se apresentar de várias formas: alternância de lado em salvas distintas e alternância de lado na mesma salva, como observadas neste estudo citado ou até mesmo bilateral na mesma crise.

    Segundo os autores deste estudo, a duração média máxima de uma crise foi de 159 minutos enquanto a duração média mínima foi de 72 minutos. O número máximo de crises foi de cinco nas 24 horas. A média de tempo de remissão (sem dor) foi de um ano, tendo relatos de remissão de oito semanas a 20 anos.

    A maioria referiu predileção pelas estações de outono e primavera, inclusive os pacientes com CS crônica, que relataram exacerbação das crises nestas estações. As crises noturnas foram observadas em 73% dos pacientes, acordando-os à noite.

    O lacrimejamento é o sinal autonômico mais freqüente, seguido por hiperemia conjuntival e congestão nasal. Há também relatos de náusea, fotofobia, fonofobia e osmofobia durante a crise. A náusea e os vômitos são mais freqüentes nas mulheres com CS (46,9% vs. 17,4%), enquanto a fotofobia, a fonofobia e a osmofobia se manifestam proporcionalmente em homens e mulheres. A agitação e a inquietude durante a crise foi relatada por 93% dos pacientes e não houve exacerbação da dor pelos movimentos, importante fato no diagnóstico diferencial. A dor, descrita como cruciante, impele ao movimento constante, na busca desesperada por alívio.

    Sacquegna e col., em 1987, estudaram o curso de 72 pacientes com cefaléia em salvas episódica, observando que 86% dos casos tinham freqüência regular das salvas por ano e 69% tinham regularidade na freqüência e duração das salvas. A maioria tinha uma salva por ano. O autor sugere que a história natural seja caracterizada pela regularidade, envolvendo mecanismos de controle biológico.

    Alguns fatores são considerados como deflagradores da crise, como o álcool, medicamentos vasodilatadores, histamina, sono, alterações comportamentais, aumento das atividades física, mental ou emocional. As alterações emocionais parecem influenciar principalmente os casos crônicos.

    Com os estudos evidenciando sintomas freqüentemente associados à dor, várias sugestões foram sendo feitas para inclusão de algumas características à classificação. Alguns itens foram considerados e incluídos, como a agitação e a inquietude durante a crise, descritas por vários autores.

    Fenômenos sensoriais, como fotofobia, fonofobia e osmofobia, e a possível presença de náuseas e vômitos, são descritos em vários estudos. Segundo Van Vliet e col. (2003), este é um dos motivos principais para o erro diagnóstico pelo não especialista, muitas vezes confundindo-a com a migrânea. Um relato freqüente é a ausência de exacerbação da dor com esforço físico, ajudando no diagnóstico diferencial.



    quinta-feira, 10 de março de 2011

    Como os videogames afetam o cerebro das crianças?

    Neurocientistas investigam como as novas tecnologias acabam moldando o funcionamento do cérebro – uma série de testes empregando sensores vem sendo realizada com jovens acessando a internet ou lendo um livro.

    Daí se tira a suspeita de que as novas tecnologias sejam ótimas para agilizar a cabeça, mas ruins para estimular a profundidade do pensamento. Entendem-se, assim, o crescimento vertiginoso do Twitter e a expansão do comércio, na internet, de trabalhos escolares (até de dissertações de mestrado e de teses de doutorado).

    Como as novas mídias influenciam o cérebro das crianças, seu comportamento e sua capacidade de aprendizagem? Por que as crianças parecem cada dia mais "inteligentes"? Qual a incluencia exercida pelas novas tecnologias no cérebro da espécie humana?

    Para entender um pouco melhor esseas perguntas, basta citar uma experiência da Universidade de Maryland, com 200 estudantes americanos, convidados a ficar desligados por 24 horas. Não poderiam usar celular nem computador, nada de Facebook ou SMS.

    Depois desse exílio tecnológico, uma parte das cobaias demonstrou sinais semelhantes aos de abstinência dos viciados em álcool e drogas. Apesar do tempo de sobra nessas 24 horas, a maioria daqueles estudantes não quis ler um livro, assistir a um noticiário da TV ou folhear um jornal.

    Quer saber mais?

    Então assista a reportagem sobre videogames e sua influência no comportamento das crianças da globonews, abaixo.

    terça-feira, 18 de janeiro de 2011

    Blog do tio Thiago

    Oi pessoal!

    Ontem contactei o Dr. Thiago, para tratar de questões relativas ao blog. Ele é um colega pediatra e manezinho ( apelido carinhoso dos floripenses), e tem um blog sensacional orientando sobre os cuidados com as crianças e dúvidas mais frequentes dos pais.

    Quem quiser acessar, o link está do lado. Ou clique aqui em baixo:

    Blog do tio Thiago

    Esse eu recomendo e leio!

    terça-feira, 11 de janeiro de 2011

    segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

    Crise epiléptica: o que fazer?

    Retirado de:
    http://nurseskare.blogspot.com/2010/10/crise-convulsiva-e-epilepsia.html

    Epilepsias na infância - para a Marcela

    O que é epilepsia?
    É uma disfunção temporária de um grupo de neurônios que se manifesta por descargas assíncronas excessivas e anormais.

    Quais são as manifestações da crise epiléptica?
    O quadro pode se apresentar de várias formas, com manifestações motoras, alterações do comportamento, da percepção e da emoção. A criança pode perder a consciencia ou não. As manifestações motoras podem ser:
    1- salvas de sustos ( espasmos)
    2- Choques repetidos ( mioclonias)
    3- Movimentos repetidos dos membros( clonias)
    4- Contrações ( hipertonias, contrações distônicas)
    É importante que a família observe quais as manifestações a criança apresenta durante as crises, e em qual sequencia, já que isso pode auxiliar bastante no diagnóstico da forma de epilepsia e na melhor escolha de tratamento.

    A epilepsia é uma doença comum?
    Calcula-se que ocorra em 1% da população e é mais freqüente na infância e velhice.
    Meu filho precisa fazer eletroencefalograma?
    O eletroencefalograma é um exame muito importante para classificar a forma de epilepsia que seu filho possui. Entretanto, não é ele quem confirma o diagnóstico de epilepsia. E o fato de o exame estar normal nunca exclui esse diagnóstico.

    Meu filho precisa de fazer tomografia?
    Os exames de imagem ( como a ressonância magnética e a tomografia) também são importantes, e devem ser solicitados a critério médico no momento adequado, para se classificar a forma de epilepsia que seu filho possui. Assim como no caso do eletroencefalograma, ele não confirma o diagnóstico de epilepsia e nem o fato de o exame estar normal excluirá esse diagnóstico.

    Por que é importante classificar o tipo de epilepsia?
    Dizer que a criança possui epilepsia não é o bastante. É importante que o neuropediatra classifique o tipo de epilepsia da criança, chamada de sindrome epiléptica. É através dessa classificação que o médico poderá te falar qual o prognóstico do seu filho.
    Fazendo uma analogia para que você entenda, dizer que seu filho tem epilepsia é como dizer que seu filho tem infecção: pode ser um mero resfriado ou uma infecção generalizada. É preciso saber qual o tipo.
    A sindrome epiléptica será estabelecida a partir de um série de dados clínicos ( tipo de crise, idade, sexo, história familiar, desenvolvimento neuropsicomotor) e propedêutica ( exames de imagem e eletroencefalograma)


    Existe uma causa de epilepsia?
    Na maioria dos casos, a epilepsia é uma doença genética e hereditária ( nem sempre herdada). Contudo, há vários pacientes que apresentam epilepsia devido a lesões cerebrais devido a anormalidades ocorridas durante a gestação, parto ou após o nascimento. Como exemplo, devemos citar as doenças infecciosas do sistema nervoso central, metabólicas, isquêmicas e vasculares, além do traumatismo crânio encefálico. Daí a importância de se saber qual a síndrome epiléptica de seu filho.

    A epilepsia é uma doença hereditária?
    Em grande numero de casos a epilepsia é genética e hereditária, embora nem sempre seja herdada. A presença de histórico familiar é um dado importante que deve ser informado ao médico.

     Existe tratamento e cura para a epilepsia?
    O tratamento da epilepsia é feito com medicamentos específicos, a ser escolhido pelo neuropediatra de acordo com seu paciente. Em relação a cura, é importante que se classifique a forma de epilepsia: algumas crianças tem formas benignas, idade-dependente de epilpsias; outras, apresentam formas que não terão remissão.

    As medicações são a única forma de tratamento?
    Há vários medicamentos de ótima qualidade no mercado. Os casos rebeldes ao tratamento clínico poderão se beneficiar com o tratamento cirúrgico, com dietas específicas ou uso de outros instrumentos, como um estimulador do nervo vago. Entretanto, essas são formas mais graves de epilepsia e sua abordagem deve ser amplamente discutida antes de implementação.

    As crises convulsivas febris são diagnosticadas como epilepsia?
    Não. Elas tem diagnóstico, tratamento e prognóstico completamente diferentes.

    O que são as crises de ausência?
    São crises breves de perda da consciência, de curta duração, 5-20 segundos, por vezes associada a movimentos da face. Essas manifestações aparecem várias vezes ao dia. São mais freqüente no sexo feminino e na idade escolar.

    O que é a Síndrome de West?
    Trata-se de um tipo especial de epilepsia que ocorre nos primeiros ano de vida em que ocorrem salvas de espasmos ( sustos) associadas a atraso ou regressão do desenvolvimento e um traçado eletroencefalográfico caracterítico. Esse tipo de epilepsia é resistente aos anticonvulsivantes convencionais e responde melhor ao uso de corticosteróides

    E a Síndrome de Lennox-Gastaut?
    É uma forma grave de encefalopatia epiléptica de ocorrência na idade pré-escolar, em que ocorrem vários tipos de crise epiléptica (generalizadas ou parciais, mioclônicas, tônicas, tônico-clônica, ausências), atraso do desenvolvimento, ataxia ( incoordenação motora) e alterações cognitivas (intelectual).
    Nota: Filmar as crises da criança com um celular ou câmera é uma excelente forma de se fornecer informações importantes para o diagnóstico de seu filho

    quarta-feira, 20 de outubro de 2010

    Convulsões febris

    O que é a crise epiléptica febril?

    As crises epilépticas febris ( CF) são muito comuns em crianças com menos de 5 anos de idade, acometendo cerca de 4 a 5% desta população. Existe uma clara predisposição genética: cerca de 30% das crianças com CF possuem uma história familiar positiva para o distúrbio.

    As crises febris são mais comuns nas primeiras 48 horas de febre e com temperaturas mais altas. Porém, mesmo febres baixas podem ocasionar as crises. A febre pode ocorrer por qualquer motivo e, geralmente, decorre de infecções - sobretudo virais. Por definição, convulsões que ocorrem após vacinação também são consideradas febris.


    Como identificar a crise?

    As crises febris podem apresentar diversas manifestações. A criança pode ficar molinha, endurecer o corpo todo ou parte dele, perder ou não a consciência, apresentar fixação ou desvio do olhar, palidez ou roxeamento perilabial e movimentos rítmicos de uma parte do corpo. A criança também pode urinar ou defecar durante as crises. Estas alterações, ocorrem rapidamente, e o quadro, mesmo sem medicação, dura poucos segundos ou minutos. Ao final da crise, a criança costuma ficar sonolenta, confusa, irritada ou com perda de força de todo o corpo ou de uma parte dele, quadro que dura por volta de 30 minutos e regride sozinho.


    O que fazer durante a crise?


    1- Proteja a cabeça da criança: Durante a crise, a criança pode cair ou se debater muito e acabar apresentando lesões cerebrais importantes.

    2- Chame ajuda especializada

    3- Proteja as vias respiratórias: Acomode seu filho deitado de lado, para drenar a saliva. Se ele vomitar, limpe sua boca. Não empurre nada na boca de seu filho nem enfie o dedo sob hipótese alguma.


    Outras causas de crises epilépticas em vigência de febre:

    1- Epilepsia

    2- Meningite

    3- Desidratação

    4- Distúrbios metabólicos

    5- Intoxicações

    Para se fazer o diagnóstico de crise febril, é fundamental que a criança tenha entre um mês e 6 anos de idade, e essas causas acima sejam descartadas.


    Prognóstico

    Crianças com crises febris tem desenvolvimento, comportamento, aprendizagem, crescimento e evolução normais em relação as outras crianças. As crise podem recorrer, de acordo com cada paciente e a necessidade de tratamento medicamentoso profilático e sua escolha devem ser feitas junto ao seu neuropediatra.


    Leia mais aqui: SIQUEIRA, Luis Felipe Mendonça de . Atualização no diagnóstico e tratamento das crises epilépticas febris. Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2010, vol.56, n.4, pp. 489-492.


    segunda-feira, 18 de outubro de 2010

    Teste: você sabe fazer seu filho dormir?

    Saiba se você oferece as condições para
    uma boa noite de sono a seu filho

    1. Seu bebê só dorme se estiver no seu colo?
    Sim
    Não

    2. Você costuma cantar para ele dormir?
    Sim
    Não

    3. Antes de seu filho dormir, você sempre dá mamadeira ou o amamenta?
    Sim
    Não

    4. Você deixa ele adormecer no sofá ou na cama dos pais para depois levá-lo ao quarto dele?
    Sim
    Não

    5. Você costuma levá-lo para passear de carro antes de dormir?
    Sim
    Não

    6. Você deixa ele andar de um lado para o outro até cair exausto?
    Sim
    Não

    7. Você faz seu filho dormir no berço e evita ficar ao seu lado até ele pegar no sono?
    Sim
    Não

    8. Seu filho tem alguma espécie de ritual para ir à cama?
    Sim
    Não

    9. Para dormir, a criança faz uma lista de exigências e você sempre as atende?
    Sim
    Não

    Pontos

    GABARITO

    • De 6 a 9 pontos
    Atenção! - Nem você nem seu filho estão dormindo direito. Ele já criou o hábito de só cair no sono depois de fazer uma lista de exigências. Por causa dos hábitos incorretos, o bebê pode despertar muitas vezes por noite e ter um sono superficial.

    • De 5 a 2 pontos
    Com calma, você vai educando seu bebê para dormir sozinho, o que é considerado saudável. Mas às vezes você ainda usa artifícios para que ele durma rapidamente. É preciso tomar cuidado. No futuro, a criança pode apresentar dificuldades para adormecer.

    • De 2 pontos a 0
    Sono saudável - Seu filho consegue dormir sozinho sem a sua ajuda ou de elementos externos. Segundo especialistas, crianças com essa facilidade dificilmente apresentam problemas com o sono.


    Fonte:
    Nana, Nenê - Como resolver o problema da insônia
    do seu filho
    , de Eduard Estivill e Sylvia de Béjar

    Truques para as crianças dormirem



    15 truques comentados para fazer as crianças dormirem

    Folha de S.Paulo


    Alimentar enquanto dorme
    Embora muitos pais recorram às mamadeiras noturnas como estratégia para que a criança não desperte, há muitas ressalvas à alimentação durante o sono. "Durante os primeiros meses, o aleitamento materno não tem hora. A partir dos seis meses, a criança já vai deixando de acordar toda hora. Alimentá-la para que adormeça pode até fazer com que fique obesa", alerta Isabel Madeira, pediatra do departamento de pediatria ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria.

    De acordo com Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa, coordenador de neonatologia do Hospital da Vila Alpina, em São Paulo, nos recém-nascidos, não há relação entre a amamentação durante o sono e a incidência de problemas digestivos. "O que ocorre é que, se o bebê for alimentado deitado, pode entrar leite na tuba de Eustáquio (canal que liga o ouvido médio a boca), gerando otite. Se a alimentação é feita com leite materno, a tendência é que não haja infecção, mas pode acontecer."

    Balançar
    Cadeira de balanço, rede, voltas no carrinho. Percebendo que o movimento adormece as crianças, há quem leve o pequeno para uma volta de carro para rendê-lo. "Balançar não é recomendado, é um condicionamento ruim para a criança. Recorre ao sono induzido pelo sensor do movimento, então, quando desativa-se esse sensor, ela acorda. Não é recomendado balançar no carrinho nem dar uma volta de carro para que a criança durma", ensina Márcia Pradella-Hallinan, neuropediatra coordenadora do setor de crianças e adolescentes do Instituto do Sono da Unifesp.

    "Balançar é ninar. Para a criança é aconchegante, é gostoso, mas é um erro. A criança deve deitar na cama e lá receber os carinhos da mãe. Não recomendo que balance nunca porque a criança quer cada vez mais. Tenho pacientes que sobem e descem no elevador até a criança adormecer. Não faz sentido", analisa Hamilton Robledo, pediatra do Hospital São camilo, em São Paulo

    Banhos de imersão
    Além de ser uma medida obviamente relaxante, os benefícios de um banho quente e sua contribuição a uma boa noite de sono têm explicação científica. "A água quente promove uma vasodilatação e uma queda de pressão. Se feito em uma banheira proporcional ao tamanho da criança e casado com a massagem, é uma estratégia muito eficiente. Com ervas é ótimo porque o cheiro é relaxante também", comenta a pediatra Suzana Altikes Hazzan.

    Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa, que desenvolveu um programa de banhos de imersão para prematuros, diz que a melhor hora para dar o o banho é imediatamente antes de a criança ir para a cama. "O efeito é imediato. Muitas vezes elas chegam a dormir durante o banho", conta.

    Bichinhos
    Muitas mães oferecem um brinquedo --um boneco ou um urso, por exemplo-- para que a criança leve para a cama. "Esse bonequinho é recomendado a partir dos 5 meses. A literatura médica chama-o de "objeto de transição". O melhor é que sejam laváveis e sem pêlos. A criança pode chamá-lo por um nome e se sentir responsável por levá-lo para dormir. Não tem de ter pressa de tirar, mas a regra deve de ser clara: usar só para dormir", diz a neuropediatra Márcia Pradella-Hallinan.

    "Pode até ser uma fraldinha de pano, qualquer objeto que passe a ter um significado afetivo. É como se o objeto fosse a concretização de uma afetividade: nele está a representação do amor dos pais, por exemplo, a tranqüilidade de que eles estão por perto, de que ela não está sozinha. Este objeto ajuda a criança a se sentir mais segura para enfrentar algumas situações como dormir sozinha", comenta a psicóloga Natércia Tiba.

    Canções de ninar
    "Cantar é ótimo. Para os pequenos, a técnica mais recomendada é o canto. E o ideal é que seja sempre a mesma música. A criança associa tanto a música aos sono e à hora de dormir que começa a fechar os olhos antes de a música acabar. Da música passa-se à leitura de histórias, que têm mais impacto nas crianças maiores", ensina Márcia Pradella-Hallinan.

    Além da cantoria da mãe ou do pai, vale recorrer a CDs com músicas de ninar ou sons relaxantes. "Isso é correto e usado até nos berçários de hospitais para aclamar os recém-nascidos. Acostumar a criança a ouvir um disco e segurar na mão do adulto por alguns minutos enquanto ela está deitada é um segredo para um sossego", comenta Hamilton Robledo.

    Chá de camomila
    Geração após geração, a receita de avós e bisavós continua muito popular entre as mães. Mas, para os médicos, a ingestão de um líquido morno é mais calmante do que os princípios da camomila. "Na verdade, ingerir qualquer líquido quente relaxa. Tenho dúvidas sobre o poder calmante da camomila. Dependendo da idade da criança, oferecer o peito basta. Para as maiores, pode ser um chá ou qualquer outro líquido quente. Vale lembrar que chás açucarados são altamente cariogênicos [provocam cáries]. O ideal é oferecê-los sem açúcar", diz a pediatra Suzana Altikes Hazzan.

    Deixar chorar
    Há quem defenda criança seja colocada no berço e deixada chorando. A opção é polêmica. A partir dela, o pediatra norte-americano Richard Feber, professor da universidade Harvard, desenvolveu um método de retornos programados ao quarto que ensina a criança a dormir sozinha em três dias. No primeiro dia, a mãe deixe deixar a criança no quarto durante 15 minutos sozinha e só depois ir até ela. No segundo dia, o tempo sobre para 20 minutos e, no terceiro dia, para 30.

    "Deixar chorar é necessário às vezes, mas não deve ser drástico. A criança pode associar que dormir é algo muito ruim e tudo vai se tornar cada vez mais difícil. Porém, os pais não devem ir até a criança já no primeiro choro. Se ela se desesperar, vale ir lá e acalmar um pouco. O que não pode é deixar a criança chegar ao ponto de perder fôlego ou vomitar", explica Márcia Pradella-Hallinan.

    Deixar que a criança durma com os pais
    Muitas crianças manifestam a preferência de dormir com a mãe, com o pai ou com ambos. "Na nossa cultura, deixar que a criança durma com os pais é desaconselhável. Há muitos estudos nesse sentido, principalmente americanos, pois lá nota-se um aumento da incidência do que eles passaram a chamar de "co-sleeping". Há dados que confirmam que, apesar de a criança parecer dormir melhor na cama dos pais, a arquitetura do sono fica prejudicada, isto é, a qualidade do sono é pior", diz a pediatra diz Eduardina Telles Tenenbojm, psicoterapeuta e doutoranda em ciências no departamento de neurologia clínica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

    Ler livros e contar histórias
    A leitura de histórias é uma das técnicas mais populares entre os pais. O ideal é que, antes de dormir, sejam lidos livros infantis, mas as histórias narradas às crianças também podem ser inventadas. A leitura deve acontecer na cama da criança, ou antes de ela ir para cama. Nunca na cama dos pais.

    "Ler é uma técnica benéfica e um momento de aproximação entre os pais e filhos e pode ser parte do ritual para adormecer. É ainda uma forma de introduzir o hábito da leitura, que caiu em desuso entre os adolescentes", diz Eduardina Telles Tenenbojm.

    Levar à exaustão
    Muitas vezes as horas que antecedem o sono são aquelas em que as crianças manifestam comportamento mais agitado. A impressão que dá é que o pequeno não se rende ao sono e busca brincar até ficar exausto. "O correto é que a criança tenha momentos reservados à prática de atividades físicas durante o dia, preferencialmente durante a tarde. E que, o quanto antes, perca o hábito de dormir durante o dia. Depois de 4 ou 5 anos, a criança não precisa mais fazer a sesta. À medida que for chegando a hora de dormir, o certo é desacelerar. O ritual do sono deve ser tranqüilo", observa Isabel Madeiram.

    Luz acesa
    Por medo, algumas crianças se recusam a dormir no escuro. Para os especialistas, luz apagada é a maneira mais adequada de relaxar, porém é preferível que a criança durma com a luz acesa a dormir na cama dos pais. "No hospital, temos usado luzes azuis, que têm efeito relaxante, para acalmar recém-nascidos hiperativos. Essa estratégia pode ser adotada em casa também", afirma o pediatra Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa. Ele ressalta que é necessário que os pais investiguem as razões do medo do escuro. "Esse é um sintoma que pede atenção. Afinal, quem são os fantasmas que estão ali? Podem até mesmo ser pessoas conhecidas das crianças", observa.

    Márcia Pradella-Hallinan concorda. "Os medos podem vir de coisas trazidas de escola e se manifestarem à noite. Então é necessário desviar a atenção da criança para uma coisa positiva e desassociar o sono de medo", acrescenta.

    Manter uma rotina fixa
    "Organizar a rotina fixa de sono com horários e práticas repetidos diariamente é a regra de ouro. As crianças são bastante sensíveis aos rituais, às coisas que se repetem. A repetição é tranqüilizadora para a criança porque ela reencontra o "conhecido". Isso facilita a indução ao sono", diz a pediatra diz Eduardina Telles Tenenbojm.

    O ideal é que o ritual do sono seja iniciado cerca de uma hora antes de a criança ir para a cama e que nele sejam cumpridas todas as tarefas que evidenciam que o momento do repouso se aproxima: tomar a mamadeira, escovar os dentes, pôr o pijama, deitar-se com seu urso. Essas tarefas devem ser repetidas diariamente nos mesmo horários.

    Óleo de lavanda
    Há quem creia que óleo essencial de lavanda ajuda combate a agitação noturna de bebês e crianças. "Basta pingar uma gota de óleo num paninho ou num travesseirinho e posicioná-lo no berço de forma que a criança deitada receba o aroma. O melhor é evite o contato direto do óleo com a pele para não provocar irritações. Em alguns minutos, a inquietação e a insônia melhoram", diz Cristina Baumgart, vice-presidente do Kyron Spa e mãe de dois meninos.

    "Não acho que tenha efeito nenhum. Na verdade, é algo que a mãe passa a fazer como parte da rotina de dormir, e é o estabelecer dessa rotina que ajuda os bebês", comenta a pediatra Suzana Altikes Hazzan.

    A terapeuta corporal Alice Keiko's Fujiura diz que óleos essenciais puros são muito fortes para a pele do bebê. "Devem ser diluídos em óleos vegetais como o de gergelim e o de semente de uva."

    Pôr em frente à TV
    O hábito dos adultos de pegar no sono assistindo TV é cada vez mais repassado para as crianças. Mas especialistas alertam que o costume não é recomendado. "Na verdade, o mundo da criança deve ser o mínimo condicionado possível à televisão. E, diferentemente do que ocorre com os adultos, a televisão pode não ser sinônimo de relaxamento para a criança. Se o programa for agitado ou muito interessante, por exemplo, ela não vai querer dormir. Além disso, essa será mais uma criança que precisa de TV no quarto, fato que causa isolamento e desagrega a família", diz Isabel Madeiram.

    Shantala
    A técnica indiana de massagens para bebês se tornou muito popular nos países do ocidente. Paralelamente, outras técnicas de massagem para bebês surgiram por aqui. Para a pediatra Suzana Altikes Hazzan, massagear é uma técnica fundamentada. "É positivo. Relaxa a criança e ajuda-a a ficar tranqüila. Além disso, o contato com a mãe promove a segurança dos bebês", explica. Mas ela alerta que é importante adquirir domínio da técnica e não forçar caso o bebê não seja receptivo. "Se a mãe começa devagarinho, de modo delicado, a tendência é o bebê aceitar. Entretanto, se ele não aceitar e ficar chorando, o melhor é não forçar", diz Hazzan.

    "'Para massagear bebês, antes de começar, é preciso preparar um ambiente tranqüilo. Todos os movimentos devem ser muito suaves e é preciso usar óleo vegetal em abundância. A idéia é que as mãos escorreguem e não que exerçam pressão como no shiatsu", diz Alice Keiko Fujiura

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