Um espaço para informação e troca de idéias sobre os problemas neurológicos mais comuns na infância. Aqui, serão abordados os problemas mais comuns do dia-a-dia de um neuropediatra, de forma a orientar os pais e cuidadores. Alerta: o blog é voltado para os pacientes da Clínica e seus pais, e não tem o intuito de orientar pais que estão navegando na internet a procura de diagnósticos ou tratamentos para seus filhos. Para isso, procure o seu médico.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Inteligencia ou persistencia?
Calvin Coolidge
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Dislexia?
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Os pais e filhos da atualidade
"Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade"
texto completo: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247981-15230,00.html
do site: http://cultodaostraazul.blogspot.com.br/
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Familia, comportamento e aprendizagem em pleno século XXI: o que os pais de hoje em dia andam fazendo?
Contudo, muito mais importante que isso, é uma reflexão que as famílias se recusam a fazer: qual o seu papel na formação cognitiva, comportamento e aprendizagem das crianças? Por que seu filho é agressivo? Ou agitado? Desobediente? Não pára? Não aprende? Por que diabos a escola te chama tanto para reclamar dele? Já adianto que as crianças seguem exemplos, e as motivações são reflexo do meio social - e familiar em que vivem.
Os valores do ambiente familiar refletem-se nas motivações, na personalidade e nas atitudes das crianças. Em resumo: algumas crianças são capazes de inibir a agressividade, visto que aprenderam em casa que a agressão conduz ao castigo. Outras, no entanto, são encorajadas a expressar sentimentos agressivos e, conseqüentemente são mais inclinadas às brigas, birras e desafios quando contrariadas. Além disso: crianças que apanham, aprendem a resolver suas frustrações batendo. Criança que não é corrigida com firmeza e sem agressividade quando agride, aprende que isto é aceitável em seus momentos de contrariedade ( por que seu filho bate nas outras pessoas, então?)
As diferenças de estimulos e motivação de realização dadas dentro de casa também influenciam o comportamento das crianças. Pais que, em geral, valorizam a capacidade de realização de seus filhos, recompensando-os com freqüência, formam crianças interessadas em estudar. Os que não valorizam o esforço e capacidade de realização dos filhos, porém, formam crianças mais propensas às dificuldades no estudo, que consideram a escola chata, e com grande probabilidade de se converterem em "problemas escolares".
Contudo, um alerta: recompensar a criança e presenteá-la são coisas bastante diferentes. Comumente vemos crianças com dificuldades escolares, comportamento inadequado ou agressivas recebendo inúmeros presentes dos pais - que, as vezes, o fazem com grandes dificuldades. Saber o momento de presentear uma criança é papel de quem quer formar um cidadão. Independentemente da idade de seu filho!
A diferença na fala e no vocabulário, já nos pré-escolares também exerce forte impacto na aprendizagem escolar da criança. Meninos que possuem melhor vocabulário, articulam com maior perfeição, falam corretamente e constroem frases mais elaboradas tem rendimento escolar superior aos outros, no futuro. Neste contexto, o aumento de estímulo ambiente de uma criança antes dos 5 anos de idade pode levá-la a intensificar seu interesse pela linguagem e a melhorar sua expressão verbal. Isso é muito importante uma vez que a aprendizagem complexa e a formação de conceitos depende muito da linguagem. Cabe, porém, um alerta: ambientes familiares superprotetores também podem privar a criança de um desenvolvimento autônomo, reforçando, por exemplo, uma fala infantilizada.
Dentre os inúmeros fatores que interferem no processo de ensino-aprendizagem e que prejudicam as crianças, muitas vezes severamente, o principal costuma ser a ineficiente educação familiar. Os pais, de forma deliberada ou inconscientemente, serão os responsáveis por permitir ou obstruir o processo de construção da individualidade de seus filhos. E precisam criar um ambiente familiar que satisfaça as necessidades básicas de afeto, apego, desapego, segurança, disciplina, aprendizagem e comunicação, pois é nele que se estrutura a mais importante forma de aprendizagem: a capacidade de aprender a se relacionar com o outro.
Por trás de grande parte dos distúrbios de aprendizagem ou de inadaptação da criança à escola, esconde-se algum tipo de tensão emocional cuja origem encontra-se no universo familiar. Não é possível compreender a criança separada de seu lar; ela só pode obter maturidade emocional e aprender quando os adultos com os quais ela convive são emocionalmente maduros.
Ressalta-se, finalmente, a influência do fator emocional
sobre a aprendizagem das crianças. De nada adianta ter um alto desenvolvimento cognitivo se não se tem controle sobre suas emoções. O autoconceito, moldado durante o convívio familiar, também é fundamental: quem se julga capaz de aprender, aprende bem mais e melhor do que quem se julga incapaz para tal.
Em suma, se os pais soubessem o poder e a força de seus atos em casa e do contato com seus filhos, a importância de estimular precocemente as crianças e de se ter relações saudáveis em família, as dificuldades de aprendizagem seriam bem menos frequentes....
terça-feira, 3 de julho de 2012
Idade em que criança com TDAH começa a ser tratada é determinante para melhora do desempenho escolar
Ao todo, o trabalhou acompanhou 11.872 crianças islandesas que começaram a tomar medicamentos para TDAH em diferentes idades. Os pesquisadores aplicaram testes que avaliaram o desempenho acadêmico desses jovens quando eles estavam na quarta série do ensino fundamental (e tinham entre nove e dez anos de idade) e quando eles estavam na sétima série (entre 12 e 13 anos). Depois, eles compararam os resultados das duas avaliações.
No geral, as crianças que começaram a tomar medicamentos para TDAH logo após realizarem os testes aplicados na quarta série do ensino fundamental tiveram uma piora de 0,3% nos resultados do segundo teste de matemática em comparação com o primeiro. Por outro lado, os jovens que passaram a receber o tratamento apenas entre a sexta e a sétima série apresentaram um declínio de 9,4% entre uma prova e outra. Os autores também concluíram que, enquanto entre as meninas o tratamento melhorou somente o desempenho em matemática, entre os meninos o benefício também ocorreu em relação aos testes relacionados à linguagem e à literatura.
Mais medicamentos — Um estudo publicado recentemente também no Pediatrics mostrou que as crianças americanas estão tomando menos antibióticos, mas maiores quantidades de remédios para TDAH. Essa pesquisa indicou que o número de prescrição dessas drogas aos jovens de até 17 anos aumentou em 46% entre 2002 e 2010 no país.
Do site da Veja: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/idade-em-que-crianca-com-tdah-comeca-a-ser-tratada-e-determinante-para-melhora-do-desempenho-academico
quinta-feira, 28 de junho de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
Filhos de pais que ‘não se dão’ têm tendência a comportamentos de risco
Crianças que vivem em casas onde o ambiente é hostil têm maiores chances de se envolverem com drogas e se tornarem sexualmente ativos ainda muito jovens, de acordo com uma pesquisa. Também se constatou que elas têm um terço a mais de chances de se tornarem alcoólatras, em comparação a crianças criadas por pais solteiros.
O estudo realizado por Kelly Musick, da Universidade Cornell, em Nova York, mostrou que crianças criadas em lares violentos têm maiores riscos de terem problemas mentais, comportamentais e de relacionamento.
O estudo chegou à conclusão que crianças criadas em lares mais tranqüilos, apenas com o pai ou a mãe, têm melhores chances de ir bem na escola, em comparação com aquelas criadas em lares conflituosos.
Uma em cada cinco crianças de famílias infelizes afirmaram ter feito sexo antes dos 16 aos, e a mesma porcentagem registrou morar com um companheiro aos 21 anos. Quase uma em cada dez pessoas tiveram filhos fora do casamento.
“Nossos resultados mostram claramente que, embora as crianças tendam a ter vidas melhores com os pais casados, as vantagens de viver com eles não são adequadas a todas as crianças”, afirma Musick. O estudo utilizou dados de entrevistas feitas com quase duas mil famílias, e estudou crianças desde os quatro até 34 anos de idade
Reportagem do jornal Telegraph
Nos EUA, crianças e adolescentes estão tomando menos antibióticos e mais medicamentos para TDAH
Link para a reportagem
Segundo um levantamento feito pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regula alimentos e medicamentos, o número de prescrições de antibióticos destinadas a crianças e adolescentes é menor do que há oito anos, nos Estados Unidos. Por outro lado, são cada vez mais prescritas drogas para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e asma. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira no Pediatrics, periódico oficial da Associação Americana de Pediatria.
Esses dados foram baseados nas prescrições médicas preenchidas no país entre os anos de 2002 e 2010 para jovens com até 17 anos de idade. De acordo com o estudo, em 2010 foram registradas 263,6 milhões de prescrições de medicamentos em geral a pessoas dessa faixa etária — 7% a menos do que em 2002. As prescrições para pacientes adultos, porém, aumentaram em 22% nesse mesmo período.
O levantamento indicou que, nesses oito anos, as prescrições de antibióticos a bebês, crianças e adolescentes caiu 14%, embora esse tipo de remédio ainda seja o mais frequentemente fornecido para pacientes pediátricos no país. Além dos antibióticos, também foram menos prescritos medicamentos para alergia (-61%), tosse e resfriados (-42%), dor (-14%) e depressão (-5%). Por outro lado, aumentou o número de prescrições para anticoncepcionais (+93%) e remédios para tratar TDAH (+46%) e asma (+14%).
TDAH — Para Alessandra Cavalcante, pediatra do Hospital São Luiz, em São Paulo, a razão do aumento da prescrição de medicamentos para TDAH não está relacionada a um excesso de diagnósticos, mas sim a um maior nível de informação de pais e médicos. "Isto é uma coisa boa, já que o transtorno, quanto mais cedo for tratado, menos problemas causará no futuro", diz a médica.
De fato, ao menos nos Estados Unidos, onde o levantamento foi feito, mais jovens estão sendo diagnosticados com TDAH e cada vez mais cedo. Um trabalho feito na Universidade de Northwestern e publicado em março deste ano também na revista Pediatrics mostrou que, em dez anos, o número de pessoas menores do que 18 anos diagnosticadas com o transtorno aumentou 66% no país. Além disso, em outubro de 2011, a Academia Americana de Pediatria reduziu a idade mínima para diagnóstico e tratamento de TDAH de seis para quatro anos.
Brasil — Embora um levantamento como esse não tenha sido feito no Brasil, Alessandra Cavalcante também percebeu na prática clínica o aumento dos tratamentos destinados a crianças com TDAH. Da mesma forma, ela acredita que os jovens brasileiros estão tomando mais remédios para asma e mais anticoncepcionais. "O aumento da incidência de asma é visível, especialmente em São Paulo, onde a poluição é forte. Além disso, como os jovens entram na vida sexual cada vez mais cedo, os contraceptivos estão se tornando mais comuns."
No entanto, a médica acredita que não tenha acontecido uma redução significativa nas prescrições de antibióticos a pacientes infantis. "Ainda temos um grande número de prescrições de antibióticos sem necessidade. Precisamos acabar com o culto ao pronto-socorro. As famílias devem, sempre que possível, procurar o pediatra que acompanha a criança e conheça o seu histórico", afirmou.
terça-feira, 5 de junho de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
TDAH x drogas/criminalidade: o que se sabe?

Embora se saiba dos problemas sociais, familiares e escolares relacionados a presença de TDAH, um dado mais alarmante vem chamando a atenção da comunidade científica: a propensão destas crianças a desenvolverem no futuro comportamento criminoso, transtornos psiquiatricos e dependencia de drogas.
Em um estudo desenvolvido em Nova York em 2006, com adultos que persistiram com TDAH e nunca foram tratados, a incidencia de transtornos de humor (depressão, distimia, transtorno bipolar), transtornos de ansiedade ( transtorno de ansiedade generalizada, T. pânico, fobia, agorafobia) e abuso de substancias ( alcool, cigarro e drogas ilícitas) mostrou-se incrivelmente maior no grupo dos adultos não tratados com TDAH, em relação a populaçcao em geral. A incidencia de depressão maior mostrou-se 2,7 vezes maior e a de t. de ansiedade generalizada 3,2 vezes maior no grupo dos pacientes com TDAH em relação a população.
( Referência Kessler et al.: The prevalence and correlates of adult ADHD in the United States: results from the National Comorbidity Survey Replication. Am J Psychiatry. 2006 Apr;163(4):716-23)
Em um outro estudo realizado em Nova York em 2008, o acompanhamento das crianças com TDAH com e sem tratamento mostrou dados ainda mais alarmantes ( coorte histórico). O número de prisões, condenações e encarceramento em pacientes com TDAH não tratados foi expressivamente maior do que nos individuos sem TDAH ou que tiveram tratamento/acompanhamento adequado ao longo da infância. Além disso, o comportamento antisocial e a incidencia de uso/abuso de drogas também foi maior no grupo dos pacientes com TDAH que nunca foram tratados.
(Referencia: Mannuzza, S., Klein, R.G., & Moulton, J.L., III Lifetime criminality among boys with ADHD: a prospective follow-up study into adulthood using official arrest records. Psychiatry Research, 160, 237-246)
Por fim, um estudo antigo publicado na prestigiada revista Pediatrics, em 1999, mostra que tais informações são velhas conhecidas da comunidade científica.Segundo o estudo, o tratamento medicamentoso do TDAH reduziria o risco de transtorno de conduta e abuso de drogas na adolescencia e idade adulta.
( Ref:. Biederman, J., et al. Pharmacotherapy of attention-deficit/hyperactivity disorder reduces risk for substance use disorder. Pediatrics 104(2):e20, 1999)
É claro que a opção por não tratamento não significa que a criança desenvolverá qualquer dos distúrbios psiquiátricos ou de conduta citados, mas fica a dúvida: existindo a opção de tratamento, vale a pena desprezá-la? Não existe espaço no século 21 para as velhas desculpas do tipo: "o médico na televisão falou que TDAH não existe", "tem uma professora de medicina em Campinas que fala que para tratar esse tipo de coisa não se usa remédio forte", "o moço do jornal falou que o remédio é forte e vicia" ou mesmo a velha conversa de que " eu era assim quando criança", " ela fica procurando coisas para o menino" ou " a mãe dele não dá limites"...
O TDAH é mais do que comprovado e estudado na literatura, tem repercussões importantes na vida social, escolar, familiar e afetiva da criança e pode causar sérias repercussões na adolescência e idade adulta. E a pergunta que fica é: vale a pena negar sua existência ou a presença em seu filho? Vale a pena arriscar seu futuro? Escolher não tratá-lo não é a pior forma de virar as costas para as dificuldades e para o sofrimento de seu filho por vaidade, arrogância ou conveniência pessoal? Com a palavra, os principais responsáveis pela formação de adultos sérios, responsáveis e produtivos para a sociedade: os pais.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Erros inatos do metabolismo: nem tudo é paralisia cerebral!

Os erros inatos do metabolismo( EIM) são distúrbios bioquímicos, geneticamente determinados, nos quais um defeito enzimático especifico produz um bloqueio metabólico que pode originar uma doença. Suas principais manifestações neurológicas são atraso no desenvolvimento motor ou intelectual das crianças, embora boa parte das vezes os sintomas sejam de regressão do desenvolvimento motor ou intelectual.
Comumnete, faz-se nestas crianças o diagnostico de paralisia cerebral. Este diagnóstico, além de errado, impede o tratamento e aconselhamento genético adequado dos familiares. Além disso, não permitem que os pais entendam a real causa da regressão do desenvolvimento dos filhos, a evolução/piora progressiva dos sintomas e, sobretudo, não esclarece a familia das possibilidades de outra criança ou adulto da familia ser portador de um gene ou doença progressiva - que pode ainda não ter se manifestado.
Os EIM embora tidos como raros, são na verdade, pouco conhecidos e pouco diagnosticados, e compreendem mais de 700 distúrbios, a maioria deles relacionados à síntese, degradação, transporte e armazenamento de moléculas no organismo. Eles são relativamente frequentes em seu conjunto, apresentando uma incidência cumulativa estimada em 1:1000 recém-nascidos vivos. A incidência e a frequência de doenças individuais variam baseadas na composição racial e étnica da população e nos níveis de investigação dos programas de triagem neonatal disponíveis.
As alterações ocorrem ao nível molecular, causando ausência de síntese de uma enzima, síntese de enzima com atividade deficiente, que pode ser de diversos graus, ou ainda a destruição exagerada de uma enzima normalmente sintetizada levando ao bloqueio de diversas vias metabólicas. Esse bloqueio, além de induzir o acúmulo de substâncias tóxicas e/ou falta de substâncias essenciais, pode gerar problemas no desenvolvimento físico e mental dos pacientes.
Formas leves, moderadas ou graves de uma mesma doença caracterizam a grande variabilidade clínica dos EIM e a deficiência de diferentes enzimas determinantes de um mesmo quadro clínico caracteriza a sua heterogeneidade genética.
O diagnóstico definitivo de um EIM depende principalmente da suspeita clínica.A adequada solicitação e realização de exames complementares é importante para que se possa estabelecer um tratamento específico e permitir o aconselhamento genético dos casais em risco.
SINAIS E SINTOMAS
Os EIM podem se apresentar em qualquer faixa etária, desde a vida fetal até a idade adulta, com predomínio entre o período neonatal e os 10 anos de idade.
Antes do nascimento, o feto está relativamente protegido dos malefícios de uma doença metabólica em virtude da função da placenta materna tanto para o fornecimento de nutrientes quanto para a filtragem de metabólitos tóxicos. Por isso, muitas doenças metabólicas se apresentam nos primeiros dias de vida após o nascimento, pois o bebê não pode mais se beneficiar da ajuda fisiológica da mãe para compensar suas deficiências.
No início, os sinais e sintomas das doenças podem ser sutis e dependendo do grau de deficiência metabólica vão se tornando cada vez mais aparentes e difíceis de tratar.Deve-se suspeitar de EIM sempre que o paciente apresentar história de irmãos falecidos no período neonatal sem diagnóstico etiológico, membros da família com sintomas clínicos não esclarecidos e a existência de consanguinidade.
Na história patológica pregressa do paciente pode haver relato de vômitos crônicos ou anorexia persistente acompanhados de um baixo desenvolvimento pondero-estatural, hipotonia, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e recusa por determinados alimentos, principalmente proteínas. Também é preciso estar atento aos sintomas desencadeados por infecções, jejum prolongado, vômitos, ingestão de alimentos tóxicos ou exercício intenso.
No período neonatal, os EIM podem se apresentar como sintomas neurológicos, alimentares e respiratórios, tais como: hipotonia, letargia, coma, convulsões, diarréia, vômitos, icterícia, hepatomegalia, falência hepática, hipoglicemia, cardiomiopatia, arritmia, hiperamonemia, acidose metabólica e outros. Cerca de 1/3 dos casos neste período podem apresentar intervalos assintomáticos ou uma apresentação tardia (após o período neonatal até a fase adulta).
Episódios recorrentes de coma, ataxia e vômitos com letargia são as formas mais frequentes de apresentação tardia. Outras formas menos comuns são as manifestações cardíacas com arritmia ou falência cardíaca, dores abdominais recorrentes, intolerância ao exercício além de sintomas psiquiátricos de início agudo e recorrente.
O quadro clínico nas emergências é em geral inespecífico e lembra uma septicemia ou intoxicação exógena. Por sua vez, o diagnóstico de infecção não exclui necessariamente o de um EIM, pois em alguns casos há redução das defesas celulares levando a concomitância de quadros infecciosos. Os erros inatos do metabolismo não podem ser vistos apenas como diagnóstico diferencial, mas também como coadjuvante de um episódio agudo de relativa intensidade.
A maioria dos sinais e sintomas que acompanham os EIM é comum a outras doenças mais frequentes, dificultando o correto diagnóstico.
Por não haver sintomas clínicos característicos de determinados EIM é imprescindível a associação destes com a história familiar, a história patológica pregressa, os fatores desencadeantes e as análises laboratoriais, para que se estabeleça um diagnóstico.
Contudo, é importante ressaltar que todas as crianças que apresentem regressão motora, intelectual ou comportamental sem uma causa estabelecida devem ser investigadas para uma possível causa metabólica.
Leia aqui, aqui e aqui
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
ROTINA!
É preciso garantir a paz necessária para um bom desenvolvimento. Criança precisa de tranquilidade e de hora para dormir, comer, brincar, fazer a lição de casa, descansar. E nós precisamos abrir mão dos próprios anseios para identificar o que é realmente importante para a criança, além de tentar não projetar nos filhos o que serve para nós mesmos.
Tenho visto pais muito ansiosos com o futuro dos filhos, pensando nos profissionais de sucesso que eles precisam ser. A sociedade está em uma escalada que atropela a infância em nome de uma competitividade subjetiva que talvez nem seja tão aguda como se imagina. Exagerar nos estímulos e afazeres das crianças, transformando-as em miniadultos e querendo que elas mostrem resultados o tempo todo, pode ter efeitos nefastos.
Se o seu filho teve uma agenda de executivo em 2011, é bom repensar essa rotina e oferecer a ele uma vida de criança: viver a infância é o melhor que um ser humano pode fazer para crescer saudável e desenvolver as suas potencialidades. Se é difícil para um adulto dar conta de tantas exigências da vida moderna, pior ainda para uma criança, que nem sequer tem desenvolvidas as suas capacidades físicas e mentais.
Para o psicanalista Rubens de Aguiar Maciel, professor universitário e pós-doutorando em técnicas meditativas na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), “uma vida mais parada é mais adequada para desenvolver o equilíbrio interno”.
O professor disse que o equilíbrio é fundamental na vida, mas, em geral, as pessoas não são treinadas para isso. É preciso aprender aquietar a mente. Uma maneira de favorecer a organização da mente infantil é instituir uma rotina saudável. O excesso de estímulos e de informações impede que a criança perceba os movimentos internos desgovernados e aprenda a controlá-los.
“As pessoas tendem à depressão ou à excitação, que são contrárias ao equilíbrio. Quando se deseja algo, é preciso desenvolver disciplina e atenção para não ceder à preguiça e à autoexcitação”, explicou.
A disciplina ajuda a desenvolver uma atitude mais centrada e mais focada. “A mente da criança em constante agitação é como um macaco pulando de galho em galho”, exemplificou. Esse movimento é associado ao estresse. O pensamento agitado cria um círculo vicioso. Estabelecendo uma rotina saudável, os pais podem contribuir para proporcionar às crianças um estado de calma e serenidade que auxilia muito nos focos afetivos, na atenção e na capacidade cognitiva.
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Jogos violentos alteram a função cerebral em jovens
Jovens que jogam games violentos apresentam mudanças na região cerebral que está associada à função cognitiva e ao controle emocional. É o que sugerem os resultados de um estudo apresentado no encontro anual da Sociedade Radiológica da América do Norte. Os pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade de Indiana, autores da pesquisa, estudaram a violência nos meios de comunicação e o impacto disso na vida dos jovens por mais de uma década. Esta, porém, é a primeira vez que eles realizaram um estudo experimental que mostrou uma relação direta entre jogar games violentos durante um período e a mudança em regiões cerebrais.
Para o estudo, foram acompanhados 28 homens, com idades entre 18 e 29 anos, com um passado de exposição a jogos violentos. Os voluntários foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 14 pessoas. Os membros do primeiro grupo foram instruídos a jogar um game de tiro por 10 horas ao dia durante uma semana. Depois, eles eram impedidos de jogar na semana seguinte. O segundo grupo não jogou nenhum game durante as duas semanas de duração do estudo.
Cada um dos voluntários foi submetido a uma ressonância magnética no começo do estudo, outra na primeira semana e mais uma no final da segunda semana. Além disso, os participantes também fizeram testes que mediam a habilidade cognitiva e emocional.
Os resultados mostraram que os voluntários dos primeiro grupo, que jogaram durante uma semana, tiveram menor em duas regiões do cérebro ligadas à parte cognitiva e emocional, ao serem comparados com o grupo controle. "Essas descobertas indicam que o jogo violento de vídeogame pode provocar um efeito a longo prazo no funcionamento do cérebro", afirmou Yang Wang, do departamento de radiologia da Universidade de Indiana. "Esses efeitos podem traduzir-se em mudanças de comportamento durante longos períodos de jogo. As regiões afetadas do cérebro são importantes para controlar a emoção e comportamento agressivo", disse.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Moleiras: uma proteção natural

| Todo recém-nascido apresenta na chamada calota craniana – no alto da cabeça – duas aberturas: a fontanela anterior e a posterior, também conhecidas como moleira. Suas funções principais são facilitar a passagem do bebê, na hora do parto, e permitir, junto com as suturas (pequenas linhas de separação entre os ossos da cabeça), o crescimento adequado do cérebro. Mais tarde, a própria natureza tratará de fechá-la. |
Zilda Ferreira
Consultoria: Dr. Eduardo Figueiredo Salles, pediatra e neonatologista
Estudo mostra que enxaqueca infantil costuma ser subestimada pelos pais

Quando uma criança se queixa de dor de cabeça, pais e professores logo pensam que ela está precisando de óculos, mas problemas visuais raramente são as causas de um distúrbio mais sério e ainda subestimado em crianças e jovens: a enxaqueca. Os verdadeiros culpados incluem dieta inadequada, alterações hormonais, privação de sono e predisposição genética, segundo pesquisa realizada no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.
O estudo revelou que os principais sintomas da enxaqueca infanto-juvenil são dores concentradas em um lado da cabeça, náusea, vômitos, palidez e mais sensibilidade à luz e ao barulho. A dor é pulsante e piora com o esforço físico, sendo comum a criança parar de brincar nessa situação. A duração da crise parece ser mais breve que nos adultos: meia hora ou até menos. Segundo os autores, o melhor a fazer é colocar a criança para descansar em um lugar bem ventilado, escuro e silencioso.
Segundo as estimativas da Academia Brasileira de Neurologia, a enxaqueca atinge cerca de 18% da população do país. Nas crianças e jovens os dados são escassos, mas o estudo de Ribeirão Preto indica que até 12% dos meninos e meninas com mais de 10 anos têm predisposição genética para o problema.
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Sem tratamento adequado, quase metade dos jovens faz uso abusivo de analgésicos
Quase 2 milhões de crianças e adolescentes brasileiros sofrem com dor de cabeça pelo menos dez dias por mês. Por falta de diagnóstico e tratamento adequado, quase metade deles acaba fazendo uso abusivo de analgésicos, o que pode piorar o quadro e trazer outros prejuízos à saúde.
A estimativa foi feita pelo neurologista Marco Antônio Arruda, da Sociedade Brasileira de Cefaleia, com base em uma pesquisa com 6.383 crianças e adolescentes entre 5 e 18 anos. Mais de 80% disseram já ter sentido dor de cabeça ao menos uma vez, 10% foram diagnosticados como portadores de cefaleia tensional e 8% como portadores de enxaqueca. "Cerca de 2,5% da amostra têm o que chamamos de cefaleia crônica de alta frequência e, desses, 53% disseram tomar analgésico mais de dez dias por mês. É um exagero", diz o médico.
O consumo excessivo de remédios faz com que o corpo pare de produzir substâncias analgésicas naturais, como endorfinas. Com o tempo, as crises se tornam mais frequentes e intensas. Além disso, as drogas podem afetar os rins, fígado, coração e trato digestivo.
Mikael Correa, 11 anos, teve sua primeira crise de enxaqueca aos 7. Mas o problema só foi diagnosticado dois anos mais tarde e, nesse meio tempo, ele chegou a ter quatro episódios de dor por semana. Hoje, graças ao tratamento preventivo, o menino tem, em média, uma crise por mês. Mikael usa remédios e tem um diário, com os dias e o tempo que duram as crises.
As dores de cabeça crônicas estão relacionadas a um desequilíbrio químico no cérebro, explica a neurologista Thaís Villa, do setor de cefaleia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Analgésicos resolvem a dor aguda, mas, quando o problema é recorrente, é preciso medicamento para corrigir o desequilíbrio."
Mas a maioria das crianças e adolescentes que sofrem de cefaleia crônica não é diagnosticada e tratada, afirma Arruda. Isso as deixa mais predispostas a sofrer de distúrbios do sono e problemas de comportamento, como agressividade ou retraimento.
Estudo mostra também que o risco de desempenho escolar abaixo da média é 40% maior entre os que têm dor de cabeça crônica. O índice de absenteísmo escolar também foi mais alto. Além disso, outro estudo revelou que crianças com enxaqueca têm o funcionamento cognitivo afetado, e desempenho inferior em testes de atenção, memória e processamento de informação. (AE)
Dicas
Gatilhos
Privação de sono, jejum prolongado, sol forte, estresse e alguns alimentos, como chocolate, são gatilhos comuns para as crises. Tente identificar quais deles afetam a criança e evite-os
Sono
As crises na infância são curtas e melhoram com o sono. Tente colocar a criança para dormir em local escuro e silencioso antes de apelar para analgésicos
Rotina
Procure respeitar os horários para comer e dormir. O ideal é que a criança deite cedo
Sinais
Criança pequena que interrompe subitamente uma atividade de que gosta pode estar com dor
Gagueira infantil
A mãe de Pablo mostra-se angustiada durante a consulta. Já faz um mês que seu filho de 3 anos repete sílabas e bloqueia sons ao falar. Ao ver seu esforço para se expressar, ela tenta ajudá-lo orientando-o a não ficar nervoso e a falar bem devagar – o que não tem efeito. Há dias em que Pablo gagueja e outros em que fala sem nenhuma dificuldade. Na última semana, no entanto, o problema se agravou em algumas ocasiões, o menino chega a fazer gestos de esforço para parar de tropeçar nas palavras. A mãe receia que a gagueira se torne permanente.
Problemas de articulação da fala costumam aparecer entre os 2 e 4 anos. Nesse período, os pequenos começam a formar frases maiores e mais elaboradas e ocorre a aquisição de habilidades complexas e necessárias para organizar a linguagem e utilizá-la em situações sociais. É normal esquecer-se de algumas palavras, não apresentar total fluência na fala e demonstrar insegurança ao se expressar.
Como descrito pela mãe de Pablo, uma das características da gagueira é a oscilação: ela não se apresenta em todas as ocasiões e sua intensidade varia. Na maioria dos casos, os bloqueios desaparecem, por exemplo, quando a criança canta, pois estão relacionados ao momento da comunicação – como alguma situação na qual o pequeno se sinta intimidado, seja por uma atitude pouco receptiva do interlocutor ou pela emoção que sente em relação ao tema. Fatores como a pressão dos pais ou professores para “falar corretamente”, corrigindo ou mesmo recompensando quando a criança se expressa com fluência, podem piorar o problema.
Diagnóstico e tratamento
A gagueira tende a desaparecer espontaneamente ainda durante a infância. Entretanto, em uma minoria dos casos, ela pode se estabelecer e perdurar pela adolescência e idade adulta. É comum que a falta de fluência na fala acentue a timidez ou faça com que a pessoa deixe de se expressar para evitar a vergonha de tropeçar nas sílabas e passe a manifestar movimentos corporais involuntários relacionados à tensão e ao esforço para falar.
Até há pouco tempo, a abordagem de especialistas para casos como o de Pablo era aconselhar os pais a esperar. O tratamento costumava ser indicado apenas se o problema persistia após a idade pré-escolar. No entanto, segundo estudo conduzido por mais de 20 anos, a intervenção deve vir, de preferência, antes dos 4 anos, para evitar que a gagueira se estabeleça e ocasione transtornos secundários como ansiedade ou sentimentos negativos em relação à comunicação e à convivência social, prejudicando a autoestima.
A pesquisa não identificou uma causa específica da gagueira, porém foram identificados fatores que podem desencadeá-la, como histórico familiar – cerca de 60% das pessoas com o problema têm parentes gagos. Além disso, é três vezes mais frequente em meninos. Observou-se alto índice de recuperação em casos em que o tratamento foi iniciado antes que as repetições e os tropeços na fala completassem um ano. Ao perceber os sinais descritos, é aconselhável que os pais procurem um fonoaudiólogo ou psicólogo. Estes profissionais avaliarão o grau de dificuldade da criança em expressar-se e se há fatores ambientais, sociais e psicológicos associados ao problema.
A mãe de Pablo foi orientada a ajudar o filho com atitudes simples, como falar de forma clara com a criança e dar tempo para que ele organize suas palavras. Foi instruída também a evitar fazer recomendações e a conversar um pouco mais devagar, articulando bem as palavras, para oferecer um modelo lento de fala, com pausas, que possa ser imitado. Essas pequenas mudanças são, em geral, muito eficazes para deixar os pequenos mais tranquilos e conseguir que eles se expressem com mais fluência.
Reportagem da Revista Mente e cérebro,edição 221 - Junho 2011: leia aqui
Autora: Alicia Fernández Zúñiga Alicia Fernández Zúñiga é psicóloga do Instituto de Linguagem e Desenvolvimento da Universidade Autônoma de Madri
Cabeça nas nuvens ...

O tratamento, porém, do TDA/H reduz as possibilidades de abuso/dependência de drogas à metade, ou seja, para o mesmo nível da população geral. O diagnóstico de TDA/H em adolescentes e adultos requer cuidadosa análise da história clínica, obtida por intermédio do relato do paciente acerca de seus sintomas e do impacto deles em sua vida. Em geral, do ponto de vista psiquiátrico, buscam-se informações sobre o início do transtorno na infância, sobre a persistência ao longo da vida e a ocorrência atual dos sintomas, considerando a adaptação dos critérios da quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), da Associação Psiquiátrica Americana (APA), para a vida adulta.
FATORES DE RISCO
Escalas de avaliação para adultos têm sido adaptadas no Brasil por pesquisadores sob recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), caso de Paulo Mattos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que tem se dedicado ao estudo e tratamento do TDA/H em adolescentes e adultos. Fatores de risco e de proteção devem ser examinados com cuidado, como os psicossociais, cognitivos, educacionais e familiares. É preciso levar em conta também a possibilidade de outros diagnósticos psiquiátricos concomitantes, visto que é freqüente a presença de diversas patologias psiquiátricas comórbidas ao TDA/H, como transtornos de conduta, do humor e de ansiedade.
No que se refere ao tratamento, nos últimos dez a 20 anos houve aumento no uso de fármacos, sobretudo de estimulantes, com orientação da Academia Americana de Psiquiatria Infantil e do Adolescente para um monitoramento sistemático dos efeitos da medicação no comportamento. Mais recentemente, os estudos têm enfocado a eficácia de terapias medicamentosas e não-medicamentosas.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem sido a principal modalidade não-medicamentosa citada na literatura internacional, pois atua nos principais déficits comportamentais do portador de TDA/H, como os de comportamento inibitório, de auto-regulação da motivação, de organização e planejamento, além de direcionar o paciente a um objetivo.
Mas isso deve ocorrer concomitantemente a mudanças ambientais. A orientação à família e seu engajamento no tratamento de TDA/H, em especial no caso de crianças e adolescentes, auxiliam no entendimento de que não se trata de rebeldia ou preguiça. É fundamental explicar para os pais as multifacetadas razões pelas quais o filho tem determinados comportamentos e sintomas, e encorajá-los a participar da intervenção possibilita o aumento da aderência ao tratamento.
Além de desatenção, hiperatividade e impulsividade – consideradas os principais sintomas –, outra manifestação comum é a pouca coordenação motora, a ponto de, muitas vezes, os pais rotularem os filhos de desajeitados ou desastrados.
Em geral, as crianças com o distúrbio apresentam tendência de movimentação constante: agitam as mãos ou os pés, remexem-se na cadeira, abandonam seu lugar para correr ou escalar (muros, móveis etc.), sobretudo em situações em que isso é inapropriado. Falam demais ou têm dificuldade de brincar e permanecer em silêncio durante determinadas atividades de lazer que requerem esse comportamento.
Entre os sinais de desatenção estão os problemas para se fixar em detalhes ou a propensão a erros por descuido em atividades intelectuais. Esses meninos e meninas não conseguem acompanhar instruções longas e/ou terminar os deveres escolares ou domésticos nem organizar as tarefas; relutam em envolver-se em atividades que exijam esforço mental por longo período (como ler textos extensos ou livros sem gravuras) ou as evitam; distraem-se facilmente com estímulos alheios às tarefas ou atividades diárias que estão executando, muitas vezes chegando a esquecer-se delas.
A desatenção leva à distração, ao “sonhar acordado” e à dificuldade de persistir em uma única tarefa por um período mais prolongado. Como a atenção é desviada de um estímulo a outro, com freqüência os pais e os professores dizem que esses jovens agem como se não ouvissem ou como se vivessem com a cabeça nas nuvens. (...)
A reportagem completa está aqui
A paternidade muda o cérebro

Homens ficam mais atentos e acolhedores com a chegada do bebê
Por muitos anos os pais atuaram como coadjuvantes na educação dos filhos, assumindo a tarefa de prover o sustento, só cuidando diretamente deles em casos excepcionais, quando a mãe estava impossibilitada de dar conta dessa tarefa. Para o homem, trocar fraldas ou dar banho em seu bebê era algo atípico e até constrangedor. Mas com as transformações sociais e culturais das últimas décadas, que tornaram a presença feminina no mercado de trabalho cada vez mais forte, a divisão de tarefas dentro de casa precisou ser revista. Hoje parece distante essa época. Os homens ganharam o dever – mas também o direito – de acompanhar de perto cada etapa do desenvolvimento dos pequenos. Muitos que não tiveram um modelo paterno de maior proximidade física e afetiva precisaram descobrir (às vezes a duras penas) um novo jeito de ser pai. Os ganhos, porém, foram inegáveis, tanto para os adultos quanto para as crianças.
Hoje se sabe, por exemplo, que os homens influenciam as crianças de modo único: desempenham o papel de desafiá-las e instigá-las a desenvolver capacidades emocionais e cognitivas para enfrentar o mundo. Em um artigo de 1958, o psiquiatra britânico John Bowlby lançou uma ideia até então controversa, que ficou conhecida como teoria do apego: segundo ele, para se desenvolverem bem, todas as crianças necessitam de um relacionamento saudável e seguro com um adulto. Sua obra se atém à natureza do vínculo da criança com a mãe. No entanto, nos anos 70 surgiram os primeiros estudos realmente voltados para os pais: eles são tão capazes quanto elas de cuidar dos filhos. “Homens estão igualmente aptos a compreender o choro de seus bebês como sinal de fome ou de cansaço e responder a essa demanda da criança”, reconhece Bowlby. Diante de um recém-nascido irrequieto, adultos de ambos os sexos têm as mesmas respostas fisiológicas: alterações na frequência cardíaca, respiração e temperatura da pele. Assim como as mulheres, homens vendados conseguem distinguir seus bebês em meio a uma fileira de outros, numa enfermaria, apenas tocando suas mãozinhas. A psicóloga Anne E. Storey e seus colegas da Universidade Memorial de New-foundland, no Canadá, descobriram recentemente que o nível de testosterona dos pais diminuiu em um terço nas primeiras semanas após seus filhos terem nascido, uma mudança que sugere que o homem fica menos agressivo e mais acolhedor nesse período. Alguns representantes do sexo masculino podem até sofrer de depressão pós-parto: em uma avaliação de 2005 com 26 mil pais e mães, o psiquiatra Paul G. Ramchandani, da Universidade de Oxford, verificou que 4% dos homens apresentavam sintomas da patologia até oito semanas após o nascimento dos filhos.
Leia mais sobre o que acontece no cérebro de pais e mães na edição de dezembro de Mente e Cérebro, n° 227.
Uso excessivo de analgésicos pode levar a ainda mais dores de cabeça, alertam especialistas

19 de dezembro de 2008 (Bibliomed). As dores de cabeça causadas por uso excessivo de medicamentos para dor (analgésicos) são um problema global cada vez mais comum, que merece mais pesquisas e atenção de médicos e pacientes, segundo estudo publicado na edição de novembro da revista especializada Cephalalgia.
Os pesquisadores analisaram diversos estudos que exploram a incidência das dores de cabeça por abuso de analgésicos em oito países diferentes. E destacaram que esse tipo de cefaléia atinge cerca de 1% da população adulta e 0,5% das crianças mundialmente.
“As cefaléias causadas por abuso de medicamentos é associado com incapacidade grave, necessidades de tratamento não satisfeitas e poucos dados clínicos para sustentar as estratégias atuais de controle”, escreveu o neurologista David W. Dodick, especialista da Mayo Clinic e líder do estudo.
O especialista explica que essas cefaléias são induzidas por uso indevido de medicamentos, e ocorrem diariamente ou quase diariamente, desenvolvendo-se ao longo do tempo. É criada a tolerância ao medicamento e, então, “quando o paciente tenta descontinuar a medicação, podem ocorrer difíceis sintomas de abstinência”. E o uso excessivo de alguns medicamentos pode levar dores diárias similares à enxaqueca ou ao aumento da freqüência das enxaquecas.
Há a idéia de que o problema ocorra quando pacientes com dor severa exageram na busca por um alívio, usando remédios em excesso para dar conta das atividades diárias. A condição pode começar com uma dor de cabeça severa ao acordar e ser acompanhada de náusea, ansiedade, esquecimento e irritabilidade. Os autores acreditam que, se não tratadas, essas dores podem representar um problema maior do que a enxaqueca.
De acordo com os especialistas, alguns médicos preferem prescrever o uso de remédios para enxaqueca, enquanto tentam descontinuar o uso diário de analgésicos pelo paciente. E destacam que “os médicos precisam estar vigilantes sobre qual medicação prescreve para enxaqueca e outros tipos de cefaléia, e quais os medicamentos sem prescrição os pacientes estão tomando”. Isso porque, para eles, a principal estratégia de prevenção seria a comunicação médico-paciente, além do cuidado com sintomas de abstinência.
Os mecanismos da doença ainda não estão claros assim como quais pessoas são mais propensas a desenvolver a condição, por isso mais estudos seriam necessários para um melhor entendimento da doença e para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção e tratamento.
Fonte: Cephalalgia. Novembro de 2008.
Estudo indica que exercícios aeróbicos podem ajudar contra enxaqueca

30 de março de 2009 (Bibliomed). A prática regular de exercícios aeróbicos pode reduzir a frequência de enxaquecas e melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem desse mal, segundo estudo publicado na revista científica Headache: The Journal of Head and Face Pain.
Embora alguns estudos indiquem que o exercício físico pode iniciar as dores de cabeça nas pessoas que têm enxaqueca, os pesquisadores destacam que um programa de atividades físicas bem toleradas e desenvolvido para melhorar o “consumo de oxigênio” pode ser benéfico para esses pacientes.
Os pesquisadores avaliaram pessoas com enxaqueca antes, durante e após o programa de exercícios na bicicleta ergométrica (exercício aeróbico contínuo). E eles notaram que, após o período de tratamento, o consumo máximo de oxigênio aumentou significativamente.
Os resultados indicaram que não houve piora da enxaqueca em nenhum momento do estudo e, no último mês de intervenção, ocorreu uma redução considerável no número de ataques de enxaqueca, no número de dias que os participantes sofriam com o problema todo mês, na intensidade das dores e na quantidade de medicamentos utilizados para controle da dor.
Segundo os pesquisadores, as pessoas com dores de cabeça e enxaqueca normalmente são menos fisicamente ativas, o que resulta em menos resistência aeróbica e flexibilidade. E, embora a quantidade ideal de exercícios para esses pacientes ainda permaneça desconhecida, o programa apresentado apresentou bons resultados e deve ser comparado com outras abordagens.
Fonte: EurekAlert. Public release. 26 de março de 2009.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
O pintinho e a educação

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Mais do pintinho aqui
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Disturbios da articulação da fala

Macarujá, síbalas… Sai tudo errado mesmo. Mas calma, elas estão aprendendo
Por Juca Kfouri, avô de Luiza e Julia. Fale com ele: juca.kfouri@revistapaisefilhos.com.br
“Vovô, você é midículo e desagadável!“
“Como é, Luiza?”
“Você, vovô, é midículo e desagadável!”
Íamos os dois no carro, ouvindo as musiquinhas dela, então com 2 anos e meio, eu provavelmente cantarolando junto, o que ela jamais aprovou.
“Lulu, quem disse isso pra você?”
“A vovó Susi.”
Imediatamente liguei para ela pelo viva-voz e quando perguntei se de fato tinha sido a autora de tamanha infâmia, só ouvi uma gargalhada do outro lado.
“Imagina, eu nunca disse isso.”
Eu olhava a pequena pelo retrovisor e só a via afirmando o que dissera com a cabecinha, desmentindo a avó do outro lado da linha, mas se recusando a falar com ela.
Quando, enfim, desliguei, falei em alto e bom som, triunfante: “Viu só, a vovó disse que não falou nada”.
E ouvi, baixinho, da cadeirinha colada no banco de trás: “É, mas falou”.
Se uma criança tão pequena consegue ser desconcertante assim pela capacidade de ser taxativa a esse ponto, consegue, também, se revelar consciente de suas dificuldades de maneira comovente.
E esta aconteceu 20 dias atrás. Julia, 3 anos e meio, me recebeu em sua casa contando excitada que “o pato da Luiza caiu”.
“Caiu no lago?”, perguntei. E a vi fazer uma carinha entre o desânimo e a perplexidade.
“Não esse pato, vovô, o pato.”
“Ah, o prato?!”
E ela me olhou com a carinha mais angelical deste mundo, suplicando por compreensão: “Vovô, eu não sei falar como vocês”.
Quase a sufoquei de tanto apertar e beijar.
O linguajar surpreende, o vocabulário é gigantesco por causa dos estímulos que aparecem de todos os lados e os errinhos precisam ser cada vez mais guardados, porque se a pequena adola suco de macarujá, a maior, campeã de trava-línguas, dia desses quis brincar comigo do jogo das síbalas.
Desnecessário dizer que não é aconselhável falar com os pequenos no tatibitate deles, mas também não me parece razoável viver corrigindo seus errinhos.
Corrigir mesmo basta uma vez e fico pasmo como as duas já não dizem “pra mim fazer” e a frequência com que revelam querer falar a palavra certa e não saber como, muitas vezes esperando que alguém as socorra.
Sem nunca esquecer que se há uma língua cheia de armadilhas, essa é a nossa inculta e bela última flor do Lácio.
Juca Kfouri é jornalista esportivo, pai de quatro filhos e avô orgulhoso
Você pode ler mais do Juca aqui.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Epilepsia em crianças: pais subestimam a qualidade de vida de criança com doença crônica

Ter um filho com epilepsia exige, sim, alguns cuidados especiais, como o controle diário da medicação, frequentes visitas aos médicos e a responsabilidade de informar às pessoas que convivem com a criança sobre a doença. Mas será que a proteção exagerada e faz bem para seu filho? Um estudo feito por especialistas em neurologia da Universidade da Califórnia (EUA) mostra que os pais têm a sensação de que o filho com epilepsia tem uma qualidade de vida inferior às demais crianças. Mas, quando os pesquisadores perguntaram às crianças com a doença o que elas achavam de suas vidas, afirmaram que estavam muito bem, sim!.
Os pesquisadores descobriram que as avaliações dos pais sobre a qualidade de vida das crianças eram significativamente mais baixas para os seus filhos com epilepsia. Os fatores considerados foram saúde, autoestima e disposição física. Em contraste, as crianças com a doença avaliaram sua própria qualidade de vida igual a de seus irmãos. Foram avaliadas 143 crianças com epilepsia, a maioria com 12 anos, comparando cada uma com um irmão, saudável e não-epiléptico. A avaliação foi feita por meio de entrevistas pessoais oito a nove anos após o diagnóstico inicial, utilizando o Child Health Questionnaire, questionário que considera as versões dos pais e dos filhos sobre um mesmo assunto.
Por que os pais tendem a acreditar que a vida dos filhos não é boa o suficiente? Porque eles vêem a doença crônica como uma barreira que, em tese, impede a criança de ter uma vida melhor. Christine Bower Baca, uma das médicas responsáveis pelo estudo, explica que ter uma doença crônica ou uma deficiência não significa necessariamente que a pessoa está insatisfeita com sua vida, apesar de que outros possam pensar. “Tal distorção poderia levar a uma subestimação da qualidade de vida da criança.” Reconhecer as reais necessidades da criança é importante para a busca de um tratamento eficiente e para a melhor compreensão dos pais de como cuidar dos filhos.
O estudo também aponta que aproximadamente 45 mil crianças menores de 15 anos desenvolvem epilepsia a cada ano. As causas podem ser problemas com o desenvolvimento do cérebro antes do nascimento, a falta de oxigênio durante ou após o parto, traumatismos cranianos, tumores, convulsão com febre prolongada, genética, ou infecções no cérebro.

75% das pessoas não recebem tratamento
Boa parte das pessoas não tem tratamento por falta de conhecimento sobre seus sintomas e perigos. A boa notícia é que ela tem cura, e as chances disso são ainda maiores quando o diagnóstico é feito nos primeiros anos de vida da criança. Um estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde revelou que cerca de 75% das pessoas que sofrem de epilepsia no mundo deixam de receber tratamento, e isso se deve muito mais à falta de conhecimento sobre a doença do que ao valor do seu tratamento.
Esse distúrbio é mais comum entre as crianças do que entre os adultos (cerca de 5% da população jovem tem o problema) e sua causa na maioria dos casos é desconhecida. Algumas vezes, a doença pode ser passageira, desaparecendo ainda na infância naturalmente, o que não dispensa a avaliação e tratamento - no Brasil todos os remédios necessários são fornecidos pelo governo. Alguns sinais ficam mais evidentes nos primeiros anos na escola , quando ela pode apresentar falta de atenção enquanto escreve ou assiste às aulas, e isso pode atrapalhar o rendimento escolar. Uma das formas de perceber o problema pode ser quando, durante um ditado, a criança escreve apenas partes do que o professor fala, sem registrar grandes pedaços do texto dito. Como os professores podem não saber diferenciar se a criança tem déficit de atenção ou epilepsia de fato, cabe a eles observar os alunos e orientar os pais a procurarem um especialista.
Segundo Rogério Tuma, neurologista do Hospital Sírio Libanês (SP), a doença pode ser constatada logo depois que a criança nasce, quando o médico já pode perceber se o bebê apresenta contrações constantes em algum músculo do corpo. Se ele suspeitar que elas indicam epilepsia, é pedido um exame de eletroencefalograma para analisar as descargas elétricas do cérebro e constatar se há de fato disfunção em algumas células. O diagnóstico precoce aumenta muito as chances de cura, e o tratamento normalmente é feito à base de medicamentos. Só em casos em que a causa da epilepsia é conhecida e muito específica (como um tumor ou após um acidente que comprometeu a estrutura do cérebro) é possível fazer uma cirurgia para sanar o problema.
A epilepsia não é uma doença transmissível e acontece quando alguns neurônios não funcionam corretamente. Essa disfunção se manifesta em contrações involuntárias de alguns músculos do corpo ou até do corpo inteiro durante alguns segundos. Outro sintoma é o que os médicos chamam de ausência (quando a pessoa parece olhar para o nada, pisca com frequência ou estala os lábios, como se não estivesse percebendo o que está ao seu redor). Esses períodos em que a pessoa parece inconsciente ou quando tem essas contrações são conhecidos como crises. Numa crise mais grave, a pessoa pode chegar até mesmo a ter convulsões.
Como agir
Se já se sabe que a criança é epilética, é importante que os pais avisem a coordenação da escola para que eles fiquem cientes de que o aluno pode apresentar algumas dificuldades. Cabe à coordenação comunicar aos professores para que eles sejam mais cuidadosos – especialmente em aulas de educação física, que exigem mais esforço do aluno e isso pode acarretar alguma crise – mas sem excluir as crianças de nenhuma brincadeira ou exercício.
Os problemas mais frequentes da epilepsia são causados durante as crises, que podem durar vários segundos. Tuma explica que o cérebro aprende a ter a crise, então quanto mais crises a pessoa tem, maior é o risco de ela ter de novo. Uma maneira de evitá-las é seguindo o tratamento indicado pelo médico. Nesse tempo, como a pessoa perde o controle sobre o próprio corpo (ou parte dele), ela pode cair e se machucar. Em casos mais graves, pode até mesmo ocorrer a falta de oxigenação no cérebro, o que leva a convulsões e até a danos permanentes.
Durante uma crise, alguns cuidados são necessários para garantir a integridade física da criança. Se o ataque provocar contrações involuntárias ou convulsões, abra espaço para que seu filho não bata em nenhum objeto, deite-o de lado para impedir que sua língua feche a passagem de ar pela garganta e não coloque nada em sua boca - dedos podem ser mordidos e objetos podem machucá-lo. Se você estiver sozinho com a criança durante uma crise, mantenha a calma e fique ao lado dela esperando o fim das contrações. Só após o relaxamento dos músculos você deve buscar socorro.
Cuidados ainda na gestação
Inúmeras pesquisas já comprovaram que o álcool prejudica a saúde da mãe e compromete o futuro do bebê. Por isso, fique atenta. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade do Novo México, nos EUA, os fetos que são expostos a álcool têm maiores chances de desenvolver epilepsia. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão após examinar o histórico familiar de 425 pessoas que sofrem da doença. Eles estabeleceram uma correlação entre fatores de risco - como a exposição ao álcool e às drogas durante a gravidez – e as ocorrências de epilepsia.
Epilepsia em crianças: pais subestimam a qualidade de vida de criança com doença crônica
Atividade física é indicada para crianças com epilepsia

Crianças com baixos indices de atividade física apresentam maiores chances de desenvolver doenças cardiovasculares, obesidade, artrite, diabetes e outras doenças relacionadas ao sedentarismo observadas em adultos."Pais estimulam os filhos sem epilepsia a praticarem exercícios físicos e mostram uma atitude de superproteção em relação aos outros filhos com epilepsia, fazendo com esses evitem a prática esportiva".
A epilepsia é uma das mais comuns doenças neurológicas em crianças, afetando aproximadamente 1 % da população pediátrica. A atividade física tem mostrado grandes benefícios fisiológicos e psicológicos em pessoas com epilepsia.
Entretanto, muitos profissionais da área de saúde contra-indicam a prática de exercícios físicos ou atividades esportivas para as crianças com epilepsia por acharem que o exercício físico possa desencadear crises epilépticas ou lesões durante a prática dos exercícios físicos.
Assim, o estigma e o preconceito da epilepsia diminuem ainda mais o incentivo para as crianças na participação de atividades esportivas. Um estudo realizado por Judy Wong e Elaine Wirrell *, pesquisadores da Universidade de Alberta e Universidade de Calgar, Canadá demonstrou resultados muito interessantes em relação aos hábitos de atividade física entre irmãos com epilepsia.
Neste estudo, foi comparado o nível de atividade física de crianças com epilepsia em relação aos seus irmãos sem epilepsia. Verificou-se que as crianças com epilepsia eram menos ativas fisicamente, com menor participação em atividades esportivas que seus irmãos sem epilepsia. Além disso, as crianças com epilepsia apresentavam índice de massa corporal maior, isto é, eram mais obesas.
A falta da participação em atividades esportivas neste grupo de crianças pode refletir um maior isolamento social, o que é comum nesta população específica.
Neste sentido, parece que os pais estimulam os filhos sem epilepsia a praticarem exercícios físicos e mostram uma atitude de superproteção em relação aos outros filhos com epilepsia, fazendo com esses evitem a prática esportiva.
Apesar da maioria dos esportes ser seguro para pessoas com epilepsia, algumas atividades necessitam de supervisão, como esportes aquáticos e esportes em altitudes. Detalhes das atividades esportivas recomendadas e contra-indicadas para pessoas com epilepsia foram mostradas em matérias anteriores sobre epilepsia e exercício físico - artigos anteriores clique aqui.
Desta forma, é importante encorajar e orientar os pais dos efeitos positivos do exercício físico no desenvolvimento físico e psicológico das crianças com epilepsia.
*Judy Wong and Elaine Wirrell. Physical Activity in Children/Teens with Epilepsy Compared with That in Their Siblings without Epilepsy. Epilepsia, 47(3):631–639, 2006.
Atividade física é indicada para crianças com epilepsia







A pulsação do coração é percebida na moleira.
